A Comissão de Utentes do Médio Tejo alertou a Câmara Municipal de Torres Novas para o eventual impacto de futuras linhas de muito alta tensão associadas a projetos de energias renováveis, questionando o município sobre possíveis planos da REN para a região. O presidente José Trincão Marques confirmou que o concelho não está abrangido por nenhuma ZAER – Zona de Aceleração de Energias Renováveis e admitiu aprofundar a informação sobre as infraestruturas elétricas em causa.
A questão foi levantada por Manuel José Soares, durante a última reunião do executivo municipal, no âmbito de uma intervenção sobre as Zonas de Aceleração de Energias Renováveis (ZAER). O representante da Comissão de Utentes do Médio Tejo questionou a Câmara Municipal sobre eventuais projetos da Rede Elétrica Nacional (REN) relacionados com o transporte de eletricidade produzida por novos empreendimentos de energias renováveis.
Manuel Soares começou por assinalar que a inexistência de uma ZAER no concelho de Torres Novas é, para já, um dado positivo. “Estamos satisfeitos de não encontrarem nenhuma zona verde aqui no concelho para fazer um empreendimento fotovoltaico ou eólico”, afirmou.
No entanto, considerou existir uma questão que deverá ser acompanhada pelo município: as infraestruturas necessárias para transportar a energia produzida.
“Mas nós queremos alertar para o seguinte. Aquela eletricidade não vai pelos feixes cartesianos como os telemóveis. Eletricidade precisa de fios e os fios têm que estar pendurados em postes”, afirmou, alertando para o impacto que as linhas de muito alta tensão podem ter no território.
Segundo Manuel Soares, estas linhas implicam “faixas de proteção” e podem mesmo atravessar zonas habitadas. Para ilustrar a preocupação, apontou o exemplo do município do Gavião, que tem contestado o transporte de energia elétrica em direção a Espanha, e referiu a possibilidade de situações semelhantes poderem ocorrer noutros territórios.
O representante da Comissão de Utentes chamou ainda a atenção para uma linha de muito alta tensão prevista na zona de Alcanena. Na sua leitura, o traçado escolhido, que passa pela zona de Moitas Venda e se aproxima do concelho de Torres Novas, levanta dúvidas sobre as razões para não utilizar uma solução mais a oeste, junto da Serra de Aire e Candeeiros, onde, segundo afirmou, já existe um canal para infraestruturas deste tipo.

“Por que raio é que uma linha de muito alta tensão vem de Lavos e para Rio Maior e não vai na parte oeste da Serra de Aire e Candeeiros, onde há inclusive já um canal?”, questionou.
Manuel Soares admitiu que uma das razões para a construção desta infraestrutura pode estar relacionada com a possibilidade de ligação a futuros empreendimentos de produção de energia, nomeadamente na região de Abrantes.
Nesse sentido, questionou diretamente o município sobre se teria conhecimento de algum projeto da REN para fazer uma ligação desta natureza através ou junto do concelho de Torres Novas.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques, confirmou que o concelho não está abrangido por nenhuma Zona de Aceleração de Energias Renováveis.
“Tive uma reunião com o senhor secretário de Estado da Energia em Porto de Mós, onde estiveram presentes vários presidentes de câmara e o concelho de Torres Novas não é afetado com nenhuma zona destas de aceleração”, afirmou.
O autarca reconheceu, contudo, a pertinência da questão colocada relativamente às linhas de alta tensão. Disse ter conhecimento da matéria através de informação veiculada publicamente, mas admitiu não dispor ainda de informação suficientemente detalhada.
José Trincão Marques indicou ainda que, segundo a informação de que dispõe, a linha não passará “dentro do lado de cá da autoestrada” no território de Torres Novas, mas pelo outro lado.
O presidente da Câmara considerou que a questão poderá também envolver o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), admitindo que a existência de áreas protegidas possa constituir um elemento a considerar no planeamento das infraestruturas.
“Temos que tentar envolver também o parque nisto aqui. O parque da Serra de Aire Candeeiros e o ICNF podem ser um aliado nosso e do concelho de Alcanena na defesa das populações”, afirmou.
