Em que outro evento do mundo podemos sentar-nos na relva, de pés descalços, a comer uma bifana e a beber uma imperial, enquanto observamos três hippies em tronco nú a aplaudir entusiasticamente as senhoras do Grupo de Cavaquinhos do Clube da Sertã, famílias em convívio a relaxar numa manta e duas crianças a brincar com uma bola com uma banda em palco? No FIBS – Festival Internacional de Bandas na Sertã, claro.

O evento, que decorreu a 22 e 23 de junho na Praia Fluvial da Sertã, foi organizado – pelo segundo ano consecutivo –  pelo Clube da Sertã em colaboração com o produtor musical londrino, Paul Michelmore, residente no concelho. Este ano, trouxe uma novidade: a música dos locais misturou-se com as sonoridades de outras paragens. Os jovens da terra aplaudem este Festival que traz até à Sertã, um concelho do interior, uma interculturalidade que lhes permite ver e apreciar outras formas de estar na vida.

Grupo de cavaquinhos do Clube da Sertã atuou na tarde de sábado no FIBS Foto: mediotejo.net

No sábado, o público não abundou – na edição anterior notou-se neste dia que estavam muito mais pessoas no recinto –  mas a festa fez-se com quem ali estava. Do folk às concertinas, do contrabaixo ao Drum n’ Bass, dos cavaquinhos ao jazz e da fanfarra à música dos Balcãs, entre outros, o palco encheu-se de sonoridades diferentes durante os dois dias.

A ouvir as bandas em palco, encontrámos um grupo de amigos da Sertã, muito divertidos a conviver entre si. Tiago Bernardo e Diogo Ferreira, que vivem e trabalham na Sertã, vieram pela segunda vez. “É um evento um pouco mais alternativo. Este ano, como foram dois dias, aderimos mais facilmente. Para mim o mais importante é o convívio e ouvir esta música mais alternativa. Posso estar a ouvir o dia todo que não me farto.”, referiu Diogo Ferreira. Para estes jovens, o FIBS é uma partilha de conhecimentos culturais, trazendo uma dinâmica diferente a um concelho do interior.

“Estamos a ver bandas de fora e bandas locais pelo que é interessante esta partilha de experiências”, refere Tiago. Tiago salienta ainda que o espaço da Praia Fluvial é bastante agradável e acolhedor para as famílias, podendo-se observar e aprender com os outros.

Paul Michelmore, músico londrino residente no concelho e Hélder Casimiro do Clube da Sertã Foto: mediotejo.net

Hélder Casimiro, da organização, explica ao mediotejo.net que, este ano, optou-se por introduziR bandas locais neste festival para atrair mais pessoas da terra até ao evento, gerando-se uma dinâmica muito interessante entre locais e estrangeiros. “Na noite de sexta-feira, tivemos um grupo de concertinas local que tocou em cada bar e depois deu-se um “mix” dos músicos portugueses e estrangeiros, que foi muito engraçado”, contou.

A organização revela que fez ainda questão de trazer bandas que ninguém conhece. “Pelo palco passam músicas novas, que nunca ninguém ouviu, do mundo. E depois, este é um palco perfeito para as famílias conviverem. Podem trazer os filhos, os cães, sentam-se na relva a ouvir música, a conviver e a conversar”, disse.

Paul Michelmore disse ao mediotejo.net que os músicos que convida continuam a ficar hospedados gratuitamente na sua quinta no Outeiro, decorrendo o evento em dois dias nos mesmos moldes.

“São bandas de vários pontos do mundo que vêm atuar na Sertã. Somos como que uma grande família”, sublinha, referindo que o que interessa é divulgar a música que não é comercial. “A tradição portuguesa é muito interessante pelo que achei que devíamos trazer essa tradição também a este evento. Os estrangeiros gostaram muito das concertinas e os portugueses também dançaram muito. Foi muito bom”, disse.

Veja o vídeo:

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.