A Câmara de Tomar recebeu 153 candidaturas para as 44 habitações de arrendamento acessível disponibilizadas na Choromela e em Marmelais, numa procura que ultrapassa o triplo da oferta. O município prepara agora novos projetos habitacionais, incluindo um edifício cuja construção poderá arrancar em 2027.
Os números foram revelados pelo presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), na última reunião do executivo municipal, em resposta às questões colocadas pela vereadora do PS Filipa Fernandes sobre a estratégia de habitação para o concelho e o futuro de projetos que ficaram por concretizar no anterior mandato.
As 44 habitações, distribuídas por 32 fogos na Choromela e 12 em Marmelais, representam um investimento superior a sete milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Destinadas a famílias com rendimentos intermédios, incluem 16 apartamentos T2 e 28 T3, tendo o concurso para atribuição aberto em setembro.
Filipa Fernandes considerou positiva a disponibilização destas casas, mas sublinhou que “estão longe de responder a todas as necessidades” habitacionais do concelho.
A vereadora socialista recordou o trabalho desenvolvido no anterior mandato, nomeadamente a reabilitação do parque habitacional municipal, a criação de mecanismos de apoio ao arrendamento e o planeamento dos empreendimentos agora disponíveis.
Neste contexto, questionou o presidente da Câmara sobre os novos investimentos previstos para aumentar a oferta pública de habitação a custos acessíveis e as medidas destinadas às famílias que continuam a enfrentar dificuldades em encontrar casa com rendas compatíveis com os seus rendimentos.
Novo edifício na Choromela poderá avançar em 2027
Na resposta, Tiago Carrão reconheceu que o número de candidaturas às 44 habitações demonstra a existência de uma procura significativa, defendendo a continuidade do investimento nesta área.
Entre os projetos em preparação, destacou a construção de um novo edifício habitacional num lote ainda vazio na Choromela, situado entre os empreendimentos colocados a concurso e o Regimento de Infantaria n.º 15.
Segundo o presidente, a autarquia pretende avançar com o desenvolvimento do projeto nas próximas semanas, com a expectativa de iniciar a empreitada em 2027.
O novo edifício deverá contemplar apartamentos de tipologia T1, uma necessidade identificada pelo município a partir das candidaturas recebidas para as habitações disponíveis, constituídas exclusivamente por tipologias T2 e T3.
O autarca adiantou ainda que o executivo está a estudar outras possibilidades de investimento em habitação, incluindo parcerias com entidades externas e eventuais soluções público-privadas.
Tiago Carrão manifestou a intenção de aumentar significativamente a oferta pública de arrendamento acessível no concelho, embora sem identificar, para já, outras localizações, por considerar que as possibilidades em análise ainda não estão suficientemente desenvolvidas.
Projetos da Rua Joaquim Jacinto e de Valbom continuam por concretizar
Durante a reunião, Filipa Fernandes pediu também esclarecimentos sobre dois projetos habitacionais herdados do anterior mandato e que continuam sem concretização.
Um deles diz respeito à transformação do antigo edifício de Mercados e Feiras, na Rua Joaquim Jacinto, em habitação destinada ao arrendamento acessível.
Tiago Carrão explicou que a intervenção permanece em fase de revisão do projeto, não tendo indicado uma previsão para o lançamento da empreitada.
Relativamente às duas habitações previstas para Valbom, o presidente esclareceu que os procedimentos concursais foram lançados por duas vezes, tendo ambos ficado desertos.
O município está agora a avaliar alternativas de financiamento e a estudar formas de reduzir os custos da intervenção, atendendo à complexidade dos trabalhos necessários.
Apoio ao arrendamento também em avaliação
O presidente da Câmara referiu igualmente o programa municipal de apoio ao arrendamento, inicialmente lançado por um período de seis meses, admitindo a necessidade de introduzir melhorias nos procedimentos de candidatura numa futura edição.
A medida integra as respostas municipais destinadas a apoiar agregados familiares com dificuldades em suportar os custos da habitação no mercado de arrendamento.
Entre a atribuição das 44 casas, a preparação de um novo empreendimento na Choromela e a revisão dos projetos ainda pendentes, a habitação mantém-se como uma das áreas de investimento em análise pelo executivo municipal, num contexto em que o número de candidaturas continua a evidenciar uma procura superior à oferta pública disponível.
