Foto: mediotejo.net

Foram abertas as portas do Núcleo Museológico da Central Elétrica de Tomar este sábado, dia 29 de fevereiro, antecedendo a abertura oficial ao público no Dia da Cidade, 1 de março. A cerimónia de abertura contou com uma viagem teatral no tempo, recuando à génese deste património inserido no centro histórico da cidade e lembrando o dia em que Tomar foi dotada de iluminação pública elétrica pela primeira vez, tendo sido a terceira cidade do país a recebê-la, depois de Vila de Real e Elvas. O Complexo Cultural da Levada dá assim o primeiro passo no sentido de recuperar e salvaguardar o património industrial ali presente, que é muito caro aos tomarenses e que a autarquia pretende devolver à comunidade, enquanto espaços multifunções de memória e fruição pública.

A marcar o momento da abertura da primeira unidade industrial tomarense a abrir portas ao público no Complexo Cultural da Levada, esteve presente Luís Cruz, em representação da Fundação EDP, parceira deste projeto.

O responsável recordou os primeiros contactos quanto à parceria relativamente ao Complexo da Levada, iniciados em 2012, que foram retomados no período pós-troika, já com o atual executivo municipal, liderado por Anabela Freitas. Luís Cruz disse que este se trata de um património industrial “omnipresente na cidade” devido à sua localização no centro histórico, não se tratando de mais um edifício industrial desativado.

Lembrou a primeira fase da preservação e, após esta fase, a de digitalização/musealização 3D incluindo a reconstituição histórica em filme, que consta na exposição de longa duração do espaço, referindo que esta é uma forma mais simples de as pessoas mergulharem na história e perceberem a importância do património.

Já Anabela Freitas, presidente da Câmara Municipal de Tomar, relevou este momento como sendo “simbólico” da missão da autarquia em devolver o património industrial daquela zona à comunidade. “Aquilo que nós entendemos é que os espaços têm de ser vividos. Fazer a obra só por si não interessa. Interessa depois o que vamos fazer daqueles espaços”, disse a autarca, relembrando que o Instituto Politécnico de Tomar foi parceiro no desenvolvimento da estratégia para dar vida à Levada, tornando aquela zona um Complexo Cultural.

Foto: mediotejo.net

A edil defende a criação destes espaços “multifunções”, que fazem recordar a história e ao mesmo tempo projetam para o futuro, permitindo posicionar quanto ao turismo industrial. Este será o primeiro espaço a ser devolvido à comunidade, ao qual se seguirá o Centro Interpretativo Tomar e os Templários.

A autarca lançou o desafio para que a Fundação EDP possa ser parceira em mais um projeto deste complexo, no caso referindo-se à Moagem A Portuguesa, e notando aguardar mecenas que possam levar este anseio por diante, reconhecendo que a indústria é parte do património e identidade dos tomarenses e por isso precisa que seja cumprida a sua valorização e preservação.

Áudio | Entrevista a Anabela Freitas quanto ao desenvolvimento do projeto do Complexo Cultural da Levada e sobre o que se segue após a abertura da Central Elétrica, o primeiro espaço devolvido à comunidade

Um momento teatral pelo grupo de teatro Fatias de Cá fez-nos recuar no tempo até ao momento da eletrificação da cidade de Tomar, corria o ano 1901, trazendo até à sala Jean Bourdain e o presidente da Câmara Torres Pinheiro. Seguiu-se um beberete e o descerrar da placa já no interior do edifício da Central Elétrica.

Ali, é possível ouvir o som do funcionamento daquele património, estando expostos os mais diversos equipamentos devidamente preservados e identificados que fizeram parte da sua história, havendo ainda suportes de informação, fotografias, um filme que reconstitui os primórdios da central e ainda um painel interativo.

Patrícia Romão, responsável pelo Gabinete de Museologia e Património Cultural da Divisão de Turismo e Cultura do Município de Tomar e coordenadora do museu da Central Elétrica, explicou ao mediotejo.net que naquele novo núcleo é possível conhecer mais sobre a história da eletrificação em Tomar, começando na Fábrica de Fiação.

Um dos três importantes dínamos da Fábrica de Fiação de Tomar, dos mais antigos do país. Foto: mediotejo.net

“Para além dos painéis explicativos onde está a interpretação do espaço, pode ver-se um filme produzido pelo arquiteto colaborador da Fundação EDP, que recriou a central entre os anos 44 e 46, o auge da produção elétrica da antiga central tomarense. Temos ainda uma mesa interativa onde se pode consultar mais informação”, enumerou.

A coordenadora lembrou ainda o facto de estarem ali elementos de património in situ, aos quais se juntam os três dínamos da Fábrica da Fiação, os “mais antigos” e os primeiros a chegar a Portugal ligados à produção de energia elétrica.

Áudio | Entrevista a Patrícia Romão, coordenadora, sobre a musealização da antiga central elétrica da Levada

A iniciativa integra-se no programa “Dias de Thomar” – evento comemorativo das duas efemérides da elevação a cidade em 1844 e da fundação do castelo em 1160. O Núcleo Museológico da Central Elétrica de Tomar estará aberto ao público no domingo, dia 1 de março, a partir das 10 horas.

Horário: Aberto de terça-feira a domingo, durante o período de inverno (de outubro a março) das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00. Durante o verão (de abril a setembro) o horário para visita será das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Fotogaleria

Ler mais

Tomar | Antiga Central Elétrica da Levada ganha nova vida e abre ao público

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

Deixe um comentário

Leave a Reply