As descargas da Renova encheram o leito do rio com espuma branca. Foto: mediotejo.net

*com Sónia Leitão

A empresa Renova, localizada na Zibreira, concelho de Torres Novas, admitiu esta segunda-feira ao mediotejo.net que na sexta-feira, 17 de fevereiro, uma falha de controlo no processo de produção fez com que tivesse ocorrido uma descarga de pasta de papel para o rio Almonda. A GNR já foi à fábrica e a empresa compromete-se a deixar as margens limpas nos próximos dias, tendo o assessor de imprensa afirmado que hoje, dia 20, está já a decorrer o processo final de limpeza.

Tratou-se de um “incidente pontual” na sexta-feira, devido a uma “falha de controlo” no processo de fabrico de papel da Renova, resultando numa descarga de pasta de papel para o rio, na envolvente da fábrica 2. “Atacámos de imediato o assunto”, frisou por diversas vezes Luís Saramago, relações públicas da Renova. A acumulação de vegetação nas margens do rio terá ainda ajudado a “represar” a pasta de papel, o que favoreceu as imagens captadas no local durante o fim-de-semana.

A espuma testemunhada na sexta-feira no rio Almonda era densa e sem cheiro. Foto: mediotejo.net

“No sábado e no domingo estivemos a limpar o rio”, explicou, referindo que atualmente a situação se encontra normalizada, apesar de persistir alguma acumulação de pasta nas margens, presa pela vegetação. “Temos que assumir que houve um problema”, sublinhou, admitindo que a GNR já esteve entretanto na fábrica. “Ninguém mais do que nós está preocupado” com a situação, referiu, lembrando o investimento feito pela empresa para responder às normas ambientais e às exigências da Agência Portuguesa do Ambiente.

Questionado sobre as descargas que a população afirma assistir com frequência no local, o responsável não soube explicar o que eventualmente será percepcionado pelos moradores. Explicou porém que na produção “a água é clarificada, tratada e reintegrada no processo”, respeitando a legislação, sendo utilizada para desagregar a massa de papel. Frisou que são feitas análises à água e auditorias por entidades externas.

Os terrenos da nova fábrica da Renova cofinam com os da moradora que fez a denúncia. Foto: mediotejo.net

“Assumimos uma posição responsável”, afirmou Luís Saramago, garantindo que se continuará a limpeza das margens até a situação ficar resolvida. “É um acidente que temos a responsabilidade de resolver”.

Esta descarga foi denunciada por uma moradora da Zibreira, Maria Helena Pereira, na sexta-feira, quando se deparou com a poluição durante um passeio com o marido pela sua propriedade, que confina com os terrenos da Renova. Posteriormente o mediotejo.net também se deslocou ao local, tendo constatado a densa espuma branca e rosa no leito do rio. A mesma moradora encontrou os funcionários da Renova no sábado, dia 18, na limpeza, tendo estes na altura informado que se tratava da avaria de uma válvula.

A Renova assume a responsabilidade das descargas ocorridas na sexta-feira e assegura a resolução da situação. Foto: mediotejo.net

A situação foi comunicada à GNR primeiro pelo mediotejo.net, no seguimento da tentativa de confirmação dos factos, e posteriomente pela moradora. Os militares enviaram uma equipa para verificar o rio, não tendo no sábado encontrado nenhum vestígio de poluição, conforme afirmaram ao jornal.

O mediotejo.net contactou ainda a Quercus sobre o caso, tendo Domingos Patacho, confirmado que se deslocaram ao local no domingo, dia 19, e encontrado “vestígios de espuma”, inclusive na Ribeira Branca.

Uma situação “excecional” e “grave”, constatou este representante da associação ambientalista que, no mesmo dia, não descartou a hipótese das descargas estarem relacionadas com o “aumento da capacidade de produção da fábrica da Renova”. O mesmo dirigente ambientalista salientou que não se tratava de uma certeza pois não testemunharam descargas e que a Quercus iria entrar em contacto com a empresa para esclarecer o assunto.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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