Procissão dos Fogaréus é a mais emblemática da Semana Santa de Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

“É o momento mais alto da nossa vida comunitária, são as festividades da Semana Santa. É o momento mais alto da Igreja Católica mas também para os sardoalenses, mesmo aqueles que não são crentes, ninguém fica indiferente a todo este tempo pascal que vivemos durante este período que começa no dia 17 com a Procissão dos Passos do Senhor e vai até ao dia 31 com o Domingo de Páscoa propriamente dito e com um conjunto de cerimónias religiosas”, disse o presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges.

Até domingo de Páscoa, 19 igrejas e capelas do concelho vão estar enfeitadas com pétalas de flores e haverá recreações teatrais, música e exposições alusivas à época, ao mesmo tempo que decorrem várias procissões, como a dos Ramos, no dia 24, ou a dos Fogaréus, na noite de Quinta Feira Santa, a 28 de março, que costuma ser a mais participada.

“No dia 28 é a altura em que as capelas abrem as portas com os tapetes de flores, feitos pela população. No dia 28 é também Quinta Feira Santa e a Procissão dos Fogaréus, aquela procissão mais emblemática, chamemos-lhe assim, uma procissão diferenciadora em relação às cerimónias da Semana Santa. É o nosso ex libris”, disse Miguel Borges.

Miguel Borges, presidente CM Sardoal

Envolta em ambiente de algum misticismo, refletido no silêncio da multidão ao longo de todo o percurso, na Procissão do Senhor da Misericórdia (ou Fogaréus) a eletricidade da rede pública é desligada nas artérias por onde passa o cortejo, apenas iluminadas pela luz de velas, archotes e candeias.

Centenas de lanternas de vidro são colocadas acesas nas janelas das casas, varandas e sacadas ao longo do percurso e milhares de lamparinas de azeite e cera seguem ao compasso das marchas fúnebres da Filarmónica União Sardoalense.

Procissão dos Fogaréus, Sardoal. Foto: Paulo Jorge de Sousa

A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Sardoal conduz o cortejo envergando capas negras e os seus membros seguram painéis com imagens que representam cenas da Paixão de Cristo e grandes archotes a que chamam, pela sua antiguidade, fogaréus.

Depois da Procissão do Senhor da Misericórdia ou Fogaréus, no dia seguinte, sexta-feira, a vila de Sardoal acolhe a Procissão do Enterro do Senhor.

As Irmandades da Vera Cruz, ou dos Santos Passos, e a do Santíssimo Sacramento participam nesta celebração que termina com o Enterro de Cristo, na Igreja Matriz.

O Domingo de Páscoa é dedicada à Procissão da Ressurreição, dia em se vive a “alegria pelo triunfo de Cristo Ressuscitado”, sendo a Igreja Matriz “decorada com muitas flores como sinal da felicidade” sentida.

Neste dia, a Filarmónica União Sardoalense acompanha a Procissão com “músicas que evidenciam a alegria de Cristo Ressuscitado”.

Durante a Semana Santa, as ruas da vila são atapetadas com flores e verduras e nas janelas de muitas casas são penduradas colchas, criando um ambiente solene e festivo, numa secular tradição de grande envolvência popular que recebeu no final de 2023 o estatuto de Património Cultural Imaterial.

“Este ano, com muito orgulho, podemos dizer que é o primeiro ano em que a nossa Semana Santa, todas estas festividades a que chamamos Semana Santa, e também a Festividade do Bodo, foram classificadas como Património Cultural e Imaterial pela publicação em Diário da República do dia 29 de dezembro de 2023”, notou Miguel Borges.

Para o autarca, no entanto, e “acima de tudo isto, está a essência daquilo que é a Semana Santa e todas as festividades e manifestações de cultura popular no âmbito da “fé e da religiosidade”, e “à qual ninguém fica indiferente, sendo crente ou não sendo crente”.

Questionado sobre o número de visitantes aguardados em Sardoal, Borges disse que, e “porque falamos em fé e religiosidade, o São Pedro aqui tem um papel muito importante. É sempre uma incógnita e o número de visitantes varia sempre de acordo com as condições climatéricas, que eu não sei como vão ser nessa altura. Mas contamos aqui sempre com a colaboração e, assim sendo, são milhares de pessoas que nos visitam nesta altura”, afirmou.

C/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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