Os trabalhadores da Fábrica de Papel do Prado, em Tomar, realizam quinta-feira um plenário para analisarem a proposta de saída feita pela administração a 26 dos cerca de 110 trabalhadores e a aproximação do fim do ‘lay off’.

José Fonseca, delegado sindical na Prado Karton – Companhia de Cartão, disse hoje à Lusa que os trabalhadores decidiram reunir-se perante a incerteza que se coloca quanto à capacidade de cumprimento dos acordos de rescisão que estão a ser propostos a 26 trabalhadores e ao que vai acontecer quando terminar, a 28 de fevereiro, a comparticipação da Segurança Social no âmbito do ‘lay off’ em vigor desde fevereiro de 2016.

O delegado sindical apontou como um dos fatores de dúvida o facto de os trabalhadores ainda não terem recebido o salário de dezembro, situação que afirmou acontecer pela primeira vez, pelo menos desde que está na empresa (há 30 anos).

A proposta de rescisão que está a ser feita, essencialmente a trabalhadores perto da idade da reforma e a pessoas com contrato, prevê o pagamento de parte da indemnização e o restante em prestações de 36 meses, disse.

José Fonseca afirmou que, numa tentativa de “dar a volta”, a administração da empresa decidiu laborar em horário contínuo apenas em cinco dias da semana, passando a encerrar ao fim de semana.

“Ao reduzir o trabalho, vai dar para ocupar a máquina fazendo o papel que sabemos fazer, que é de qualidade e para o qual não há muita concorrência e há mercado”, afirmou.

Para o delegado sindical, a situação a que chegou esta fábrica, que existe desde 1772, por alvará do Marquês de Pombal, deveu-se não só a falta de encomendas, mas também a “falta de liderança” e a decisões da anterior administração que comprometeram a qualidade do papel produzido.

Empresa do Grupo Champalimaud, a Papel do Prado foi nacionalizada depois da revolução de abril de 1974 e integrada na Portucel, tendo sido adquirida em 1999 pela Finpro, sociedade que era controlado pelo Estado (27,2%), Banif (32%) e Américo Amorim (25,4%), entretanto falida.

Em abril de 2016 foi adquirida à massa falida da Finpro pela sociedade gestora portuguesa Atena Equity Partners.

José Fonseca afirmou que nos últimos seis meses, em que, ao abrigo do ‘lay off’, 60% dos trabalhadores estão a laborar e 40% estão em casa, têm existido encomendas.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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