Depois de o presidente da Câmara Municipal da Sertã ter afirmado que apenas soube da instalação de uma central solar flutuante na barragem do Cabril, pela comunicação social, Carlos Miranda já falou com o Ministro do Ambiente sobre o assunto. À margem da reunião de Câmara do dia 18 de abril, o autarca revelou já dispor “de mais algumas informações”, depois de ter manifestado alguma preocupação em declarações à agência Lusa.
“Na verdade, todos nós, penso eu, somos favoráveis à existência de energias renováveis e naturalmente que a energia solar é uma fonte de energia que todos nós defendemos. Mais a mais também é importante frisar que, se nós tivermos uma diversificação de fontes de energia na barragem, nós vamos ficar menos dependentes de água. Portanto, aquilo que é importante é que nós possamos ser menos dependentes da água e que a possamos guardar nas Albufeiras”, defendeu Carlos Miranda.
O presidente da Câmara considera que “o facto de nós termos um espaço fotovoltaico na albufeira pode dar-nos essa independência, sobretudo em períodos críticos, relativamente à água que nós temos de preservar para outros efeitos”.
Deu nota de que a Agência Portuguesa do Ambiente fez um estudo onde indicou os lugares onde não será possível instalar esses painéis. A empresa Voltalia, que ganhou a concessão, “vai ter que, primeiro, respeitar esse estudo da Agência Portuguesa do Ambiente e, segundo, também elaborar um estudo de impacto ambiental sobre este parque”, ressalvou.
O autarca fez notar que o referido projeto ocupa uma área de 33 hectares na barragem do Cabril, uma albufeira que tem mais de 2 mil hectares. “Portanto, digamos que, à partida, poderá ser possível compatibilizar perfeitamente a colocação destes painéis com todas as outras utilizações da albufeira”, reconheceu. Ao mesmo tempo, mostra-se “esperançoso de que a APA tenha salvaguardado todos os interesses dos municípios, não só a Sertã como Pedrogão Grande, Oleiros, Pampilhosa, etc”.
Um aspeto que Carlos Miranda considera muito importante quer no Cabril, quer no Castelo de Bode, é a função turística, “fundamental porque são espaços de lazer de excelência, mas também tem interesse paisagístico”. Além disso, “são pontos de abastecimento para aviões de combate a incêndios e isso também tem de ser devidamente salvaguardado”, não esquecendo que é no Cabril que é feita a captação de água que chega às torneiras da Sertã.
Autarca espera que haja bom senso
“Tenho a esperança de que tenha existido bom senso por parte da Agência Portuguesa do Ambiente e que todas estas funções fiquem devidamente salvaguardadas. Vamos continuar atentos, vamos continuar a falar com as autoridades no sentido de esclarecer completamente a questão e dar também o nosso contributo, se for caso disso”, acrescentou.
A terminar, o presidente da Câmara lembrou que o processo “está apenas no início. Estamos a falar de um processo que se concluirá ou que poderá avançar a partir de 2026. Até lá a empresa vai ter de fazer o seu estudo de impacto ambiental, portanto há aqui toda uma tramitação que ainda vai demorar alguns anos”.
A central fotovoltaica projetada para a barragem do Cabril, terá uma capacidade instalada entre 33 MW [megawatt] e 40 MW, dependendo da otimização final do projeto”, refere a empresa vencedora do concurso.
A expectativa é de que “o projeto seja comissionado até 2026”. Quanto às receitas, “serão suportadas por um contrato de 15 anos atribuído pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, prevendo um preço de 41.025 euros por megawatt-hora”.
