Fotos: mediotejo.net

A ação solidária “Apadrinha Uma Causa”, programa de voluntariado corporativo da Endesa, beneficiou este ano o CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, instituição que apoia pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social.

A proposta partiu da equipa de 15 pessoas que trabalham atualmente nos escritórios da sede da empresa em Abrantes, visando a recuperação e dinamização do Jardim Sensorial do CRIA, um espaço terapêutico concebido para estimular os sentidos e proporcionar momentos de bem-estar aos seus utilizadores.

“A Fundação Endesa lançou um desafio aos colaboradores para apresentarem uma causa para apadrinhar. Nós em Abrantes já conhecíamos o CRIA e, como um dos temas era a inclusão, lembrámo-nos automaticamente deste projeto”, conta Ana Carreto, uma das promotoras da ideia, com o colega Gaspar Queirós, enquanto pinta o corpo metálico de uma cegonha, à sombra de uma das gigantes pinheiras que ajudam a mitigar o calor que aperta sempre – e muito – nas tardes de Abrantes, nesta altura do ano.

“Candidatámos internamente a nossa proposta, que foi depois avaliada juntamente com sugestões de colegas de toda a Península Ibérica. Tivemos a felicidade de ganhar e foi assim que chegámos aqui”, explica a responsável pelo Departamento de Sustentabilidade da empresa espanhola, no primeiro dia dos trabalhos, que decorreram entre 25 e 27 de maio.

“Quando perguntámos ao CRIA o que seria mais necessário, sugeriram que fizessemos uma intervenção no jardim sensorial, que foi construído no ano passado mas precisava de melhorias, até porque tinha sido também afetado pelas tempestades deste inverno. Achámos que era uma boa oportunidade, porque implicava um trabalho ao ar livre e iria deixar o espaço mais acessível e mais agradável para os utentes, sendo também aberto à comunidade. No fundo, é isso que pretendemos: estamos em Abrantes há relativamente pouco tempo e o objetivo é também integrarmo-nos. Além do valor do projeto, há esta interação com a comunidade”, frisa Ana Carreto.

“Além disso, não trabalhamos apenas a inclusão na sociedade, mas também a nossa, enquanto trabalhadores da mesma empresa, pois ficamos a conhecer melhor pessoas de diferentes locais. Ofereceram-se como voluntários para Abrantes durante estes três dias vários colegas de Lisboa e do Porto.”

Este “capital humano” foi o principal investimento da Endesa, porque a filosofia destes projetos de voluntariado não assenta no valor-dinheiro. As melhorias que os trabalhadores ali se propuseram fazer, para criar mais condições para usufruto do espaço, eram possíveis de concretizar por qualquer pessoa com boa vontade. Além da limpeza geral, plantação de flores e pinturas, foram colocados mais bancos (feitos a partir de paletes de madeira), pendurou-se um baloiço e foi construída uma churrasqueira (em vez de se ir à loja mais próxima comprar uma).

Os utentes do CRIA também arregaçaram as mangas com os voluntários da Endesa, fazendo uma festa com cada conquista que ia tornando o jardim mais bonito.

Foto: mediotejo.net

Durante as três tardes de trabalhos juntaram-se-lhes também uma dezena de “pequenos” voluntários d’Os Meninos da Floresta, um projeto educativo para ocupação de tempos livres de crianças entre os 3 e os 12 anos, com sede na antiga escola primária das Barreiras do Tejo, em Abrantes, e que recebeu também um apoio semelhante da Endesa no ano passado.

As responsáveis quiseram juntar-se a esta ação, até porque é usual promoverem atividades conjuntas com o CRIA ao longo do ano, e os “Meninos” ajudaram a pintar pedras com mil cores e a pendurar nas árvores vários elementos decorativos de lã e outros materiais que criaram especialmente para os amigos do CRIA.

No final, o espaço do jardim estava tão diferente e tão bonito que um deles não conteve o espanto:

– Uau…! Parece magia!

Não houve nenhuma remodelação radical e milagrosa como as que se vêem na televisão, mas é palpável em cada detalhe o carinho de quem ali esteve a trabalhar de forma voluntária. Por isso não, não parece magia – foi mesmo.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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