As I Jornadas Sociais de Vila Nova da Barquinha decorreram durante dois dias no Centro Cultural, reunindo especialistas das áreas da saúde, ação social, educação, justiça e segurança para debater os desafios atuais da saúde mental, desde o envelhecimento e as demências até aos impactos da era digital nas crianças e jovens.
A iniciativa, que decorreu nos dias 8 e 9, pretende promover a reflexão e a partilha de conhecimentos sobre uma problemática transversal à sociedade, com consequências para as famílias, instituições e profissionais de diferentes setores.
Organizadas pelo Município de Vila Nova da Barquinha, pela Santa Casa da Misericórdia local e pelo CLDS 5G InterAgir, as jornadas apresentam um programa multidisciplinar, repartido por três painéis temáticos, que abordam a saúde mental na sociedade contemporânea, os desafios do envelhecimento e o desenvolvimento psicológico de crianças e jovens.
A sessão de abertura contou com intervenções da vereadora da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Paula Silva, do provedor da Santa Casa da Misericórdia, Hélder Silva, e da diretora do Centro Distrital de Santarém do Instituto da Segurança Social, Paula Carloto.
Sob o tema «Saúde Mental: Refletir para Transformar», o primeiro painel reuniu especialistas para analisar os desafios colocados pelas mudanças sociais e identificar respostas às necessidades emergentes nesta área.
Entre os oradores estiveram Luísa Delgado, diretora do Serviço de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo (ULS Médio Tejo), e Cláudia Nogueira, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com uma intervenção dedicada à realidade da saúde mental em Portugal e às perspetivas de mudança.
O programa incluiu ainda contributos de Susana Andrade da Cruz e Tânia David, da Associação de Saúde Mental do Médio Tejo, e de Rita Nazário, psicóloga clínica da ULS Médio Tejo, numa abordagem às respostas existentes e aos desafios que se colocam aos profissionais e às instituições.
Durante a tarde, os trabalhos centraram-se na relação entre saúde mental e envelhecimento, procurando discutir as consequências do aumento da longevidade e a necessidade de garantir melhores condições de vida à população mais idosa.
Neste painel, dedicado ao envelhecimento e às demências, estava prevista a participação de António Leuschner, médico psiquiatra e antigo coordenador da Comissão de Coordenação do Plano Nacional da Saúde para as Demências, e de Vanda Serra, cofundadora da cooperativa Human Coop e vereadora da Câmara Municipal de Mação.
A promoção de um envelhecimento psicologicamente saudável e o papel das forças de segurança na resposta a situações relacionadas com a saúde mental integraram também o programa, com intervenções de Ana Paula Santos, administradora da Human Coop, e do capitão Francisco Patrício, da GNR, do Destacamento Territorial de Torres Novas.
O segundo dia, sexta-feira, foi dedicado à saúde mental na infância e juventude, com particular atenção aos desafios da era digital, ao impacto dos algoritmos e das redes sociais e à relação entre solidão e novas problemáticas psicológicas na adolescência.
Entre os participantes estavam anunciados Luís Constantino, procurador da República no Juízo de Família e Menores de Tomar, e Ana Isabel Santos, psicóloga clínica e diretora clínica da ParaSer Saúde, que abordará os impactos da era digital na adolescência.
O programa prevê igualmente uma intervenção de João Faria, coordenador do Núcleo de Intervenção no Comportamento Online do PIN – Partners in Neuroscience, dedicada aos benefícios que a experiência dos videojogos pode ter no desenvolvimento de crianças e jovens.
Os diferentes painéis incluem períodos de debate, procurando estimular a troca de experiências entre especialistas, técnicos, instituições e participantes.
As jornadas terminam na sexta-feira, com uma sessão de encerramento a cargo do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato.

