O Parque Urbano de Tomar vai transformar-se, nos dias 18, 19 e 20 de setembro, num espaço dedicado à saúde, à prevenção, ao bem-estar e à qualidade de vida, com a realização da primeira edição do Festival da Saúde de Tomar. A iniciativa foi apresentada esta terça-feira, 1 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa sessão que reuniu representantes da União das Freguesias de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo e do município de Tomar.
Organizado pela União das Freguesias de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, o festival pretende ir além do conceito tradicional de um evento dedicado à saúde, assumindo-se como um projeto de proximidade e de caráter preventivo, dirigido a todas as gerações.
“Festival da Saúde se calhar é redutor para o que nós queremos que seja este evento”, afirmou Alexandre Horta, presidente da União das Freguesias, sublinhando que a iniciativa pretende abordar “não só a saúde física, mas também saúde mental, bem-estar e qualidade de vida”, com um foco particular na prevenção.
Ao longo dos três dias, o evento terá acesso gratuito e contará com 38 parceiros, número que, segundo Alexandre Horta, poderá entretanto chegar aos 40 ou 41, face a novas entidades que manifestaram interesse em integrar a iniciativa. No total, estão previstas 78 atividades diferentes, distribuídas por 137 sessões, algumas repetidas ao longo dos três dias e outras com duração mais prolongada.
“Todos os convites que fizemos foram positivamente aceites”, destacou o responsável, considerando a adesão dos parceiros uma “surpresa agradável” face às expectativas iniciais.
Entre os parceiros estratégicos estão a ULS do Médio Tejo e o município de Tomar, juntando-se agrupamentos de escolas, forças de segurança, clubes desportivos, profissionais de saúde e de outras áreas, empresas, associações e diversas entidades do concelho e da região.
O Parque Urbano será dividido em seis espaços temáticos, pensados para permitir uma abordagem diversificada à saúde e ao bem-estar: Espaço Família, Espaço Alimentação Saudável, Espaço Saúde Mental e Bem-Estar, Espaço Movimento e Desporto, Espaço Saúde Física e Hospital da Bonecada.

A estes junta-se o Palco Saúde, instalado numa posição central do recinto, onde decorrerão palestras e workshops de caráter mais abrangente.
Já o espaço dedicado à saúde física será ocupado, entre outras entidades, pela ULS do Médio Tejo, onde serão realizados rastreios e outras iniciativas relacionadas com a saúde. A zona junto à entrada acolherá ainda o secretariado e a área destinada à dádiva de sangue.
Na área da alimentação saudável haverá workshops, provas e venda de produtos, sempre dentro da lógica do festival, assegurando opções compatíveis com o conceito de alimentação saudável.
A sexta-feira, 18 de setembro, será especialmente dedicada à comunidade escolar. A organização mobilizou mais de mil alunos dos dois agrupamentos de escolas de Tomar, com atividades destinadas aos diferentes níveis de ensino.
O programa inclui aulas, workshops, demonstrações, atividades de desporto de natureza e gincanas, estando também previstos os primeiros ensaios da flash mob que será apresentada no domingo, no encerramento do festival.
A partir das 18h30 de sexta-feira terá lugar a abertura oficial do festival ao público em geral, prolongando-se as atividades até às 20h30.
No sábado, o recinto funcionará das 10h00 às 20h00, com uma programação dirigida sobretudo às famílias e ao público em geral.
Entre os destaques estará o Hospital da Bonecada, uma iniciativa da Associação de Estudantes da Universidade Nova de Lisboa, destinada aos mais novos. A estrutura itinerante será instalada pela primeira vez em Tomar e deverá envolver cerca de 30 pessoas, que ficarão alojadas na região entre sábado e domingo.

Também no sábado à tarde decorrerá uma sessão de dádiva de sangue, em colaboração com a Associação de Dadores Benévolos de Sangue, aberta tanto a dadores habituais como a quem queira realizar a sua primeira dádiva.
O programa inclui ainda sessões de massagem para bebés, amamentação, preparação e acompanhamento de grávidas, além de rastreios gratuitos ao longo do dia.
O último dia, domingo, 20 de setembro, terá uma programação transversal a todas as gerações e decorrerá entre as 10h00 e as 18h00.
Estão previstas atividades como ioga, sessões de prevenção de adições e outras iniciativas relacionadas com estilos de vida saudáveis. Está também em preparação uma caminhada solidária, que pretende chamar a atenção para a problemática do suicídio e que poderá associar uma componente solidária, com a eventual angariação de fundos para uma associação.
O encerramento do festival ficará marcado por vários momentos considerados pela organização como âncoras da iniciativa.
Alexandre Horta destacou três momentos particularmente importantes: os “Ecos do Parque”, o Hospital da Bonecada e o Parque em Movimento.

