O programa do 39º aniversário da cidade de Torres Novas, que se assinalou esta segunda-feira, 8 de julho, contou com uma sessão solene na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, onde foi recordado o passado da vila que em 1985 viria a tornar-se cidade. Após o hastear das bandeiras, no exterior, ao som do hino de Torres Novas, seguiram-se as intervenções no auditório.
Durante a sua intervenção, Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, recuou ao passado e recordou a presença romana na cidade, da qual permanecem vestígios posteriormente transformados em monumento nacional, que adquiriu o nome de “Vila Cardílio”. Lembrou ainda a importância da conquista do Castelo de Torres Novas, pelo primeiro rei de Portugal e que, “com orgulho”, está patente no brasão do concelho.
No ano em que se assinalam os 39 anos da elevação a cidade, o autarca torrejano recordou o percurso de uma vila repleta de história, patente na descoberta arqueológica de um crânio do homem Neandertal, na Gruta da Aroeira, com mais de 400 mil anos. “Eu costumo dizer na brincadeira que o primeiro português nasceu em Torres novas, porque ainda não apareceu nada mais antigo do que este crânio com 400 mil anos”, afirmou.
“Villa da Torre”, a inscrição latina encontrada nas ruínas da Vila Cardílio, é hoje associada a uma origem plausível do toponímio Torres Novas. Com marcas que evidenciam uma ocupação desde o Paleolítico, o território conhecido por “Turris” começou a ganhar os seus atuais contornos a partir do século XII, com a expulsão dos árabes por D. Afonso Henriques, no ano de 1148. A fundação do concelho viria a acontecer anos mais tarde, no foral atribuído por D. Sancho I a 1 de outubro de 1190. A 8 de julho de 1985 a vila de Torres Novas foi elevada à categoria de cidade, tendo assinalado este ano o seu 39.º aniversário.




Num passado mais recente, Torres Novas foi sede da Escola Prática de Cavalaria, do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves e é hoje, ainda, o concelho que acolhe a Escola Prática de Polícia, onde “se comemorou há poucos dias, com enorme orgulho para os torrejanos, o Dia Nacional da Polícia de Segurança Pública”, recordou o autarca.
Durante a sua intervenção, Pedro Ferreira afirmou que o concelho torrejano “acompanhou o nascer da revolução industrial”, tendo tido um “papel relevante a nível nacional e internacional” no domínio dos tecidos, fiação, metalurgia, agricultura e afigurando-se como um “grande mercado abastecedor a nível nacional”.
Afirmando ter uma “centralidade ímpar” no país, levou ao alojamento de empresas e indústria dos mais diversos setores no território, deixando o concelho com uma das mais baixas taxas de desemprego a nível nacional, de acordo com o edil.
No campo da saúde, o até então Hospital Distrital deu lugar ao edifício dos Paços do Concelho, tendo Torres Novas visto nascer um novo hospital designado por Rainha Santa Isabel, integrado na ULS Médio Tejo e “com um relevante papel na região, complementado pelos hospitais de Tomar e da Abrantes”, acrescentou.





“A história da então vila e merecidamente passagem a cidade, surgiu do esforço individual, familiar, de gente humilde, rural e operária, que nos seus terrenos ou terrenos contratados, largaram o seu suor para que os campos lhes dessem os melhores figos, únicos no mundo. Também as melhores vinhas, muitas vezes conseguido em horários pós-laboral, e o terem conseguido tirar partido de terrenos agrícolas de excelência, como nos campos de Riachos, cuja estratégia e garra passou de pais para filhos e são uma referência nacional”, considerou Pedro Ferreira.
“Foram os nossos avós e bisavós que ajudaram a criar a jovem cidade que hoje faz 39 anos, uma jovem cidade âncora de um território com cerca de 35.000 habitantes e 10 freguesias, todas diferentes, mas todas unidas num permanente e único sentido de garantir a melhor qualidade de vida para quem cá vive e para quem nos visita, e que procuramos cativar para que apostem e queiram viver connosco”, acrescenta.
Quanto à reabilitação urbana, o edil destaca o trabalho gradual que tem vindo a ser desenvolvido nos “muitos imóveis degradados do quarteirão histórico”, quer por iniciativa municipal como também por iniciativa privada.
Olhando para a atualidade da cidade, o autarca destaca um centro histórico “mais bonito e com mais vida”, com melhorias ao nível das acessibilidades e dos equipamentos públicos.
No entanto, à semelhança de outros centros urbanos, Torres Novas regista hoje um “grave problema” que resulta da falta de zonas de estacionamento. “Uma das medidas mais importantes que foi tomada foi a gratuitidade dos Transportes Urbanos de Torres Novas para uma maior utilização dos transportes públicos, uma medida que custa ao município financeiramente cerca de meio milhão de euros anualmente”, sublinhou.

