Foto: CMTN

A rede viária municipal foi um dos temas abordados na última reunião pública da Câmara Municipal de Torres Novas, após uma intervenção no período destinado ao público, que alertou para a existência de situações graves e para a necessidade de intervenções urgentes em algumas estradas do concelho. Em resposta, o presidente da autarquia, José Trincão Marques, garantiu que já existe verba prevista para investir nas vias rodoviárias e avançou com uma lista de estradas onde estão previstas intervenções.

Manuel José Soares, da Comissão de Utentes do Médio Tejo, começou por recordar que a situação da rede viária tem sido abordada “muita vez”, considerando que “há situações graves, algumas até são pontos negros em termos de sinistralidade”, enquanto outras necessitam de intervenções planeadas.

O representante questionou o executivo sobre o eventual reforço previsto no orçamento para 2027, tendo em conta a necessidade de um “plano de recuperação das rodovias no concelho”, bem como sobre a existência de trabalhos previstos para setembro nos casos mais urgentes.

Entre os exemplos apontados esteve a estrada da Sapeira, que Manuel Soares descreveu como a “estrada das três valetas”, onde, após a chuva, “corria a água da direita, da esquerda e ao meio”. O interveniente salientou, contudo, que esta via não será da responsabilidade direta da Câmara, atribuindo a situação à entidade responsável pela instalação da infraestrutura de gás.

Outro dos casos referidos foi o abatimento existente na Avenida Andrade Corvo, onde, segundo Manuel Soares, foi entretanto colocado um sinal de alerta. “Não se sabe se aquilo vai abater mais, aliás, vem sucessivamente abatendo”, afirmou, defendendo que, além das intervenções estruturais, existem situações que “têm que ser mesmo agora resolvidas”.

O representante dos utentes questionou ainda o executivo sobre os contactos mantidos com a Infraestruturas de Portugal relativamente aos acessos à A23, às rotundas de acesso e ao cruzamento da Rua do Bom Amor com a variante do Bom Amor.

Na resposta, José Trincão Marques garantiu que a rede viária é uma preocupação da autarquia e que “já neste orçamento temos verba para investir”. O autarca explicou que o município tem vindo a pedir aos presidentes de junta e aos serviços municipais um levantamento das necessidades, mas admitiu que o número de estradas a necessitar de intervenção poderá ser muito elevado.

“É impossível fazer-se tudo uma vez”, afirmou, defendendo uma intervenção faseada e hierarquizada. Segundo o presidente, o objetivo é fazer algumas estradas num ano e outras no seguinte, de forma a ir distribuindo as intervenções.

O presidente garantiu ainda que o chamado plano de recuperação das vias do concelho “está em curso”, embora pretenda apresentá-lo posteriormente “de uma forma mais precisa”, com uma visão sistematizada das intervenções. Para 2027, a intenção é ter esse plano organizado de forma “equitativa” pelas freguesias, para evitar concentrar as obras apenas em algumas zonas do concelho. “Não é fazer tudo em três ou quatro freguesias e deixar as outras para trás”, afirmou.

Foto: CMTN

Também dentro da cidade estão previstas intervenções. O autarca anunciou para breve o início das obras no Bairro de São Pedro, numa intervenção conjunta com as Águas do Ribatejo, que implicará trabalhos subterrâneos relacionados com canalizações. A envolvente do castelo será igualmente uma das primeiras zonas a receber obras.

Relativamente às vias sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, José Trincão Marques revelou ter mantido contactos com a entidade. Segundo o autarca, ficou prevista uma nova reunião durante setembro para tentar concretizar algumas das situações que, até agora, permanecem apenas verbalizadas.

Um dos pontos em causa é o cruzamento da variante do Bom Amor com a Rua do Bom Amor. A Câmara equacionava uma rotunda ou semáforos, mas o presidente explicou que pediu, para já, a instalação de semáforos, por considerar que esperar por uma rotunda poderá atrasar a resolução do problema.

Sobre os acessos à A23, José Trincão Marques disse ter questionado diretamente a IP sobre o motivo pelo qual as intervenções no Entroncamento avançaram antes das de Torres Novas. A resposta recebida foi de que o município torrejano será o próximo, uma vez que os trabalhos no Entroncamento já estavam mais adiantados.

A pavimentação dos acessos à A23 é, segundo o autarca, da responsabilidade da IP. A mesma entidade deverá intervir numa via de acesso à rotunda da Avenida João Paulo I, uma zona que se encontra bastante danificada. Para isso será ainda necessária uma transferência e clarificação da propriedade da via.

Outro dos problemas identificados pelo presidente diz respeito aos acessos ao viaduto que liga a Zibreira a Liteiros. José Trincão Marques esclareceu que o problema não está no viaduto em si, mas nos acessos, que se encontram cortados e cuja recuperação considera urgente.

“Não há perigo de queda do viaduto, mas há perigo para quem circula no acesso ao viaduto”, afirmou, acrescentando que a estrutura tem mais de 20 anos e apresenta sinais de degradação e abatimento. O autarca disse ter visitado o local recentemente, incluindo durante o período das tempestades, e ter verificado o estado da via.

Neste caso, a Câmara ainda procura esclarecer se a responsabilidade pertence à IP, uma vez que o prazo de garantia poderá já ter terminado.

Caso não seja possível responsabilizar a IP, o município admite avançar diretamente com a intervenção, eventualmente recorrendo a fundos disponibilizados pelo Governo para responder aos danos provocados pelas tempestades. “Das duas, uma, ou nós ou a IP, teremos que tentar ver como é que fazemos”, afirmou o presidente.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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