As contas de gerência de 2018 foram aprovadas pela maioria PSD na Câmara Municipal de Sardoal, tendo contado com o voto de abstenção do vereador do PS presente na reunião de executivo. Miguel Borges (PSD) destacou a realização de obra a par da redução da dívida em 418 mil euros e Pedro Duque (PS) disse discordar que as despesas correntes sejam suprimidas com despesas de capital, manifestando alguma apreensão com as contas apresentadas.
O presidente da autarquia de Sardoal destacou nas contas de 2018 uma redução do prazo médio de pagamento a fornecedores. “Há pouco tempo era de 115 dias e reduzimos para 83 dias”, prazo que Miguel Borges disse ser “ainda alto” e querer “continuar a reduzir”, e sublinhou ainda a redução da dívida em 418 mil euros, cifrando-se agora (em 2018) nos 3,9 milhões de euros. Em 2016, a dívida ascendia aos 4,9 milhões.
O resultado líquido negativo na ordem dos 900 mil euros, por sua vez, foi desvalorizado por Miguel Borges, tendo referido que configuram uma “preocupação relativa” e tendo lembrado que os mesmos reportam-se, num caso, a uma dívida da ex Águas do Centro ao município, na ordem dos 800 mil euros, e outra fatia, de 70 mil euros, é referente a uma garantia bancária ao IFAP por alegado financiamento indevido. Somados, estes dois valores atingem a quase totalidade do resultado líquido negativo.
O presidente da Câmara de Sardoal refere que estes são “excelentes valores”, e que os mesmos “não prejudicam a qualidade de vida dos sardoalenses”. Miguel Borges disse que os valores poderiam ser outros se a autarquia não se candidatasse a obras e continuasse a trabalhar para a qualidade de vida das pessoas, como a construção da nova escola, reconversão da capela, requalificação do mercado diário, entre outras.
O vereador Pedro Duque (PS) disse discordar que as despesas correntes sejam suprimidas com despesas de capital, manifestando alguma apreensão com as contas apresentadas.
“A questão é estrutural e, tecnicamente, mas também politicamente, temos o princípio do equilíbrio orçamental desrespeitado há vários anos a esta parte. O município continua a suprir despesa corrente com receitas de capital e estamos, em concreto, a direcionar valores que vêm para investimento para despesa corrente, com pessoal e dívida à banca”, disse o eleito socialista, tendo defendido que a atual situação representa um “desequilíbrio muito prejudicial ao município”.
Politicamente, Pedro Duque chamou ainda a atenção para a necessidade de mais apoios direcionados para a vertente social, tendo afirmado que o atual apoio concedido a 31 pessoas no programa Abem, para aquisição comparticipada de medicamentos, “não reflete as necessidades sociais da população”.
Na reunião de executivo de quarta-feira foi ainda aprovada a contratação de cinco postos de trabalho: 1 técnico de arquivo, 3 pessoas para os bombeiros e um encarregado para o Centro Cultural. A prestação de contas vai agora ser apresentada e votada em sessão de Assembleia Municipal a realizar esta terça-feira, dia 30 de abril.