Um dos ex-libris do concelho, o rio Almonda, tem tido “uma especial e delicada” intervenção, nas palavras do edil, através da renaturalização das suas margens e, sobretudo, ao nível do saneamento, através das Águas do Ribatejo.
Com a delegação de competências na área da saúde, o autarca considera que a CMTN deu, “de imediato e voluntariamente, passos que considerou serem “significativos” para melhorar os espaços de atendimento médico e melhorar as condições de trabalho dos técnicos de saúde, como forma de “incentivo à vinda de mais médicos de família, apesar de já existir uma resposta para todo o concelho”.
No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com financiamento a 100%, está em curso a construção de um “novo e ambicioso” edifício para a Unidade Saúde Familiar Cardílio, localizado na avenida Xanana Gusmão, junto ao Hospital Rainha Santa Isabel, com uma capacidade prevista para 14 mil utentes.
Este novo equipamento de saúde irá permitir o alargamento da equipa dos atuais 5 médicos de Medicina Geral e Familiar para 8, incrementando a capacidade de atendimento em cerca de 40%, considerando os 8 500 utentes atuais.
“Ao nível da educação, corajosamente, candidatámo-nos à requalificação da Escola Secundária Artur Gonçalves, considerada pelo Ministério da Educação como de urgente necessidade. O município assumiu uma candidatura de cerca de 24 milhões de euros, o maior valor em candidatura desde sempre no município, sem esquecer a conclusão da segunda fase do Centro Escolar de Santa Maria”, destaca.



Com um novo ciclo de candidaturas a fundos comunitários, Pedro Ferreira afirmou que o executivo decidiu apostar na cidade, onde residem cerca de 16.000 pessoas, investimentos que irão incidir sobretudo no centro histórico, apostando na reabilitação do Largo Virgínia, no designado quarteirão cultural, que envolve a Praça 5 de Outubro, o Castelo, a Avenida João Martins de Azevedo e a continuação do Jardim das Rosas à Avenida 25 de Abril.
Está ainda prevista uma “grande intervenção” no bairro histórico, de São Pedro, uma das zonas mais antigas da cidade.
“Dentro do mesmo programa, embora fora da cidade, seria imperdoável não salientar a reabilitação da Casa do Povo de Riachos, Casa da Cultura e na mesma freguesia, a grande ampliação e infraestruturação da Zona Industrial de Riachos com forte potencial de desenvolvimento”, acrescenta.
Ainda durante a sua intervenção, Pedro Ferreira identificou um dos problemas socioeconómicos da cidade e que “comprometem o desejável aumento demográfico”, nomeadamente a falta de habitação disponível para arrendamento.
“Existindo já uma razoável resposta em termos de habitação social, mais de 100 habitações, propriedade da Câmara e que foram disponibilizadas para habitação social, surgiu um novo programa a nível nacional pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, designado por rendas acessíveis (…), pelo que o município se candidatou”, explicou.
Para o efeito, a autarquia cedeu imóveis e terrenos, propriedade do município, nomeadamente na Avenida dos Negréus, na rua Alexandre Herculano, na Rua Miguel Bombarda, na rua da Fábrica, entre outras, e também fora do concelho, em Lapas e Pedrógão.





Pedro Ferreira afirmou ainda presidir a um “concelho de campeões”, nas mais variadas modalidades desportivas, tendo sido palco nacional e internacional de grandes eventos desportivos, designadamente no Palácio dos Desportos, no Estádio Municipal e nas Piscinas.
“Mais importante que o orgulho de termos campeões nacionais, europeus, mundiais e alguns olímpicos, será o criarmos e melhorarmos condições para a prática salutar de qualquer desporto e para todas as idades”, reiterou.
Com esse objetivo, o município iniciou “obras de vulto” no Estádio Municipal, no Complexo de Ténis, no Pavilhão de Riachos e nas Piscinas cobertas e descobertas.
“Queremos que a nossa cidade, âncora do concelho, seja ainda mais uma âncora regional, onde as pessoas gostem de viver, onde o social ande a par com o desenvolvimento económico, onde as tradições torrejanas de que tanto nos orgulhamos, não comprometam a criatividade das novas gerações num mundo em permanente e rápida evolução”, desejou o autarca.



“Conhecendo o passado e comparando o presente, será o eterno desafio dos autarcas torrejanos. Como há 39 anos se festejou orgulhosamente o patamar conquistado, fica-nos e, para o futuro, o dever de fazer brilhar tão nobre distinção”, concluiu.
A cerimónia contou com atuações de alunos do Conservatório de Música Choral Phydellius, bem como a entrega da chave de ouro da cidade a Orlando Delgado, presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande (Santo Antão – Cabo Verde), que mantém um acordo de geminação com o Município de Torres Novas desde 31 de maio de 1997.
Para o presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, esta distinção é mais um marco numa “já longa e muito especial” amizade entre dois “municípios irmãos”.
No âmbito das comemorações dos 39 anos da cidade, Torres Novas inaugurou ainda o Núcleo de Arqueologia Cerca da Vila, situado no Terreiro do Arco do Vento, junto aos antigos Paços do Concelho e ao castelo.
Trata-se de um núcleo expositivo gerido pelo Museu Municipal Carlos Reis, que tem como missão salvaguardar, investigar e divulgar o património arqueológico do concelho de Torres Novas.
O programa encerrou com a atuação de Sara Correia, no âmbito das Festas do Almonda, que decorreram de 28 a 30 de junho e de 4 a 8 de julho, levando a Torres Novas artistas como Bárbara Tinoco e Marisa Liz, celebrando mais um aniversário da cidade.
