Tomar registou dois novos casos de infeção nas últimas 24 horas. Foto: Arlindo Homem

Nesse sentido a mesma disse entender que a Assembleia Municipal, como “órgão mais representativo do povo”, deve dar as suas sugestões e opiniões para os projetos a colocar no acordo de parceria e nas negociações que vão ser iniciadas, ressalvando que se trata única e exclusivamente de financiamento relacionado com o Portugal 2030 (excluindo o Plano de Recuperação e Resiliência, por exemplo), que é o único que exige negociação.

A autarca apresentou depois os projetos que o atual executivo tenciona levar a negociação nas diferentes áreas às quais se pode candidatar.

No que toca ao campo das infraestruturas de educação, o município propõe a reabilitação da escola secundária Santa Maria do Olival, sendo que nas infraestruturas de cuidados de saúde primários a autarquia pretende apostar na requalificação da extensão de saúde da Serra.

Anabela Freitas, presidente da Câmara de Tomar. Foto arquivo: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Em matéria de eficiência energética na administração pública e nas IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) e habitação social, o município vai avançar com o edifício dos paços do concelho e a biblioteca municipal (as IPSS poderão candidatar-se numa segunda fase).

Em relação à área do ciclo urbano da água, a aposta recai na remodelação das redes de abastecimento de água, aproveitamento das águas pluviais para rega, substituição em todos os edifícios municipais de torneiras para torneiras com temporizador, beneficiação do sistema de saneamento das Curvaceiras, da Junceira, da Beselga, da Quinta do Falcão, Casais e Cardais, Além da Ribeira, Paialvo, Marianaia e ainda na construção de uma nova ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) na Serra.

Na gestão de resíduos e investimento em baixa, vai ser feita uma aposta nos biorresíduos, bem como na continuação da colocação de ilhas ecológicas de modo a ir acabando paulatinamente com os contentores de superfície.

A construção de um novo campo sintético para utilização da comunidade e a reabilitação do pavilhão da escola Gualdim Pais, são os investimentos apontados no que toca a equipamentos desportivos. Já na área da habitação social e a custos controlados, o executivo vai sinalizar a reabilitação do Bairro do Beato.

No que concerne a meios materiais para a proteção civil a aposta é feita num veículo urbano de combate a incêndios, ambulâncias e equipamento de proteção individual enquanto que a reabilitação dos cinco tanques, para aproveitamento das águas para rega, na Mata Nacional dos Sete Montes e o aproveitamento da Quinta de Marmelais para zona de lazer são as escolhas para a temática de corredores verdes em contexto urbano.

Relativamente a regeneração urbana, propõem-se a reabilitação da praceta Raul Lopes, do Centro Histórico, da Nacional 110 Carvalhos de Figueiredo, conclusão da variante Maria de Lurdes Melo e Castro, a requalificação de Casal dos Frades e a reabilitação do Largo de Cem Soldos, do Largo da Linhaceira, e do Largo da Serra.

A infraestruturação de parques empresariais e ampliação do parque existente no concelho, foram medidas defendidas por praticamente todos os intervenientes na sessão. Foto: DR

A infraestruturação de Vale dos Ovos, requalificação do Pintado e ampliação do atual parque empresarial são as opções na variante de áreas de acolhimento empresarial, sendo que a requalificação do Cine-teatro Paraíso, do Fórum Romano, a reabilitação da Igreja de São Francisco e a conservação e musealização da Moagem são a aposta no que toca à área de património cultural e museus.

Já em termos de património natural de âmbito municipal, o executivo pretende apostar na praia fluvial de Vila Nova e na praia fluvial dos Montes, na expansão da rede de cycling no concelho e da rede de percursos pedestres no concelho, bem como no aproveitamento da barragem do Carril.

A líder do município nabantino lembrou que os projetos não vão ser todos aprovados, mas que têm de ser sinalizados desde já mesmo que seja para entrarem como segunda prioridade na negociação, sendo que é possível alcançar-se a segunda prioridade consoante o quanto melhor e mais rápido forem executados os projetos na primeira intervenção.

Por parte da oposição, o deputado Ricardo Carlos (PSD) afirmou que o executivo não tem um projeto/estratégia mas apenas medidas avulsas, deixando várias questões quanto a cada um das sugestões apresentadas.

Por parte do CDS, o deputado Francisco Tavares fez menção a uma “armadilha política”, referindo que a reunião se tratou apenas de “propaganda política” por parte do executivo. Segundo o eleito pelo CDS, nem valia a pena dar ideias porque “tudo não passou de uma encenação política”. “Tudo o que viéssemos dizer ou não fazia sentido ou não tinha enquadramento no Powerpoint”, afirmou ainda mais tarde.

A necessidade de apostar em habitação a custos controlados também foi um tema defendido por mais do que uma bancada política. Foto: CM Tomar

“A falência desta reunião, em termos de resultados, estava anunciada”, começou por dizer Bruno Graça (CDU), que defendeu depois a necessidade de abastecimento de água e de saneamento no concelho em condições, e que é preciso poupar e gastar naquilo que é preciso gastar, nomeadamente na economia e num parque empresarial.

