O ambientalista Arlindo Marques, do movimento ProTejo, filmou na terça-feira, dia 14 de novembro, novas descargas poluentes no rio Tejo, que terão provocado a morte a milhares de lagostins junto ao cais do Arneiro, no concelho de Nisa.
“Fui ao cais do Arneiro alertado pelos pescadores que referiam uma mancha enorme, castanha, de poluição no meio do rio Tejo. Um casal de pescadores levou-me ao local e vi que a água era da cor do chocolate, uma mancha enorme que dali não se movia porque o Tejo leva pouca água, e com um cheiro horrível a produtos químicos”, contou ao mediotejo.net.
“Desde o início deste mês que se têm registado novamente casos de poluição na zona de Vila Velha de Rodão mas o de terça-feira foi do que pior que já vi, e onde é evidente o tubo de descarga de uma fábrica que sai mesmo no meio do rio. Com a quantidade diminuta de água aquilo fica tudo ali concentrado. Matou milhares de lagostins, prejudica a vida aos pescadores e agora vai descer, lentamente, mas vai descer e atingir todos os municípios a jusante”, afirmou.
Em comunicado enviado à agência Lusa, também a associação ambiental AZU referiu que, durante o fim de semana, “milhares de lagostins tentaram sair da água e refugiar-se nas margens do rio Tejo no cais do Arneiro, freguesia de Santana, concelho de Nisa, fugindo à imensa mancha negra com origem nas indústrias de Vila Velha de Ródão”.
Os ambientalistas dizem que, segundo relatos de pescadores e populares, o cheiro que vinha da água do rio “era horrível” e adiantam que a mancha de poluição “já se alongava para mais de 1,5 quilómetros para jusante do cais”.
“Milhares de lagostins morreram sufocados nas armadilhas que são o único sustento para algumas famílias nesta época do ano”, lê-se no documento.
A AZU sublinha que há cerca de uma semana e meia que as descargas se têm agravado, tornando-se visível nos concelhos de Vila Velha de Ródão, Nisa, Gavião, Mação e Abrantes.
“O que vieram os deputados da Comissão de Ambiente fazer pelo Tejo acima desde Lisboa? Onde para o ministro do Ambiente? Onde está o poder local, que é feito das Câmaras de Nisa e Vila Velha de Ródão”, questiona a AZU.
Segundo os ambientalistas, o poder económico “continua imparável, incorrigível e insensível, disposto a acabar com o Tejo, a fazer deste esgoto”.
