Produtores pedem medidas de controlo da população de javalis após elevados prejuízos. Foto: DR

Ana Manha e o irmão, Pedro Manha, ficaram com o carro em que seguiam bastante danificado por terem embatido contra um javali no Pedrógão, Torres Novas. O animal, explicaram na reunião camarária de 9 de maio, terça-feira, saiu detrás de um arbusto e surpreendeu os dois irmãos, provocando um acidente. Não houve prejuízos de saúde, mas os irmãos querem que alguém assuma a responsabilidade.

Ana e Pedro Manha não são do concelho de Torres Novas, mas dirigiram-se à reunião camarária para tentar obter informações quanto às responsabilidades do crescimento do número de javalis em território do Parque Natural da Serra D’aire e Candeeiros. Um dos alertas deixados foi a falta de sinalização quanto à existência de animais selvagens na zona do Pedrógão e que, ao que lhes haviam comunicado, o município considerara desnecessária. “Há um problema com javalis no Parque Serra D’aire e Candeeiros que não está a ser resolvido”, afirma Ana Manha, relatando situações semelhantes no concelho de Alcanena.

“Há 30 anos não havia javalis aqui no concelho. Começou a ser um fenómeno e cada vez têm aparecido mais”, admitiu o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, lamentando o sucedido com os irmãos. “Vamos tomar providências”, garantiria no decorrer da sessão, nomeadamente contactando o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“Considero aberrante que não haja ninguém que se responsabilize”, afirmaria Ana Manha, colocando no Parque a responsabilidade de ter introduzido os javalis no ecossistema. Esta informação foi no entanto contrariada pelo executivo socialista, explicando que os javalis chegaram na sequência dos incêndios em Mação e que a população tem crescido. Não há, frisou Elvira Sequeira, nenhuma reserva de javalis licenciada em Torres Novas.

Pedro Ferreira terminaria a sugerir aos irmãos que escrevessem uma carta à Câmara Municipal, que seria entregue ao jurista do município, a fim de verificar se a autarquia tem mesmo responsabilidades no acidente.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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