Com corredores estreitos e quartos minúsculos, a requalificação da casa onde nasceu Humberto Delgado é inaugurada no domingo, estando completamente preservada. Foto arquivo mediotejo.net

No próximo domingo, dia 1 de outubro, comemoram-se em Torres Novas os 833 anos da atribuição do foral por D. Sancho I, que aconteceu em 1190, com a consequente fundação do concelho.

O programa festivo começa às 10h30, com uma visita ao núcleo Museológico da Central Hidroelétrica do Caldeirão, seguido, uma hora mais tarde, da inauguração da requalificação da Casa Humberto Delgado e abertura do CHUDE – Centro Humberto Delgado.

À tarde, às 16h00, decorrerá a apresentação pública da obra «Alegoria do Foral», do pintor Sam Abercromby na Sala de Sessões dos Paços do Concelho, no Convento do Carmo.

Casa Memorial Humberto Delgado

Casa Museu Humberto Delgado situa-se na aldeia do Boquilobo. Foto arquivo: mediotejo.net

Após algumas décadas de funcionamento como Casa Memorial, a casa onde nasceu Humberto Delgado foi requalificada para dar lugar a um centro de estudos sobre o republicanismo e a oposição à ditadura portuguesa. No CHUDE, os visitantes terão contacto com vários suportes físicos e digitais dedicados ao percurso pessoal e político do General Humberto Delgado e dos republicanos e resistentes torrejanos, uma pequena biblioteca temática integrada no catálogo coletivo da Biblioteca Municipal, e um espaço de exposições temporárias que abrirá com uma exposição dedicada aos resistentes locais ao anterior regime.

O projeto tem o apoio do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, e em 2021 foi distinguido com uma menção honrosa no âmbito da primeira edição do Prémio “Aristides de Sousa Mendes e outros salvadores portugueses – Holocausto, valores universais, humanismo e justiça”, promovido pela Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL).

O objetivo da intervenção em apreço é valorizar o património e a memória de Humberto Delgado e contribuir para a consciencialização cívica e estímulo do pensamento crítico da sociedade, pretendendo-se ainda que o CHUDE estabeleça parcerias com centros congéneres, em Portugal e noutros países, favorecendo uma rede de observatórios que pugne pela defesa dos valores da liberdade, da tolerância e da pluralidade.

A «Alegoria do Foral», pelo pintor Sam Abercromby

Sam Abercromby. Foto: DR

O pintor Sam Abercromby produziu para a sala de sessões dos Paços do Concelho (edifício do Convento do Carmo), por encomenda do Município de Torres Novas, uma obra de grandes dimensões e feita à medida para o local. Sam Abercromby, artista australiano e pintor classicista, vive em Portugal há cerca de 40 anos. Atualmente reside no concelho de Torres Novas (com casa e atelier em Vila do Paço) e dedica-se à criação de obras inspiradas pela história e poesia portuguesa.

Trata-se de um quadro em formato tríptico, com as dimensões totais de 8×3 metros, criado especificamente para o local. Integra uma sequência de cenas e elementos pictóricos, cuja narrativa remete para uma dimensão simbólica da história de Torres Novas, da sua paisagem e do seu território. Contém elementos como muralha do castelo e a Serra d’Aire, entre personagens e pormenores que invocam a história e o contexto locais.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply