A Prado Karton – Companhia de Cartão, em Tomar, saiu de ‘lay off’ (alteração temporária dos contratos de trabalho) no início deste mês, estando atualmente em curso um Processo Especial de Revitalização (PER), instrumento alternativo à insolvência.

Segundo informação disponível no Portal da Justiça CITIUS, o administrador judicial provisório foi nomeado no passado dia 03, tendo-se iniciado nessa data o prazo para reclamação de créditos, que antecede o período de negociações entre as partes.

O PER dá a possibilidade às empresas em situação económica difícil e em insolvência iminente de estabelecer negociações com os seus credores, tendentes à revitalização da sua atividade. Da lista de credores da Prado Karton – Companhia de Cartão SA, publicada no CITIUS, constam oito empresas.

A capacidade produtiva da empresa e os postos de trabalho estão protegidos, uma vez que se mantém a atividade e são suspensas as cobranças coercivas de créditos durante o processo negocial e de viabilização do plano de recuperação pelos credores.

José Fonseca, delegado sindical na também conhecida como Fábrica de Papel do Prado, disse hoje à Lusa que a empresa “tem estado a trabalhar”, que há encomendas, sentindo-se “alguns problemas ao nível da matéria-prima”.

Os trabalhadores chegaram a ter agendada uma greve para o início deste mês, mas a paralisação foi desconvocada, após o pagamento dos salários que estavam em atraso e porque 25 dos 26 trabalhadores aos quais havia sido proposta rescisão do contrato chegaram a acordo.

A empresa foi adquirida em abril de 2016 à massa falida da Finpro pela sociedade gestora Atena Equity Partners, depois de um processo de negociações que decorreu durante o ano de 2015.

A fábrica existe desde 1772, por alvará do Marquês de Pombal, integrou o Grupo Champalimaud, tendo sido nacionalizada depois da revolução de abril de 1974 e integrada na Portucel, tendo sido adquirida em 1999 pela Finpro, sociedade que era controlado pelo Estado (27,2%), Banif (32%) e Américo Amorim (25,4%), entretanto falida.

A Atena apresenta-se, na sua página eletrónica, como “a primeira sociedade gestora de Private Equity portuguesa dedicada exclusivamente a situações que requeiram capacidade de execução, tipicamente consolidações sectoriais, melhorias operacionais e expansão após PER/Insolvência”.

Controlada pelos seus três sócios fundadores (João Rodrigo Santos, Miguel Lancastre e Victor Guégués), “os beneficiários últimos dos fundos que gere são, para além da própria equipa de gestão com uma participação de 10%, um consórcio de instituições europeias (não-nacionais) e norte-americanas que inclui fundações, universidades, seguradoras e fundos de pensões”, acrescenta.

A Prado Karton teve a atividade suspensa entre outubro de 2015 e abril de 2016, altura em que foi retomada gradualmente já sob regime do ‘lay off’ (sistema em que há uma redução temporária do período normal de trabalho e em que a Segurança Social assegura parte do salário dos trabalhadores) que vigorou até ao final de janeiro último.

Agência de Notícias de Portugal

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