Foto: mediotejo.net

O executivo camarário de Tomar decidiu assinalar simbolicamente a reabertura dos espaços de restauração com um almoço no restaurante tradicional “Tabuleiro”, na Rua Serpa Pinto, a 18 de março, mediante o calendário de desconfinamento proposto pelo Governo. “Foi um momento simbólico que quisemos trazer, em conjunto, os sete vereadores eleitos do executivo camarário, para dar confiança não só a quem abriu portas, mas também convidando todos para que possam vir comer, com regras, numa nova normalidade, e continuar a conviver”, referiu Anabela Freitas, presidente da autarquia tomarense.

Anabela Freitas (PS) mencionou que este gesto se tratou de “um sinal de confiança” mostrando que o executivo camarário está “ao lado dos empresários que estão a arriscar abrir as suas portas”.

Na ocasião a autarquia anunciou uma nova medida: a Câmara não irá cobrar as taxas afetas às esplanadas até final do ano e estas poderão ser ampliadas, privilegiando a regra do bom senso para que a esplanada seja aumentada sem criar constrangimentos ou uso abusivo do espaço público e cumprindo com os direitos de terceiros. “Esta medida surge para que os empresários possam cumprir com as normas de distanciamento social, podem e devem ampliar as esplanadas”, afirmou.

O restaurante em causa, situado na Rua Serpa Pinto, vulgo Corredoura, junto à Praça da República, pertence a Fernando Simões. O espaço pertence à família há 36 anos, que é proprietária desde fevereiro de 1984. O  fecho de 14 de março a até 18 de maio, “foi o período mais complicado de todos”.

“Mesmo quando, há 20 anos, fizemos remodelação de uma casa antiga, sem grandes condições na altura, e estivemos cerca de 8 meses fechados porque as obras foram complicadas. Nem nessa altura eu tive esta ansiedade e este medo, e agora esta é uma variável que não controlamos, um inimigo desconhecido que veio pôr tudo em causa”, assumiu Fernando.

O gerente referiu que “este ano tinha tudo para ser o melhor ano de sempre no ‘Tabuleiro’, eram essas as expetativas, tendo em conta a melhoria de condições e de oferta, os restaurantes melhor apetrechados, maior número de camas no concelho e turistas o ano inteiro na cidade, que é uma dádiva para a restauração”.

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Para Fernando Simões este será um “ano de sobrevivência”, que envolverá todos os agentes da sociedade, para “superar um ano difícil” e conseguir adaptar-se a uma nova normalidade.

O restaurante manteve até agora os seus 10 funcionários no ativo, sem ainda se ter ponderado o lay-off, ainda que se admita que tal dependerá dos próximos dias de reabertura e do arranque desta nova fase.

“Temos uma estrutura grande, mantemos intacta, tivemos de nos reorganizar e obedecer às regras. Mantivemos os turnos, uma equipa ao almoço, outra ao jantar”, explicou.

A lotação do espaço passou de 94 para 47, sendo que o local tem duas salas de refeição. “A utilização e reorganização do espaço, bem como o reajuste dos lugares na mesma, vai depender da relação e grau de parentesco entre os clientes. Se as pessoas que reunirem aqui para fazer refeição não tiverem relação de parentesco, não viverem juntas, teremos de deixar mais espaço entre elas”, explicou, apontando ainda para o óbvio distanciamento de dois metros entre cada mesa, bem como o uso de toalhas de papel, o não ter objetos ou decorações na mesa, e o recorrer ao desinfetante.

Outra novidade prende-se com a necessidade de as ementas tradicionais, em papel ou cardápio personalizado em capa de pele ou similar, se transformar num QR Code ou se consultar no site do restaurante, evitando o toque e a partilha de ementas.

“Tivemos de optar pela alternativa tecnológica, através dos telemóveis ou tablets, consegue-se a aceder a todas as ementas e colmatamos assim a ausência de ementas físicas”, contextualizou Fernando.

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Na entrada consta toda a informação ao consumidor, bem como as indicações e medidas para acesso ao restaurante, como o uso obrigatório de máscara, a necessidade de distanciamento social, etiqueta respiratória, o pagamento por Multibanco, e o novo horário em que fecha às 23:00.

A esperança reside no turismo nacional, uma vez que a onda de turistas estrangeiros e grupos que antes marcavam vindas à cidade e as suas refeições, estão confinados nos seus países e os aeroportos continuam fechados.

O primeiro dia foi marcado por frequência pelos clientes da casa, que quiseram vir dar algum apoio ao empresário. “Mesmo durante a quarentena recebemos mensagens de apoio, e a dizerem que quando o restaurante abrisse, poderíamos contar com eles”, deu conta o gerente, referindo que o seu espaço esteve fechado desde 14 de março.

A autarca refere que, depois de lançado o slogan em tempo de confinamento obrigatório, mais restrito, intitulado “Haverá Tempo”, agora é altura de abraçar um novo: “Chegou o Tempo”.

“Chegou o tempo de começarmos a apoiar a nossa economia local, quer seja o comércio, a restauração e toda a fileira do turismo. Tomar é um concelho que vive muito à base de turismo e toda a sua fileira foi altamente prejudicada por esta pandemia que vivemos”.

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A edil crê que “está nas mãos de cada um e do mercado interno, ajudar os empresários e as empresas do concelho, estando ao lado deles e assumindo que se tem confiança nas medidas que tomaram, que se tem confiança em continuar a vir almoçar e em continuar a puxar pela cidade de Tomar”.

Anabela Freitas lembrou ainda o conjunto de medidas extraordinárias tomadas para combater as consequências da pandemia de covid-19 aplicadas às empresas, que terão o seu término no final de junho.

“Dissemos desde início que se for necessário prolongá-las além do 30 de junho, o faríamos. Estamos em diálogo com a ACITOFEBA (Associação Comercial e Industrial dos Municípios de Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha), mas também os empresários que não integram esta associação. Temos mantido um canal aberto de ações de formação online, mas também para questões e dúvidas. Tudo o que são apoios financeiros por parte do Estado, temos estado a fazer chegar informação aos empresários”, enunciou.

Anabela Freitas, presidente da CM Tomar, acredita que os tomarenses têm reagido bem às medidas impostas e que se estão a adaptar a este “novo normal”. Foto: mediotejo.net

Quanto às medidas municipais, estão até ao momento a ser apoiadas 110 empresas no que toca às isenções do pagamento de tarifas da água, RSU e saneamento, sendo que o município acredita que o número de pedidos aumente, uma vez que nem todos os restaurantes irão abrir e alguns poderão não conseguir suportar os custos que envolvem as novas medidas para a reabertura, caso das higienizações, desinfeções, entre outras imposições legais.

Apesar das várias as regras impostas pelo governo para frequentar estes espaços, como é exemplo o distanciamento entre lugares, Anabela Freitas, presidente da Câmara de Tomar, está confiante que as medidas de segurança não serão obstáculo, referindo que “os tomarenses têm-se adaptado bem às novas circunstâncias”.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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