Os trabalhadores da Fábrica Prado Karton – Companhia de Cartão, em Tomar, reunidos em plenário no dia 19 de janeiro, decidiram avançar com um pré-aviso de greve e realizar esta quarta-feira, dia 1 de fevereiro. Numa altura em que estão com o ordenado do mês de dezembro em atraso, a administração propôs despedir 26 dos cerca de 110 trabalhadores, sendo que também se aproxima o fim do ‘lay off’, a 28 de fevereiro, o que os preocupa.

Trabalhadores reuniram com o sindicato a 19 de janeiro Foto: mediotejo.net

“A Prado tem atravessado um Lay-off com as consequências financeiras que isso tem tido para os trabalhadores. A acrescer a essa situação, recentemente a empresa tem contactado alguns trabalhadores no sentido de rescindirem contrato sem que sejam cumpridas todas as obrigações da empresa com os trabalhadores. A USS/CGTP-IN considera esta situação imoral e aconselha os trabalhadores a não aceitarem pois não devem ser os trabalhadores a serem responsabilizados e penalizados laboral e financeiramente pelos problemas que a empresa atravessa”, refere a União dos Sindicatos de Santarém.

Antes da reunião, os trabalhadores fizeram o ponto de situação e manifestaram as suas preocupações ao deputado do PCP na Assembleia da República, António Filipe e ao vereador da CDU na Câmara de Tomar, Bruno Graça. Este último referiu aos trabalhadores que a autarquia deliberou solicitar uma reunião ao atual Conselho de Administração e Comissão de Trabalhadores, no sentido de ver o que pode ser feito para evitar despedimentos.

Rui Aldeano, da União dos Sindicato de Santarém, e António Filipe, Deputado do PCP, estiveram nas instalações da empresa Foto: mediotejo.net

António Filipe disse ao mediotejo.net que o PCP vai fazer “tudo o que for possível” para ajudar estes trabalhadores, nomeadamente através da colocação de uma interpelação escrita ao Governo. “Estamos a falar de 26 famílias, com filhos e encargos… estamos a falar da sobrevivência das pessoas. Naturalmente que, para assegurar isso, é preciso que a empresa tenha a sua viabilidade e condições de trabalho. Esta empresa deve ser defendida porque é uma empresa antiquíssima. Tudo o que podermos fazer na Assembleia da República para evitar a perda de postos de trabalho, iremos fazer “, disse, acrescentando que a região tem sido muito massacrada com o encerramento de empresas.

Para o delegado sindical José Fonseca, a situação a que chegou esta fábrica, que existe desde 1772, por alvará do Marquês de Pombal, deveu-se não só à falta de encomendas, mas também a “falta de liderança” e a decisões da anterior administração que comprometeram a qualidade do papel produzido.

Empresa do Grupo Champalimaud, a Papel do Prado foi nacionalizada depois da revolução de abril de 1974 e integrada na Portucel, tendo sido adquirida em 1999 pela Finpro, sociedade que era controlado pelo Estado (27,2%), Banif (32%) e Américo Amorim (25,4%), entretanto falida.

Em abril de 2016 foi adquirida à massa falida da Finpro pela sociedade gestora portuguesa Atena Equity Partners.

José Fonseca afirmou que nos últimos seis meses, em que, ao abrigo do ‘lay off’, 60% dos trabalhadores estão a laborar e 40% estão em casa, têm existido encomendas.

C/Lusa

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.