Os vereadores do Partido Socialista votaram contra a aquisição, por 900 mil euros, de um imóvel situado no centro histórico de Tomar, no Largo do Pelourinho, propriedade da Air Liquide Portugal, Limitada, que o executivo municipal pretende reabilitar para um futuro espaço museológico. A proposta foi aprovada por maioria, com os votos contra dos vereadores socialistas.
O presidente da Câmara, Tiago Carrão (PSD), apresentou a aquisição como uma oportunidade para reforçar a estratégia cultural e museológica do município. O imóvel, explicou, tinha inicialmente como objetivo acolher uma empresa, mas essa empresa está atualmente instalada e sediada no Instituto Politécnico de Tomar, tendo deixado de ter interesse no edifício.
Segundo o presidente, o imóvel apresenta potencial pela localização, funcionalidade e valor histórico. A proposta aponta para a criação de um novo espaço museológico.
O município pretende adquirir o imóvel por 900 mil euros. Uma avaliação realizada para o processo apontou para um valor de mercado de 910 mil euros.
O executivo pediu também análises aos serviços municipais. O proprietário tinha um projeto de licenciamento com despacho favorável, que chegou a ter aprovação da Direção-Geral do Património Cultural e incluiu trabalho arqueológico.
O custo de reabilitação foi estimado pelos serviços em cerca de 1,6 milhões de euros. Tiago Carrão destacou ainda a relevância histórica do edifício, nomeadamente por ter sido casa familiar, laboratório do fotógrafo e tipografia de Silva Magalhães.
“Para nós é um investimento que faz sentido”, afirmou o presidente, defendendo que não se trata apenas de comprar o imóvel, mas de o reabilitar, dinamizar e entregar à comunidade, com um propósito que, à partida, será museológico.
Hugo Cristóvão manifestou uma posição contrária à aquisição. O vereador socialista considerou que um investimento desta dimensão deveria ter sido previamente discutido entre as diferentes forças políticas.
“Um tema destes deveria ter sido conversado previamente”, afirmou, criticando a ausência de envolvimento dos vereadores da oposição antes de a proposta chegar à reunião.

O vereador questionou também a forma como o processo chegou ao executivo e considerou que a documentação apresentava questões que revelavam falta de transparência. “Isto é tudo um bocadinho opaco”, afirmou.
Hugo Cristóvão defendeu que existem outros imóveis que deveriam merecer prioridade, apontando como exemplo o Palácio Alvim, propriedade municipal e o Palácio de Alvaiázere, cuja utilização poderia ser ponderada no âmbito de uma estratégia para o centro histórico.
O vereador considerou ainda que a Casa dos Tetos, ligada à Escola Profissional de Tomar, teria maior aptidão para uma utilização museológica e poderia evitar a aquisição de outro edifício.
Hugo Cristóvão contestou também a estimativa de 1,6 milhões de euros para a reabilitação, defendendo que o valor real poderá ser bastante superior, sobretudo se forem necessários novos projetos e uma intervenção com fins museológicos. “Para sermos claros, uma obra naquele edifício não custa 1.600.000, custa 2 milhões e tal, 3 milhões”, afirmou.
“Não é oportuno, não é prioritário, não faz sentido, temos melhores opções”, vincou o vereador socialista.
Tiago Carrão respondeu defendendo que os imóveis referidos pelo PS não são incompatíveis entre si e que cada um poderá ter uma função distinta. Sobre o Palácio de Alvaiázere, explicou que tem cerca de 300 metros quadrados, uma configuração complexa e não reúne condições para funcionar como Loja do Cidadão.
O presidente afirmou ainda que o município está a estudar outros usos para o Palácio de Alvaiázere e que pretende recuperar o património. “Consideramos realmente oportuno e enquadrado naquilo que é a estratégia que prevemos”, afirmou.
A aquisição do imóvel foi aprovada por maioria, com os votos contra dos vereadores do Partido Socialista.
