A Feira de Santa Iria regressa a Tomar na sexta-feira, 16 de outubro, para dez dias de celebração dos seus 400 anos de história. A edição comemorativa junta as tradições que atravessaram gerações ao novo Iria Music Fest, com concertos gratuitos e pagos, gastronomia, comércio, divertimentos e atividades culturais até 25 de outubro.
Quatro séculos depois da carta régia que instituiu o certame, em 3 de outubro de 1626, a Feira de Santa Iria mantém-se como um dos principais acontecimentos do calendário tomarense.
Este ano, o município assinala a efeméride com o lema “400 anos de tradição. Uma Feira que se reinventa”, apostando numa programação distribuída por diferentes espaços da cidade, entre a zona do Mercado Municipal e a Várzea Grande.
A Feira das Passas, as tasquinhas, os vendedores e comerciantes, os espaços de artesanato, os divertimentos e a tradicional procissão de Santa Iria continuam a integrar o programa, a que se juntam a Feira de Velharias e Antiguidades, a Feira de Artesanato e Literatura, animação cultural e a prova desportiva Thomar Urban Race. A entrada no recinto geral da feira mantém-se gratuita, sendo a principal novidade a criação de uma programação musical própria, com espetáculos sujeitos a bilhete na tenda instalada na Várzea Grande.
Dez dias de música com Padre Guilherme, GNR, Quinta do Bill e Bárbara Tinoco
O Iria Music Fest arranca na sexta-feira, 16 de outubro, às 22h30, com a atuação do Padre Guilherme, conhecido por conjugar música eletrónica com referências à espiritualidade. No sábado, à mesma hora, o palco recebe Chico da Tina e P*ta da Loucura, numa noite dedicada a sonoridades urbanas e de dança.

O domingo, 18 de outubro, terá entrada livre, com animação a partir das 14h00, incluindo Pão de Ló e insufláveis, seguindo-se uma noite de folclore, às 20h30. Na segunda-feira, 19 de outubro, o programa contempla uma Noite de Fados e a atuação do DJ JBK, a partir das 22h00, também com entrada gratuita.
No dia 20 de outubro, dedicado à padroeira de Tomar, o destaque musical vai para os Quinta do Bill, banda tomarense com uma ligação de décadas à cidade e à região, que sobe ao palco às 22h00, numa noite de entrada livre, completada pelo DJ Superfly.
A programação prossegue no dia 21 com Ivandro e Smells Like 90’s, seguindo-se, a 22, Banda Réplika e ÁTOA. Na sexta-feira, 23 de outubro, os GNR e Karetus protagonizam outra das noites de maior destaque do cartaz, enquanto o sábado, 24, reserva atuações de FH5, Bárbara Tinoco e I Love The 90’s.
A celebração termina no domingo, 25 de outubro, com a comemoração do aniversário da Rádio Cidade de Tomar, a partir das 15h00, também com entrada gratuita.
Concertos pagos e gratuitos
A programação musical tem entrada gratuita nos dias 18, 19, 20 e 25 de outubro. Nos restantes dias, os espetáculos estão sujeitos a bilhete, com preços entre sete e dez euros.
O concerto do Padre Guilherme, no dia 16, custa dez euros, enquanto as noites de 17, 21, 22, 23 e 24 de outubro têm bilhetes a sete euros. Existe ainda um passe geral para os seis dias pagos, ao preço de 25 euros.
As crianças com menos de 12 anos têm entrada gratuita, mesmo nos dias de concertos pagos. Os bilhetes estão disponíveis no Posto de Turismo e através da plataforma oficial de bilheteira do Iria Music Fest.
Nos dias pagos, o acesso à zona dos concertos será condicionado a partir das 19h00, com entrada do público portador de bilhete a partir das 20h00. A restante feira mantém o acesso livre, incluindo os espaços comerciais, gastronómicos e de animação.
Dia de Santa Iria mantém a tradição das pétalas lançadas ao Nabão
O dia 20 de outubro continua a ser um dos momentos centrais da Feira de Santa Iria, evocando a história da padroeira de Tomar e a ligação da cidade ao rio Nabão.

As celebrações religiosas têm início às 09h00, com uma missa de ação de graças na Igreja de Santa Maria dos Olivais, seguindo-se, às 10h00, a tradicional procissão de Santa Iria, que percorre as ruas da cidade.
Na Ponte Velha, crianças das escolas do concelho voltam a participar num dos rituais mais conhecidos da celebração, lançando pétalas de flores ao rio Nabão, numa evocação do martírio de Santa Iria. O gesto, repetido ao longo de gerações, constitui um dos símbolos da devoção da comunidade tomarense à sua padroeira.
Uma feira nascida em 1626 que atravessou quatro séculos
A história da Feira de Santa Iria remonta a 3 de outubro de 1626, data da carta régia de Filipe III de Portugal que instituiu o certame, em substituição de uma feira anteriormente dedicada a Santo André. A decisão surgiu durante o período da monarquia filipina, deixando uma marca duradoura na vida económica e social de Tomar.
Na sua origem, a feira tinha uma função essencialmente comercial, reunindo mercadores, artesãos e vendedores de uma grande diversidade de produtos. Ourives, sapateiros, oleiros, taberneiros, peixeiros e comerciantes de tecidos partilhavam espaço com vendedores de cereais, legumes, pão, castanhas, ferramentas e alfaias agrícolas.

Durante séculos, a feira constituiu uma oportunidade importante para o abastecimento das populações de Tomar e dos concelhos vizinhos, numa época em que os grandes mercados e feiras anuais assumiam um papel fundamental na circulação de bens.
A proximidade do inverno reforçava essa importância, permitindo às famílias adquirir vestuário, calçado, alimentos e instrumentos necessários às atividades agrícolas, incluindo os trabalhos associados à apanha da azeitona.
Com a transformação dos hábitos de consumo e o desenvolvimento do comércio permanente, a feira foi perdendo parte dessa função económica original, mas manteve-se como espaço de encontro, convívio e preservação das tradições locais.
Ao longo das últimas décadas, foram ganhando peso a gastronomia, os divertimentos, as tasquinhas, as atividades culturais e os concertos, que passaram a atrair diferentes gerações de visitantes.
Uma das heranças mais características é a Feira das Passas, ligada à comercialização de uvas secas e outros frutos de outono. Nascida da necessidade de escoar a produção agrícola na época própria, esta tradição continua presente no certame, apesar da redução do número de produtores ao longo dos anos.
A edição de 2026 procura precisamente reunir estas duas dimensões: a memória de uma feira que nasceu como espaço de comércio há quatro séculos e a animação contemporânea que passou a caracterizar um dos principais acontecimentos populares de Tomar.
Entre 16 e 25 de outubro, a cidade volta assim a receber comerciantes, associações, visitantes e famílias numa celebração que reúne o património religioso, as tradições populares e a programação musical, assinalando os 400 anos de uma feira que soube adaptar-se às transformações da sociedade sem desaparecer do calendário local. Consulte AQUI o programa completo.

