A Câmara de Tomar vai reforçar a recolha de monos e resíduos volumosos através de um novo contrato com a Ecoambiente, depois de o vereador socialista José Delgado ter denunciado uma “situação degradante” junto aos ecopontos do concelho.
“Os ecopontos hoje são um atrativo para despejos de monos, de sofás, de tudo o que quisermos”, afirmou José Delgado na reunião pública do executivo de segunda-feira, considerando que o problema exige mais fiscalização e informação junto da população.
O vereador do PS apontou a deposição ilegal de móveis, sofás e outros resíduos junto aos ecopontos como um problema crescente, apesar do investimento realizado pelo município na recolha seletiva e na distribuição de equipamentos pelo concelho.
“Tem que se punir quem faz mal. Nós temos que denunciar”, defendeu, considerando que a situação representa riscos ambientais e de saúde pública e prejudica a imagem do concelho.
O responsável socialista associou ainda a situação aos resíduos de amianto dispersos na sequência da tempestade Kristin, em janeiro, afirmando que continua a existir amianto não friável – incorporado em materiais como fibrocimento – por recolher em vários pontos do concelho.
Delgado questionou o executivo sobre o ponto de situação da empreitada destinada à recolha destes materiais e alertou para o risco de a deposição dos resíduos da tempestade ser aproveitada para abandonar na via pública materiais com amianto provenientes de obras particulares.
“Não podemos deixar que se aproveite a tempestade para que produtores de (…) materiais com amianto venham depositar na via pública aquilo que têm que colocar e notificar à ACT”, afirmou.
O vereador defendeu ainda um maior envolvimento das juntas de freguesia e das forças de segurança na fiscalização e disponibilizou-se para colaborar na formação para recolha e armazenamento temporário de materiais com amianto, tendo em vista o seu posterior encaminhamento para instalações com competência para os receber.
“É uma vergonha. É uma vergonha nacional. Eu sinto-me mal e penso que não estou aqui a fazer nada”, afirmou no final da intervenção.
O vereador Samuel Fontes (Chega), responsável pelo pelouro da Educação, Intervenção Social e Ambiente, afirmou partilhar da preocupação e reconheceu que os trabalhadores municipais enfrentam dificuldades para acompanhar a deposição ilegal de resíduos.
“Nós, além do esforço que se faz pelos funcionários do município em limpar e remover os monos, acabamos de limpar e a seguir estão lá, em plena luz do dia”, afirmou.
Fontes anunciou que a Câmara vai assinar ainda esta semana um contrato com a Ecoambiente para a limpeza de monos, prevendo que a empresa comece a trabalhar já na próxima semana.
O vereador admitiu, contudo, um período inicial de adaptação, estimando que possa haver “um mês ou dois” de alguma perturbação até a situação começar a ficar regularizada.
Segundo Samuel Fontes, a própria empresa transmitiu ao município que o aumento da deposição ilegal de monos não é exclusivo de Tomar, tendo-se agravado em vários concelhos nos últimos anos, designadamente após a pandemia de covid-19.
A situação tem motivado igualmente preocupação e alertas noutros municípios do Médio Tejo.




Em Vila Nova da Barquinha, a Câmara voltou recentemente a apelar ao civismo perante o abandono ilegal de monos na Praia do Ribatejo, enquanto em Abrantes o presidente do município, Manuel Jorge Valamatos, denunciou este mês a deposição de móveis, colchões, pneus, madeiras e eletrodomésticos junto a contentores e na via pública.




A nível nacional, dados divulgados hoje pelo Portal da Queixa indicam que as reclamações relacionadas com lixo urbano aumentaram 10,5% até 30 de julho, para 220 ocorrências, face às 199 registadas no mesmo período de 2025.
As queixas relacionadas com acumulação de lixo, falhas na recolha, contentores a transbordar e ausência de limpeza regular passaram também a representar 20,79% das reclamações dirigidas às câmaras municipais, contra 19,72% no mesmo período do ano passado.
O Portal da Queixa alerta ainda para relatos relacionados com problemas de salubridade, incluindo infestações de ratos e insetos, maus odores e deposição indevida de resíduos em espaço público.
