Foi com o “Acordai” do maestro tomarense Fernando Lopes-Graça que teve início a Sessão Solene comemorativa do 44.º aniversário do 25 de abril que  juntou na manhã desta quarta-feira os eleitos da assembleia municipal de Tomar na Biblioteca Municipal António Fonseca Cartaxo. Os três momentos culturais da sessão estiveram a cargo do coro Misto da Canto Firme – Associação de Cultura, não faltando o célebre “Grândola, Vila Morena”.

A presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas (PS), que encerrou os discursos, lembrou a importância de celebrar o desassossego que se viveu há 44 anos para a liberdade, considerando que os acelerados tempos atuais colocam em causa a verdadeira democracia. “O que foram os avanços de há 44 anos até agora, na matéria da Educação, é de realçar”, destacou, acrescentando que “temos que ser educados para pensar”.

Coro Misto da Canto Firme iniciou sessão solene do 25 de abril com a música “Acordai” Foto: mediotejo.net

Anabela Freitas recordou que o país viveu 48 anos sem liberdade de pensamento, sendo que hoje em dia vivemos num mundo em que aquilo que nos chega em fragmentos.

“Poucas são as pessoas que lêem jornais, que se questionam. O que nós assistimos é a que as pessoas vêem uma cosia nas redes sociais e tomam-na como certa. Por isso é que temos nos EUA um presidente como Donald Trump”, considerou. A autarca disse que compete a cada um de nós criar condições para que a democracia não termine. “Pegando na primeira intervenção musical da Canto Firme desafio-vos todos a acordar para o perigo em que a democracia está”, disse.

Américo Pereira, dos Independentes do Nordeste, disse que 44 anos depois do 25 de abril ” a verdadeira história continua por escrever” e ainda se continua a sonhar com a construção de uma sociedade “justa, livre e solidária”, sendo que é tempo de acabar com os “assassinatos na praça pública”. O também presidente da União de Freguesias Serra-Junceira chegou mesmo a dizer que “muitos roubam, o povo paga” sendo que é tempo de acabar com o espectáculo mediático e por fim ao tráfico de influências que grassa no Estado e na Banca.

Já a eleita do Bloco de Esquerda, Maria da Luz Lopes, evocou a condição feminina 44 anos após a Revolução de Abril, que assumem uma dupla jornada de trabalho, em casa e fora de casa. “As mulheres estão francamente em minoria em certas áreas profissionais sendo que tinham que trabalhar mais dois meses por ano para ganharem o mesmo que os homens”, exemplificou, acrescentando que os lugares de chefia continuam a ser maioritariamente constituídos por homens.

Paulo Macedo da CDU recordou a luta encetada há 44 anos e disse que “falar hoje aos jovens sobre o que foi o 25 de abril é dizer que a luta pelos seus direitos continua”. Reportando-se à situação local disse que é preciso continuar a lutar por mais e melhor saúde no Médio Tejo, resolver o problema da poluição do Rio Nabão, combater a desertificação das freguesias não se permitindo o fecho de escolas e jardins-de-infância e dar condições e oportunidades aos mais jovens para aqui trabalharem, e assim, se fixarem.

Maria Fernanda Correia, do PSD, contou que, enquanto professora que foi durante 40 anos, como explica a história do 25 de abril aos seus três netos de modo a entenderem quem lutou pelos seus Direitos. “Um dia uns senhores corajosos fizeram uma revolução e o país mudou”, referiu. Maria Fernanda Correia recordou ainda a vida controlada pelo lápis azul e censura, ressalvando ainda “abril abriu portas à liberdade individual e coletiva”. Disse ainda que “os partidos devem ser capaz de ouvir o cidadão comum”.

Vasco Marques, do Partido Socialista, por seu turno, recordou como eram os tempos antes do 25 de abril, num tempo em que 1/3 dos portugueses não sabia ler e em que a censura vigiava a comunicação social. “A instrução pública durava apenas 4 anos. Não havia liberdade de expressão nem de reunião. Não haviam verdadeiras eleições nem verdadeira liberdade de voto e a igualdade entre géneros não era sequer uma miragem”, evocou. Para o eleito do PS, faz sentido lembrar abril num tempo em que há cada vez mais desinteresse pela atividade política.

Às comemorações do 25 de abril, juntaram-se as iniciativas Mercado da Estrelinha, “Doce Passeio Doce” e o 2.º Festival Internacional de Folclore, que juntou centenas de pessoas na Praça da República, conferindo uma grande dinâmica ao centro histórico da cidade templária (ver peça em breve).

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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