A Feira de Santa Iria, uma das mais antigas e emblemáticas tradições de Tomar, assinala em 2026 quatro séculos de existência, com o município a preparar uma edição especial do certame, que decorrerá entre 16 e 25 de outubro.
“São quatro séculos de história, memórias e tradição”, afirma o município de Tomar, que pretende assinalar a efeméride com uma edição em que “a tradição se cruza com a música, a animação e novas experiências”. A programação completa será divulgada posteriormente pela autarquia.
A Feira de Santa Iria foi instituída por carta régia de Filipe III de Portugal, datada de 3 de outubro de 1626, substituindo uma feira anterior dedicada a Santo André. A criação do certame aconteceu durante o período da monarquia filipina e faz parte das marcas que esse período deixou na história de Tomar.
Quatro séculos depois, a feira mantém-se no calendário anual da cidade, habitualmente durante dez dias e incluindo 20 de outubro, dia dedicado a Santa Iria, padroeira de Tomar.

Uma das tradições associadas à data é a procissão da imagem da santa, acompanhada por muitas crianças das escolas do concelho, que lançam pétalas ao rio Nabão, evocando o martírio de Santa Iria.
De feira comercial a espaço de encontro
A importância da Feira de Santa Iria foi durante séculos essencialmente comercial. O documento que esteve na origem da sua criação identifica uma grande diversidade de atividades e produtos, incluindo tendeiros, ourives, sapateiros, oleiros, taberneiros, peixeiros, vendedores de legumes, pão, alhos, cebolas, castanhas, ferramentas e alfaias agrícolas, além de cobertores e tecidos.
Durante grande parte do século XX, o certame manteve também uma importante função de abastecimento para Tomar e localidades vizinhas, sendo uma oportunidade para preparar o inverno e adquirir roupa, calçado, alimentos e alfaias, bem como produtos associados a atividades sazonais como a apanha da azeitona.
Com a modernização dos canais comerciais, essa função perdeu peso, mas a feira não desapareceu. Pelo contrário, foi adaptando a sua oferta e transformou-se progressivamente num espaço de convívio, animação e preservação de tradições, mantendo vendedores, gastronomia, artesanato, divertimentos e música.

Uma das marcas particulares do certame é a Feira das Passas, associada à produção regional de frutos secos. O espaço nasceu da necessidade de escoamento desses produtos na altura própria da sua sazonalidade e continua a integrar a identidade da Feira de Santa Iria, apesar da redução do número de produtores.
Quatro séculos de adaptação
A própria organização do certame foi mudando ao longo do tempo. Nos últimos anos, o município tem procurado adaptar a feira aos novos hábitos e públicos, mantendo a sua identidade mas diversificando a programação e distribuindo as diferentes valências por vários espaços da cidade.
Em 2023, por exemplo, o município destacava precisamente essa capacidade de adaptação, com a feira a ocupar diferentes zonas entre o recinto do Mercado Municipal e a Várzea Grande, acolhendo divertimentos, tasquinhas, gastronomia, artesanato, comércio, produtores locais e Feira das Passas, além da programação cultural.

A edição de 2025 decorreu de 17 a 26 de outubro, com concertos, folclore, gastronomia e atividades para diferentes públicos, incluindo atuações de Quinta do Bill, Bispo, Némanus, Nuno Ricky, José Malhoa e Xutos & Pontapés.
A edição de 2026 terá, contudo, um significado particular por marcar os 400 anos da carta régia que instituiu a Feira de Santa Iria.
O município ainda não divulgou o programa completo, mas antecipa uma edição especial, mantendo a tradição como elemento central e acrescentando música, animação e “novas experiências” à celebração dos quatro séculos de história.

A Feira de Santa Iria decorrerá em Tomar de 16 a 25 de outubro. As candidaturas para atribuição de espaços de venda da edição deste ano já foram abertas pelo município, que aprovou o respetivo procedimento em maio.
