De acordo com o documento, ao longo dos últimos anos, o concelho de Torres Novas tem “presenciado vários eventos climáticos com forte expressão no seu território”, pelo que deverá ser adotada uma “abordagem sistémica e integrada no planeamento nestas matérias, dado a sua imprevisibilidade e severidade”.
Assim, responder a estas problemáticas constitui-se como um “desafio exigente” que requer o envolvimento da comunidade local. Após uma primeira fase de diagnóstico, foram identificadas as áreas prioritárias de intervenção e definidas as medidas e ações de mitigação e adaptação a implementar.
“São muitas páginas, é um estudo profundo, será sempre inacabado e todos têm o dever cívico de colaborar, alertar, sendo políticos ou não, porque nós vivemos debaixo do mesmo teto, com as mesmas preocupações para nós e para os nossos”, referiu Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal.
Neste sentido, a Câmara Municipal de Torres Novas desenvolveu o seu Plano Municipal de Ação Climática (PMAC), um instrumento que, nas palavras do autarca, é de extrema importância para o futuro do território e uma oportunidade de construir uma estratégia integrada de adaptação às alterações climáticas.
“Não é um documento fechado, é um documento que tem de acompanhar a evolução dos tempos e este documento tem um desafio: é que as medidas tenham grandes reflexos sobretudo até 2040 (…). Nós estamos numa corrida positiva de procurar atingir os melhores resultados muito antes disso”, acrescentou o autarca socialista.
O documento está enquadrado num contexto supramunicipal, o qual se pretende que crie valências e sinergias com outros parceiros regionais no combate aos impactos das alterações climáticas. “As alterações climáticas são uma realidade e há muito que propor em cada território e cada território tem a sua especificidade (…) e a forma de trabalharmos o ambiente. O principal é a redução das fontes poluidoras”, sublinha.
O PMAC de Torres Novas visa contribuir para a implementação e desenvolvimento de políticas e estratégias que promovam a utilização racional de energia, eficiência energética e as energias renováveis.
Tendo por base o diagnóstico feito com a Matriz Energética e de Emissões de 2008, foram identificadas as áreas prioritárias de intervenção e inventariadas as medidas e ações, organizadas e ponderadas em função do setor de atividade, tendo como objetivo antecipar a neutralidade carbónica para o ano de 2040 materializada numa redução das emissões em 80% face ao ano base.

Entre as principais medidas referidas pelo autarca, durante a sessão da Assembleia Municipal torrejana, encontra-se a rearborização com espécies autóctones, o controlo de espécies invasoras, a aposta na iluminação pública, a melhoria da eficiência energética, ações de formação ambiental, projetos de compostagem, o ecocentro móvel, a melhoria de eficiência hídrica e a renovação da frota automóvel.
De acordo com o documento agora aprovado, o setor dos transportes afigura-se como o mais problemático, pelo que importa “promover novos paradigmas de mobilidade, melhorando a intermodalidade, a promoção de tecnologias de propulsão alternativa (e.g. veículos elétricos, hidrogénio, etc.,) e valorizando as opções suaves de transporte (bicicleta e pedonal)”.
Depois de duas auscultações públicas, o Plano Municipal de Ação Climática da Câmara Municipal de Torres Novas foi aprovado com os votos favoráveis de todos os elementos que integram a Assembleia Municipal.
