Tomar vai ser o palco dos Campeonatos Nacionais de Estrada, de 10 km e Milha, que se realizarão nos dias 13 e 14 de janeiro. A apresentação do evento, que decorreu no Salão Nobre da autarquia, contou com a presença de Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, que enalteceu a prova e falou sobre a modalidade a nível nacional e a atualidade desportiva internacional.
A sessão de apresentação foi presidida pela vereadora da Câmara Municipal de Tomar, Rita Freitas, e contou com as presenças de Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Eduardo Gonçalves, presidente da Associação de Atletismo de Santarém, e João Cabreira, da empresa Cabreira Solutions, responsável por assegurar a componente técnica e a logística do evento.

Coube a João Cabreira abrir a sessão apresentando o percurso e as diferentes iniciativas que “envolvem os campeonatos propriamente ditos, a que juntamos a prova aberta e a caminhada, para além de uma atividade de corrida sem fins competitivos para os mais jovens o que vai animar bastante esta cidade. Esperamos ter mais de 1500 atletas e acompanhantes que podem vir até um dia mais cedo e aproveitar claramente as muitas oportunidades turísticas da cidade”, indicou.
Eduardo Gonçalves, presidente da Associação de Atletismo de Santarém, por sua vez, mostrou a determinação da Associação que dirige ”em corresponder a uma organização deste nível, muito exigente”, tendo assegurado gostar dos “grandes desafios”.
Já para Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, “realizar uns campeonatos em Tomar tem um significado pessoal emocional, pois vivi aqui e aqui também foi feito parte do meu percurso académico. Tem, também, um significado desportivo pois Tomar é um concelho que faz parte do grupo do escasso grupo de um terço dos municípios que tem uma pista de atletismo. Todos os outros têm pavilhões, piscinas, mas pistas de atletismo não têm. A disponibilidade demonstrada pela autarquia e a vontade de organizar esta competição tem tudo para aqui podermos assistir a um momento especial “, afirmou.
Para o líder federativo, estes campeonatos nacionais têm tudo para ser uma grande festa do desporto, tendo realçado o cariz popular do atletismo e lamentado que, “ao nível estatal dos diferentes governos, desde o início do século, não se tenha compreendido o papel destas modalidades, que de muito pouco financiamento poderão fazer muito desenvolvimento”.
No que respeita à autarquia de Tomar, a vereadora Rita Freitas mostrou contentamento pelo município poder abraçar esta iniciativa, com parceiros reconhecidos, destacando o facto de se estrear um campeonato em Tomar, referindo-se ao nacional da milha.
Os Campeonatos Nacionais de Estrada agendados para os dias 13 e 14 de janeiro têm como palco central do evento o largo da Várzea Grande, no coração da cidade. Do programa fazem parte os dois campeonatos, de estrada de 10km e milha, e uma prova aberta permitindo a participação de praticantes ocasionais e não federados, bem como uma caminhada para os amantes do pedestrianismo.

A novidade, a estreia do nacional de milha, tem a particularidade de se realizar no sábado, 13 de janeiro, enquanto as restantes provas serão no domingo, dia 14 de janeiro.
As inscrições decorrem em bom ritmo e os clubes e atletas (também os federados) devem validar as suas inscrições até ao dia 29, para poderem ter acesso às camisolas que serão oferecidas.
Para os 10 km as inscrições são feitas aqui (https://www.fpacompeticoes.pt/2865/inscrever), enquanto para milha as inscrições são aqui (https://www.fpacompeticoes.pt/2866/inscrever). Para a prova aberta as inscrições deverão ser feitas na página do organizador (https://inscricoes.cabreirasolutions.com/?evento=764).
Presidente da Federação contra russos e bielorrussos no atletismo olímpico
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo assumiu ser contra a participação de atletas russos e bielorrussos nos Jogos Olímpicos Paris2024, devido ao conflito com a Ucrânia e ao abuso de doping.
“Não só pela questão do conflito, mas já por questões anteriores que têm a ver com o doping, em que eu e nós (Federação) entendemos que a luta deve ser implacável contra a dopagem”, disse hoje Jorge Vieira, tendo feito notar ainda que “a invasão da Ucrânia é imperdoável” e que “não há argumentos olímpicos que consigam ultrapassar isso”.

O dirigente falava à margem da apresentação dos Campeonatos Nacionais de Estrada de 10km e milha, que vão decorrer naquela cidade ribatejana nos dias 13 e 14 de janeiro de 2024.
Na ocasião, deu conta de “não estar a ponderar”, sem rejeitar, uma eventual candidatura à presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP), e indicou estar alinhado com a posição da World Athletics, que anunciou que o atletismo em Paris2024 não terá participantes russos ou bielorrussos, contrariamente ao Comité Olímpico Internacional, que recomendou às Federações aceitarem atletas russos e bielorrussos nos Jogos Paris2024, desde que a competir sob bandeira neutra.
“A minha leitura é de obediência à minha Federação Internacional, naturalmente. Não só por dever institucional, sendo uma Federação associada seguimos a orientação política da World Athletics, mas, se me perguntar pessoalmente, concordo. Concordo perfeitamente, não só pela questão do conflito, mas já por questões anteriores que têm a ver com o doping (…), com provas provadas de que havia um sistema organizado na Rússia e na Bielorrússia de manipulação dos resultados” através do doping, afirmou.
Jorge Vieira lembrou que a World Athletics “investigou toda essa situação e baniu estes países enquanto não encontrassem uma organização a nível nacional que fizesse face de uma forma consequente a este problema da dopagem”, situação que se mantém.
“O que veio a seguir, do conflito, da invasão da Ucrânia, para nós também, obviamente, é imperdoável. E eu digo muitas vezes para mim próprio, e pela primeira vez o digo publicamente: não há argumentos olímpicos que consigam ultrapassar isto. Tenho muitas dúvidas sobre mesmo a permissão de deixar entrar atletas russos, mesmo com uma camisola neutra, serão sempre russos, serão sempre indicados como russos. E eu acho que é imperdoável, humanamente falando, que tal possa acontecer nos dias de hoje”, sublinhou.
Questionado sobre a forma de ultrapassar a questão, Jorge Vieira disse que a mesma “só vai terminar quando a Rússia sair do território ucraniano” e “quando apresentar um programa de controle da dopagem”, tendo rejeitado a aplicação de uma trégua olímpica.
“A trégua olímpica é um termo que normalmente é utilizado (…) para que todos participem irmãmente, mas isso é uma leitura da trégua olímpica antiga grega, que não tinha nada a ver com invasões territoriais como se passa hoje na Europa, no século XXI, não tem nada a ver com a leitura das tréguas olímpicas que havia na Grécia Antiga nos Jogos Olímpicos da Antiguidade. Apresentar hoje esse argumento é obviamente hipócrita e é falacioso”, defendeu.

A organização, que aponta para uma previsão de 1.700 atletas, é da Federação Portuguesa de Atletismo, em colaboração com a Associação de Atletismo de Santarém e o Município de Tomar, e parceria técnica e logística da Cabreira Solutions.
c/LUSA