O bloquista Paulo Mendes enfocou bastante a questão da habitação, afirmando que Tomar tem um “parque habitacional quase exclusivamente privado” e “extremamente vulnerável à especulação”, propondo que seja dada prioridade à reabilitação urbana para habitação permanente ou arrendamento por tempo indeterminado, mencionando ainda outras propostas como o uso de instrumentos de política de solos para conversão de edifícios habitacionais abandonados em habitação pública, a construção pública de novos alojamentos integrados na malha urbana e evitando a reprodução de guetos ou promover estímulos adicionais à colocação dos alojamentos existentes no mercado de arrendamento a preços acessíveis.

Uma implementação de forma prioritária de “tudo o que possa beneficiar os cuidados de saúde no nosso concelho”, nomeadamente a requalificação da extensão de saúde da Serra, que se melhorem as áreas de acolhimento empresarial, se crie uma incubadora de empresas e se dê uma prioridade “elevada” para se avançar com todas as redes de abastecimento de água que estavam previstas, foram outros contributos elencados pelo deputado do Bloco de Esquerda.

O deputado do bloco defendeu ainda como prioritárias, a respeito da rúbrica “Infraestruturas de Educação”, a reabilitação da Escola Secundária Santa Maria do Olival e a reabilitação de pavilhão da Escola Gualdim Pais, bem como algumas intervenções ao nível ambiental e da emergência climática, como o avanço, com “prioridade elevada”, da remodelação de redes de abastecimento de água.

Neste âmbito, Paulo Mendes afirmou ainda que se deve proceder a um desenvolvimento contínuo da eletrificação do transporte público rodoviário e a ampliação da rede de circuitos (com melhor integração modal, horária e tarifária) e a construção de ciclovias racionais e funcionais que cubram o concelho e de sistemas de bicicletas partilhadas.

“Deve construir-se um “silo de estacionamento” com capacidade alargada (a encosta por detrás do Convento de S. Francisco e ligação à estrada de Paialvo, pode ser uma ótima solução) que permita aos automobilistas, de fora e do concelho, uma opção de estacionamento válida e racional que acabe definitivamente com o estacionamento e a circulação caótica a que assistimos diariamente e que também contribua para reduzir drasticamente as emissões poluentes”, advogou ainda.

Por parte do Partido Socialista, e no que toca ao campo da eficiência energética, a deputada Susana Faria sugeriu que fosse incluída a substituição das janelas dos edifícios públicos por janelas eficientes, algo que ainda não existe em muitos edifícios, sublinhando a mesma a necessidade de se acompanhar a requalificação e conservação do aqueduto dos Pegões.

O deputado Rúben Gonçalves (Chega) defendeu que Tomar continua com um “grande problema” no campo da museologia, defendendo uma aposta na criação de um museu interpretativo templário e de outro dedicado à Festa dos Tabuleiros. A aquisição de prédios devolutos para reabilitação e colocação a rendas controladas foi outra medida defendida por Rúben Gonçalves.

Os contributos por parte do PSD foram apresentados pelo deputado João Tenreiro, que defendeu uma imediata “radiografia do êxodo da população de Tomar promovendo medidas que permitam atrair e fixar população”, um potenciamento do desenvolvimento económico do concelho através de políticas ativas de atração e fixação de investimento, a execução da digitalização da economia e o reforço da identidade de Tomar.

O PSD manifestou a necessidade da criação de um centro interpretativo da Festa dos Tabuleiros. Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

Estimular o dinamismo empresarial no concelho de Tomar, privilegiando o turismo, a prestação de serviços, a tecnologias e informação, a agricultura e silvicultura, criar estruturas de acolhimento ao investimento, de incubação de empresas e de fomento do empreendedorismo, requalificar os parques empresariais existentes no concelho, e promover uma feira de atividades económicas e tecnologias do Médio Tejo em parceria com a CIMT (Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo) e associações e empresas da região foram outras sugestões avançadas por João Tenreiro.

O eleito do Partido Social Democrata defendeu ainda uma política de habitação a custos controlados, a requalificação e modernização das principais localidades do concelho para serem mais atrativas e dinâmicas, o apoio ao retorno de emigrantes, o potenciamento do património natural e antropológico do concelho, a criação de um plano museológico para a cidade e para o concelho (criando um centro interpretativo da Festa dos Tabuleiros), bem como a construção de um centro de congressos e de negócios, entre outras várias medidas.

“Obviamente que viemos preparados, porque nós somos um partido que está preparado para governar Tomar. Entendemos que a estratégia 2030 não passa por esta senda que tem vindo a ser seguida por parte do executivo (…) o caminho de facto não é certo e aliás viu-se hoje aqui que nem tão pouco sabem para que caminho é que vão percorrer, têm várias estradas à frente e nem tão pouco conseguem delinear o mapa de estratégia, nós PSD obviamente que temos uma estratégia”, apontou João Tenreiro, que alegou ainda que não é numa assembleia que se pode discutir uma estratégia para Tomar.

Anabela Freitas ainda interveio, afirmando que o que estava em discussão e que foi solicitado foram contributos para projetos, até porque “parto do princípio que os senhores tal como nós, quando concorrem a umas eleições têm uma visão para o concelho”, referiu a eleita socialista, afirmando que de tudo aquilo que foi proposto, irá ser colocado tudo o que for possível.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *