Darko Milankovic e Jasmina Bockaj vieram a Torres Novas discutir o euroceticismo que tem percorrido a Europa Foto: mediotejo.net

O município de Torres Novas recebeu nos dias 28 de fevereiro e 1 de março o congresso “Small Municipalities against euroscepticism” (tradução livre: Pequenos municípios contra o euroceticismo), uma iniciativa dentro de um programa da União Europeia (UE) para a cidadania que reuniu representantes de nove países. Do debate ficou a conclusão que são sobretudo o populismo e a falta de informação que estão a potenciar o sentimento antieuropeu.

“Populismo”, segundo uma definição do dicionário online, significa, quando aplicado à política, uma “doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas”. Numa análise mais extensa da revista Economist, que contrapõe várias definições do conceito, este pode traduzir-se também pelo aproveitamento político da ingenuidade ou da falta de informação das pessoas. Populista, numa outra definição, será alguém que afirma ser o único defensor dos interesses do povo.

Serão o populismo e a falta de informação que estão assim a promover o euroceticismo pela Europa, segundo as conclusões de um congresso organizado em Torres Novas com a participação de pequenos concelhos da Letónia, Roménia, Hungria, Bulgária, Eslovénia, Sérvia e Macedónia. Países de Leste, que estão há pouco tempo na Europa unida, mais dois que aguardam há muito pela entrada (a Sérvia e a Macedónia), quiseram debater com Portugal, enquanto país já antigo na união (entrada oficial deu-se em 1986), questões europeias. A temática do euroceticismo, discutida em Torres Novas, foi a primeira de quatro debates que se vão seguir noutros países.

Dias 28 de fevereiro e 1 de março foram dias de debate para representantes de nove países europeus Foto: mediotejo.net

Segundo Jorge Salgado Simões, do município torrejano, o convite a participar nesta iniciativa partiu da Croácia, que é a coordenadora do programa. Em Torres Novas reuniram-se 27 representantes estrangeiros, mais 50 portugueses. No dia 28, a discussão contou com a presença da deputada Margarida Matos. Segundo adiantou Jorge Salgado Simões ao mediotejo.net, as causas do euroceticismo apontadas pela responsável foram a crise, o Brexit, os refugiados e os problemas de segurança a eles associados, os discursos populistas e pró-nacionalistas.

Para Jasmina Bockaj, coordenadora do projeto, a presença de Portugal foi importante para fazer o contraponto. “Tínhamos aderentes antigos, recentes e a Sérvia e a Macedónia, que ainda não entraram”, salientou. Sobre a temática do euroceticismo, “diria que é um problema de falta de informação e populismo”, referiu, resumindo os debates dos dois dias.

A equipa elaborou um conjunto de soluções, que depois serão apresentadas num relatório à UE. Nomeadamente: apostar na educação, sobretudo a dos professores; melhorar a informação para as pessoas; financiar projetos direcionados às pessoas; envolver os Media; ter informação focada para a juventude.

Um dos participantes do evento, Darko Milankovic, chegou de Sremski Karlovci, um pequeno município na Sérvia. Engenheiro ambiental, já participou em diversos programas europeus e projetos. “Reconheço os valores europeus”, frisou à comunicação social, constatando que o povo sérvio está, de facto, algo dececionado por ainda não ter aderido à UE. “Já nos sentimentos como europeus e acreditamos na UE”, afirmou, porém a adesão tem sido adiada, envolvida no longo processo burocrático.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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