assembleia municipal de torres novas de 11 de dezembro de 2017 Foto: mediotejo.net

Os deputados da Assembleia Municipal de Torres Novas foram surpreendidos na sessão de segunda-feira, 19 de fevereiro, com uma carta, dirigida a cada um individualmente, da Fabrióleo. A reunião teve início sem que ninguém se manifestasse sobre a mesma, até que o assunto foi levantado pela bancada da CDU. Como chegara ali a missiva ninguém soube responder, nem foi discutido o conteúdo da carta, apenas que um funcionário municipal distribuíra as cópias pelos respetivos assentos dos autarcas.

A Fabrióleo fez circular pelas caixas de correio do concelho, na última semana, uma carta em que expunha a sua defesa, afirmando-se injustamente acusada de ser o motor da poluição no concelho e os esforços que tem empreendido para cumprir as normas ambientais, O facto inusitado fez eco sobretudo nas redes sociais, onde algumas pessoas manifestaram a sua indignação pela atitude da fábrica.

Na segunda-feira, aquando a sessão da assembleia municipal de Torres Novas, os deputados encontraram nos seus assentos uma carta semelhante, que havia sido deixada na Câmara para distribuição. Ninguém se manifestou sobre o assunto, até que a deputada Margarida Melenas, da bancada da CDU, questionou a mesa da assembleia sobre como tinha chegado ali a missiva.

O presidente da assembleia, José Trincão Marques, referiu que ainda não lera o documento e que fora surpreendido pela presença do mesmo. As cartas terão sido distribuídas por uma funcionária da Câmara antes da sessão, mas ninguém soube explicar como os envelopes chegaram ao município.

A situação gerou distúrbio na sessão, com o presidente do Pedrógão a adiantar que também fora entregue uma carta na sua junta de freguesia.

A carta, a que o mediotejo.net teve acesso, vai sensivelmente ao encontro da mesma ideia do texto que foi deixado nas caixas do correio dos torrejanos, mas com outra abordagem. A Fabrióleo considera as acusações de que tem sido alvo como “injustas, graves e falsas” e “têm prejudicado o nosso bom nome e a nossa honra”.

Refere que o estudo encomendado à Universidade Nova de Lisboa já identificou cerca de 50 pontos poluentes da ribeira da Boa Água, entre outros dados preliminares da instituição, que ainda se encontra a estudar o impacto da laboração da fábrica, mas que lhe retiram culpabilidade. “É, por isso, falso e criminoso que seja atribuído à Fabrióleo a origem dos problemas de poluição do concelho. Recusamo-nos a aceitar que interesses obscuros ou simplesmente a inércia e a passividade continuem a encobrir os verdadeiros poluidores do concelho”, salienta.

A Fabrióleo refere também que está a ser desonestamente associada ao fenómeno de poluição do rio Tejo. “Para ter uma noção honesta da situação: a bacia do Ribeiro do Pinhal – onde a Fabrióleo se situa – ocupa uma área de 0,2 km2, enquanto a área da bacia da Ribeira da Boa Água ocupa 17 km2; já o Rio Almonda ocupa uma área de 274 km2. Tudo isto são valores ínfimos quando comparados com a área total da bacia do Rio Tejo: 80 mil km2 (sendo que deste valor, perto de 25 mil km2 correspondem à bacia do Tejo em Portugal). Perante estes números, só pessoas de má índole poderão ter o descaramento de tentar justificar os problemas do Rio Tejo, escudando-se nos nossos ribeiros e na atividade da Fabrióleo”, afirma.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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