Os “Ecos do Parque” deverão assumir-se como um momento musical diferenciador, embora a organização ainda esteja a ultimar os detalhes com os artistas envolvidos. “Ainda está no segredo dos deuses”, revelou o presidente da União das Freguesias, prometendo uma surpresa para o público.
Já o “Parque em Movimento”, associado à flash mob final, está pensado como um dos grandes momentos de encerramento e como um possível “pontapé de saída” para uma segunda edição do Festival da Saúde em 2027.
“Queremos que seja também um momento marcante e que seja o pontapé de saída para a segunda edição do festival”, explicou Alexandre Horta.
Uma das novidades da primeira edição será o Passaporte da Saúde, criado para incentivar a participação ativa dos visitantes nas diferentes atividades.

Depois da abertura oficial, quem entrar no recinto terá acesso a um passaporte onde poderá registar os resultados dos rastreios realizados e recolher carimbos correspondentes às atividades em que participar.
Cada uma das 78 atividades terá um carimbo próprio. Para se habilitarem ao sorteio de prémios, os participantes terão de reunir pelo menos oito carimbos, sendo obrigatório que estes correspondam aos seis espaços temáticos do festival. No final do festival serão sorteados três prémios.
ULS destaca “iniciativa bastante inovadora”
Na apresentação, Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS do Médio Tejo, classificou o festival como uma “iniciativa de facto bastante inovadora”, considerando que poderá ser “a primeira que existe no país” e esperando que seja “a primeira de muitas outras” nos anos seguintes.
O responsável destacou sobretudo a lógica de parceria subjacente ao projeto, defendendo que a saúde não pode ser trabalhada de forma isolada.
“Saúde hoje não se resolve só nos serviços de saúde”, afirmou, sublinhando a importância da articulação entre diferentes agentes da comunidade.

Para Casimiro Ramos, a iniciativa permite aproximar os profissionais da população e apostar numa lógica de prevenção e literacia em saúde, permitindo transmitir “boas práticas que fazem com que cada um cuide bem de si e isso promova uma continuidade no bem-estar ao longo da vida”.
O presidente da ULS destacou ainda a participação voluntária dos profissionais de diferentes áreas, incluindo saúde mental, obstetrícia e cuidados de saúde primários, salientando que estarão representados profissionais hospitalares e dos cuidados primários.
“Do nosso ponto de vista, acho que este evento vai ser um exemplo”, afirmou, deixando a garantia de que a ULS está disponível para continuar a participar em iniciativas deste género.
Município vê o festival como um projeto para além dos três dias
Também Tiago Carrão, presidente da Câmara Municipal de Tomar, destacou a dimensão do projeto, considerando que o festival deve ser encarado “mais do que um evento de três dias”.
“É um projeto”, afirmou, explicando que foi sendo conquistado pela dimensão da iniciativa à medida que acompanhou o trabalho desenvolvido pela Junta de Freguesia.
Para o autarca, o festival responde ao desafio lançado pelo município às juntas de freguesia para que desenvolvam projetos que ultrapassem a tradicional intervenção na manutenção do espaço público.
“Pensar um pouco mais além, pensar outro tipo de projetos, projetos educativos, projetos sociais”, foi o desafio lançado, ao qual, na sua perspetiva, a União das Freguesias de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais respondeu “muito bem”.

Tiago Carrão destacou ainda a aposta na prevenção, considerando que muitas situações de doença podem ser evitadas ou mitigadas através de cuidados relacionados com a alimentação, o exercício físico e o bem-estar.
“É precisamente esta ação preventiva, como proximidade, como ferramenta com proximidade”, afirmou, considerando-a “imprescindível”.
O presidente da Câmara Municipal salientou também a opção de dedicar o primeiro dia aos mais jovens, defendendo que é junto das novas gerações que se deve começar a trabalhar a prevenção e a promoção de comportamentos saudáveis. “É com eles que estamos a preparar o futuro”, afirmou.

O município considera ainda que a iniciativa poderá tornar-se uma referência para outras autarquias e regiões, destacando a cooperação entre a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal, a ULS do Médio Tejo, escolas, associações e restantes parceiros.
Com entrada livre durante os três dias, o Festival da Saúde pretende levar a prevenção para fora dos espaços tradicionais de prestação de cuidados e aproximá-la da comunidade, através de atividades dirigidas a bebés, crianças, jovens, adultos, famílias e seniores.
A organização está ainda a ultimar o programa completo, que será disponibilizado brevemente.
