Foto arquivo: EPT

A Câmara de Tomar aprovou uma operação financeira de 35 mil euros para apoiar a Escola Profissional do concelho, que apresenta dificuldades de tesouraria, e está a preparar a venda da sociedade que detém o estabelecimento de ensino.

“A escola está numa posição complicada, desde logo do ponto de vista financeiro”, afirmou o presidente do município, Tiago Carrão, na mais recente reunião do executivo, na segunda-feira, justificando a necessidade de uma intervenção urgente para garantir a continuidade da atividade.

A Escola Profissional de Tomar é gerida pela EPT – Ensino Profissional de Tomar, Lda., sociedade na qual o município detém 50% do capital, estando prevista a alienação da totalidade das participações sociais através de hasta pública.

Segundo Tiago Carrão (PSD), a instituição registou um resultado negativo de cerca de 70 mil euros no exercício de 2025, situação que levou a administração da escola a solicitar apoio financeiro para assegurar o funcionamento nos próximos meses.

A operação aprovada pela Câmara, no valor de 34.842,81 euros, corresponde à participação municipal numa regularização dos capitais próprios da sociedade, destinada a responder às necessidades imediatas de liquidez.

“É uma necessidade, é imperativo. Caso contrário, a escola terá dificuldades muito, muito grandes nos próximos meses ao nível da liquidez e da tesouraria”, alertou o autarca.

O presidente explicou que a operação foi definida após consultas aos serviços municipais e assessoria jurídica, tendo em conta o período necessário até à eventual aquisição da escola por uma nova entidade.

Questionado pelo vereador socialista Hugo Cristóvão sobre a participação dos restantes sócios na operação financeira, Tiago Carrão reconheceu que ainda não existem garantias de que as outras entidades acompanhem o esforço municipal.

“Não temos a garantia que aconteça”, afirmou, admitindo que a participação dos restantes parceiros poderá revelar-se mais complexa.

O autarca defendeu, contudo, que o município deve assumir a sua responsabilidade enquanto sócio, para garantir que a escola dispõe de meios para continuar a funcionar até à conclusão do processo de alienação.

A proposta foi aprovada por unanimidade pelo executivo municipal.

A operação surge na sequência da decisão, aprovada em setembro pela Câmara e posteriormente pela Assembleia Municipal, de avançar com a venda da totalidade do capital social da EPT, com um valor base de 100 mil euros.

A decisão de alienação foi justificada pela deterioração da situação económico-financeira da sociedade, que acumulou resultados negativos e perdeu cerca de 58% dos alunos nos últimos cinco anos.

Além do município, integram a estrutura societária a Associação Comercial e Industrial dos Concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha (ACITOFEBA), a Nersant e uma entidade regional de turismo.

O processo de venda deverá incluir condições destinadas a garantir a manutenção do ensino profissional no concelho, a continuidade das turmas em funcionamento, a preservação da qualidade da oferta formativa e a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e docentes.

Fundada em 1993, a Escola Profissional de Tomar funciona na Avenida Cândido Madureira e desenvolve formação profissional destinada a jovens que concluíram o ensino básico.

A hasta pública ainda não tem data anunciada, pretendendo o município assegurar a estabilidade financeira da instituição durante o período de transição para uma eventual nova entidade proprietária.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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