Tomar aponta outubro para reabertura parcial da Mata dos Sete Montes. Foto: CMT

A Mata Nacional dos Sete Montes, em Tomar, deverá reabrir parcialmente ao público em outubro, quase nove meses depois de a tempestade Kristin ter afetado cerca de mil árvores.

“Queremos, em outubro, que o senhor presidente e o ICNF consigam colocar [a mata] à disposição. Se não for a área que gostaríamos, com maior amplitude, que seja aquele espaço central que sabemos que é o mais procurado”, afirmou o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.

O governante falava aos jornalistas durante uma visita à mata na segunda-feira, acompanhado pelo presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, e responsáveis do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da CCDR Centro.

A mata, com cerca de 39 hectares e sob gestão do ICNF, está encerrada ao público desde a tempestade Kristin, em 28 de janeiro, que derrubou e danificou centenas de árvores e atingiu elementos patrimoniais, incluindo a Charolinha, estrutura quinhentista que sofreu danos muito significativos.

Tiago Carrão reafirmou o objetivo de permitir o acesso em outubro, de forma condicionada e apenas nas áreas onde estejam garantidas condições de segurança.

“O nosso objetivo é abri-la, devolvê-la, ainda que condicionada […] e nunca poderemos abrir a mata em circunstâncias que possam colocar em causa a segurança das pessoas”, afirmou.

Segundo o autarca, a zona central, incluindo o jardim de entrada e os patamares seguintes, reúne melhores condições para integrar a primeira fase da reabertura, por apresentar menor risco associado ao arvoredo.

“Esta parte central […] é realmente um espaço onde temos condições de devolver esse espaço”, disse, indicando que o modelo, limitações e data concreta seriam definidos numa reunião de trabalho a realizar ainda hoje, após a visita à mata.

O autarca destacou ainda a importância de recuperar o espaço tendo em vista a Festa dos Tabuleiros de 2027, afirmando que a Mata dos Sete Montes terá um “papel fundamental” no evento.

Em julho, o presidente da Câmara tinha admitido uma abertura parcial em agosto ou início de setembro e apontado outubro como horizonte técnico para uma abertura integral.

“Foi um impacto brutal”, afirmou Rui Ladeira, referindo que prosseguem a remoção de madeira, a limpeza das zonas mais sensíveis e intervenções fitossanitárias nas árvores que permaneceram de pé.

O secretário de Estado disse que serão mobilizados os “meios possíveis” para intensificar os trabalhos, destacando a remoção já efetuada de árvores centenárias de grande porte em locais de difícil acesso, sem indicar uma verba específica.

Tiago Carrão disse que cerca de mil árvores foram afetadas e anunciou três intervenções consideradas críticas nos muros da mata, a primeira das quais deverá arrancar “nos próximos dias”, junto ao portão principal e numa zona confinante com habitações.

O município dispõe ainda de um projeto financiado pelo Portugal 2030 para recuperar o sistema hídrico da mata, através de um furo já existente e da distribuição de água pelo espaço.

No jardim de entrada, afetado por uma doença no bucho, será necessária a substituição de cerca de 20 mil plantas, estando já assegurados aproximadamente dois mil pés com apoio do ICNF e da Secretaria de Estado das Florestas.

A recuperação da Charolinha, articulada com a área da Cultura, foi inicialmente estimada em cerca de 500 mil euros e, segundo Tiago Carrão, dificilmente estará concluída antes da Festa dos Tabuleiros de 2027, embora o objetivo seja ter a intervenção então em curso.

A ministra da Cultura visitou a Mata dos Sete Montes poucos dias depois da Kristin e garantiu então a recuperação daquele elemento patrimonial.

A tempestade Kristin atingiu Portugal continental na madrugada de 28 de janeiro, com particular impacto na região Centro, levando o Governo a declarar a situação de calamidade em vários concelhos, incluindo Tomar.

c/Lusa

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply