Deposição ilegal de fibrocimento continua a preocupar Tomar. Câmara avança com recolha de 120 toneladas. Foto: CMT

A deposição irregular de monos e resíduos, bem como a recolha de fibrocimento resultante dos estragos provocados pela tempestade Kristin, marcaram parte da discussão na reunião do executivo da Câmara de Tomar, com o vereador socialista José Delgado a alertar para atrasos na resposta aos pedidos da população e o presidente da autarquia, Tiago Carrão (PSD), a anunciar novas medidas para melhorar o serviço.

José Delgado começou por assinalar como positiva a remoção das chapas de fibrocimento existentes no cemitério, considerando tratar-se de uma situação que “não cabia na cabeça de ninguém”. O vereador lembrou, contudo, que continuam a existir depósitos de fibrocimento espalhados pelo concelho e que está em curso uma empreitada para proceder à sua remoção.

O eleito do PS alertou ainda para dificuldades sentidas pela população, sobretudo nas aldeias, na recolha de monos. Segundo referiu, há pedidos que demoram mais de um mês a obter resposta e casos de cidadãos que aguardam vários meses pela recolha.

ÁUDIO | José Delgado, vereador eleito pelo PS

“Tem que haver uma eficácia e tem que se diferenciar a situação. Senão vamos continuar a ter monos, bidés, bacias e outras coisas espalhadas por todo o lado”, afirmou, sublinhando que o sistema de comunicação atualmente existente “não está a funcionar” em várias localidades.

Em resposta, Tiago Carrão reconheceu a existência de constrangimentos e afirmou que a deposição irregular de resíduos se agravou desde a tempestade. O presidente da Câmara disse ter a perceção de que, nos últimos meses, aumentaram significativamente os depósitos ilegais, quer junto a contentores, quer em locais afastados destes.

Foto arquivo: CM Tomar

O autarca explicou que existem duas dimensões distintas do problema: a deposição irregular de resíduos e a resposta aos pedidos de recolha agendada. Para tentar melhorar ambas as situações, o município contratou, por um período experimental de seis meses, uma empresa que ficará responsável quer pela remoção dos resíduos depositados irregularmente, quer pelo atendimento telefónico e por correio eletrónico relacionado com o serviço.

ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Tiago Carrão esclareceu também que os tempos de espera mais longos nas freguesias se prendem com a necessidade de agrupar pedidos de recolha na mesma zona do concelho, de forma a otimizar os meios disponíveis. “Não é de todo desejável, mas é o possível”, afirmou, acrescentando que a autarquia está a estudar soluções alternativas para reduzir os tempos de espera.

Relativamente ao fibrocimento, o presidente da Câmara explicou que a recolha está a ser efetuada por uma empresa especializada, que já interveio em grande parte das freguesias, embora ainda existam locais por abranger. O autarca lamentou ainda a existência de depósitos irregulares de materiais contendo amianto em locais não autorizados, o que obriga a operações adicionais de limpeza.

Tiago Carrão recordou que a remoção do fibrocimento implica custos elevados para o município, devido ao preço por tonelada e à necessidade de tratamento especializado, apelando ao bom senso da população.

“A tempestade também não pode dar cobro a tudo. Não podemos estar eternamente à espera de resíduos de fibrocimento decorrentes da tempestade, quando já passaram largos meses”, afirmou.

Foto ilustrativa: GettyImages
ÁUDIO | Tiago Carrão, presidente da autarquia tomarense

O presidente da autarquia enquadrou estas intervenções num conjunto mais vasto de investimentos na limpeza urbana e manutenção do espaço público, incluindo corte de ervas, limpeza de ruas, recolha de resíduos e manutenção de espaços verdes, áreas onde reconheceu existirem melhorias, mas também margem para fazer mais.

Durante a discussão, Tiago Carrão lembrou ainda que os cidadãos podem entregar diretamente diversos resíduos no ecocentro de Santa Cita, evitando o seu abandono na via pública. Segundo explicou, o espaço recebe resíduos verdes, papel, cartão, vidro, plástico, metais, móveis, colchões, eletrodomésticos e pilhas.

A questão levou o vereador socialista Manuel Roque, em substituição, a perguntar se o fibrocimento também poderia ser depositado naquele local, tendo o presidente esclarecido que tal não é possível, nem em Santa Cita nem em qualquer outro ecocentro, devido às exigências legais associadas ao tratamento deste material.

O autarca anunciou ainda que a Tejo Ambiente está a preparar novos autocolantes informativos para os contentores de resíduos indiferenciados, com informação sobre boas práticas e penalizações para situações de incumprimento, numa tentativa de reforçar a sensibilização da população para a correta deposição de resíduos.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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