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A continuação da sessão de Assembleia Municipal de Torres Novas de 25 de novembro, agendada para quarta-feira, dia 2, devia ser centrada num debate em torno das consequências da crise sanitária no concelho. O Bloco de Esquerda (BE) acabou, porém, por explicar que não propusera um debate, mas um conjunto de medidas de resposta à pandemia. A alteração à designação do ponto agendado acabou por gerar uma discussão de índole político-partidária, pouco se debatendo sobre as consequências da pandemia no concelho. O tópico foi chumbado.

A proposta do BE, a que o mediotejo.net teve acesso, incluía um conjunto de medidas de apoio ao comércio local, restauração e pequenas e médias empresas de serviços, nomeadamente uma rúbrica de 500 mil euros. Também estavam previstas isenções de taxas, dinamização de compras online no concelho, a criação de um Fundo de Emergência Social, ações de sensibilização, apoio a vítimas de violência doméstica, promoção de iniciativas culturais, entre outras.

A exposição dúbia da proposta de debate, retificada já depois do lançamento do Edital, mereceu desde logo uma advertência do presidente da mesa, José Trincão Marques, e conduziu o tom da sessão.

Nuno Guedelha (CDU), afirmando que se tinha preparado para um debate, frisou a ausência de números sobre o impacto da pandemia no município, além de recursos humanos para os tratar, para definir estratégias, apontando a demagogia da proposta.

Manuel Filipe (PS) consideraria que muitas das medidas propostas já estavam no terreno e outras eram “irrealistas”.

Gonçalo Reis (CDS) lembrou que o desemprego deverá aumentar em 2021, atingindo os 9,3%, pelo que serão necessárias mais medidas de apoio à população.

Apenas o PSD manifestou concordância com as propostas, lembrando uma proposta anterior similar do partido.

Também o presidente da Câmara, Pedro Ferreira (PS), afirmou que vinha preparado para um debate, enumerando os vários apoios já facultados pelo município no contexto da pandemia, que ultrapassam o 1 milhão de euros. “Não vale a pena estar a apontar valores”, comentou, considerando ainda as incertezas do ano que se aproxima e das medidas que o Governo irá tomar. Em caso de necessidade, explicou, far-se-á uma revisão orçamental.

António Gomes (BE) considerou, porém, que os 500 mil euros são “uma opção política” e podem significar o pagamento das contas da água, luz ou alimentação de uma família em necessidade. “O próximo orçamento não pode ser só a pensar nas eleições”, apontou.

Manuel Filipe e Nuno Guedelha tornariam a afirmar-se contra a maneira como o BE estava a apresentar soluções para a crise sanitária. Da parte do PSD, Evelina Cebola manifestou o seu desapontamento por a discussão se ter direcionado para um ensaio de “posições político-partidárias”.

“Temos que encontrar soluções para os cidadãos”, afirmou a eleita social democrata. Neste sentido, também Pedro Ferreira concluiria pelo excesso de politização do tema, apelando à moderação.

Na votação da proposta do BE, só aquele partido e o PSD votaram a favor. A CDU e o CDS abstiveram-se, sendo a proposta rejeitada pela maioria PS.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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