Os responsáveis da fábrica de papel Renova, em Torres Novas, deram hoje por concluídas as operações de limpeza do rio Almonda depois de uma falha de controlo no processo de produção ter originado uma descarga de pasta de papel e espuma na sexta-feira para aquele curso de água.

“No seguimento do incidente que decorreu na passada sexta-feira, a Renova tudo fez, no imediato, para mitigar os efeitos do mesmo, devido a uma anomalia técnica e que foi reportada à APA – Agência Portuguesa do Ambiente. Os trabalhos iniciaram-se logo após a ocorrência, no sentido de repor as condições naturais no leito do rio. Neste momento todos os processos estão controlados, estando repostas as condições naturais do Rio Almonda e a ETAR a funcionar dentro dos parâmetros exigidos”, disse ao mediotejo.net fonte oficial da empresa.

Os trabalhos de limpeza do Almonda ficaram concluídos esta terça-feira. Foto: DR

A Renova, localizada na Zibreira, concelho de Torres Novas, reconheceu o registo de ocorrência de uma falha de controlo no processo de produção que fez com que tivesse ocorrido uma descarga de pasta de papel para o rio Almonda, tendo afirmado que o mesmo foi “pontual” e ter encetado de imediato “medidas preventivas para a situação não se venha a repetir”.

Segundo fonte do SEPNA, a equipa tomou conhecimento de uma “pequena avaria” e levantou o respetivo auto de contra-ordenação na segunda-feira, que será enviado à Agência Portuguesa do Ambiente (APA). É à APA que caberá fazer as restantes diligências de análise.

Também o Ministério do Ambiente foi alertado pela Quercus depois de um dirigente desta associação ter encontrado vestígios no local no domingo, dia 19, onde se deslocou após o contacto do mediotejo.net.

O mediotejo.net contactou ainda o ambientalista Francisco Ferreira, presidente da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, que esclareceu que a descarga de pasta de papel “não é tóxica”, no sentido que não provocará um envenenamento. Os seus efeitos são mais físicos, de “afetação” das margens e do leito do rio com a matéria sólida instalada. “Aquilo depois pode ser um alimento para muitos organismos e ao degradar-se pode trazer problemas”, explicou, nomeadamente de falta de oxigénio no rio. Porém a situação seria mais grave se decorresse no verão”, constatou.

O casal que fez a denúncia será recebido pela Renova na quinta-feira, dia 23, tendo a empresa mostrado disponibilidade para explicar a origem da descarga no rio Almonda.

*Com Cláudia Gameiro e Sónia Leitão

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