César Bona e Carlos Fernandes Silva foram os oradores convidados este ano para a conferência “Os Dias da Escola”, que marca o arranque do ano letivo para os docentes do concelho de Torres Novas. A sessão esteve cheia, com mais de 400 professores e educadores presentes, com alguma expetativa ante a apresentação do espanhol que integrou a lista dos 50 melhores professores do mundo em 2017, sendo finalista do Global Teacher Prize. Bona defende uma “nova escola” onde se escute o que o aluno tem para dizer, indo ao encontro da sua realidade.
O professor que defende que não devemos reproduzir sem autocrítica a educação que recebemos e critica o excesso de foco nos rankings escolares e nas notas, o que designa de “macroeducação”, foi a Torres Novas falar para uma sala cheia no Teatro Virgínia. Conforme foi notado, Bona foi o primeiro orador internacional a participar no evento, que cresce assim no paradigma ao nível dos eventos similares na região.
“Escutar para Educar” foi o tema da palestra de César Bona, que começou por afirmar que “todos somos diferentes” e que “para falar de educação é importante conectar com a criança, connosco mesmos e com os que nos rodeiam”. A educação, frisou, não deve ser feita para a bolha escolar, mas para a sociedade.

O professor desafiou os professores presentes a pensar na escola que queremos, na linha de um maior conhecimento do ser humano de si próprio, por forma a ir-se ao encontro de uma maior responsabilidade social. Para que as crianças se tornem cidadãos participativos, constatou, é necessário ensiná-las a participar. Para isso “temos que aprender a escutar” e não ensinar simplesmente as crianças a cumprirem regras.
Aprender a escutar, para assim conseguir refletir e respeitar, foi a mensagem deixada pelo espanhol, autor da obra “A Nova Educação”, que defende “mais diálogo, mais educação, mais paciência”, colocando a nossa perspetiva mediante a da criança. “Para escutar é preciso compartilhar”, afirmou, “nunca vou aprender nada de alguém que seja igual a mim”.
A palestra de César Bona foi precedida pela do neurocientista Carlos Fernandes Silva, que abordou o “desenvolvimento humano, cérebro e aprendizagens escolares”. O especialista explicou como o cérebro influencia de diversas formas o processo de aprendizagem e como diferentes factores, como os ritmos biológicos de cada um, se impõem na capacidade de aprendizagem. “Quando os Estados pensam a educação do ponto de vista meramente económico, o resultado é desastroso”, referiu, frisando que “educação é saúde” e que, não obstantes as estratégias de ensino, tem que se olhar às circunstâncias e ao contexto de cada aluno. “A aprendizagem deve envolver o corpo todo”, explicou.
