Tomar negoceia projeto ‘Bata Branca’ para tentar captar médicos. Foto: DR

A Câmara de Tomar está a negociar a implementação do projeto “Bata Branca” para tentar atrair médicos para as extensões de saúde do concelho com falta de clínicos, entre as quais Olalhas, embora não exista ainda uma previsão para a colocação de um médico naquela freguesia.

“Estamos a ver se é possível implementar a ‘Bata Branca’ aqui no concelho de Tomar para captar médicos, uma vez que temos essa dificuldade em algumas freguesias”, afirmou a vice-presidente da Câmara, Célia Bonet (PSD), na reunião pública do executivo realizada na segunda-feira em Olalhas.

A questão foi levantada por habitantes da freguesia, que alertaram para as dificuldades sentidas pela população, sobretudo mais idosa, devido à ausência de um médico presencial e à utilização da teleconsulta como resposta alternativa.

Célia Bonet reconheceu que a teleconsulta “não é a mesma coisa” e afirmou que o município tem mantido contactos frequentes com a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo para procurar soluções.

“Olalhas não está esquecida nesse sentido. Logo que tenhamos um médico que aceite vir para Olalhas, a ULS está a trabalhar nesse sentido”, disse, ressalvando não poder garantir que a solução surja “daqui a um mês nem dois”.

A autarca voltou mais tarde ao tema, durante a discussão política entre o executivo e os vereadores do PS, afirmando que a atual governação municipal está “a negociar a ‘Bata Branca’” para “captar médicos” para o concelho.

O projeto “Bata Branca” tem sido utilizado no Médio Tejo como uma resposta complementar à falta de especialistas em Medicina Geral e Familiar, permitindo contratar médicos para períodos de atendimento em extensões de saúde através de protocolos envolvendo entidades de saúde, autarquias e instituições sociais.

Durante a reunião em Olalhas, a opção suscitou também discussão entre a maioria e o PS. Célia Bonet afirmou que propostas para criar incentivos destinados a captar médicos tinham sido rejeitadas pela anterior governação socialista e defendeu que devem ser analisadas todas as possibilidades para atrair clínicos.

Hugo Cristóvão (PS) respondeu que os socialistas mantêm reservas relativamente a incentivos remuneratórios que possam colocar municípios a competir entre si por profissionais, questionando ainda a capacidade de soluções como o “Bata Branca”, de horário limitado, para resolver estruturalmente a falta de médicos de família no concelho.

A ULS Médio Tejo tem recorrido nos últimos anos a respostas complementares, incluindo prestação de serviços, “Bata Branca” e telemedicina, esta última testada inicialmente no polo de São Pedro, em Tomar, sobretudo para utentes sem médico de família atribuído e pessoas com doença crónica.

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