Sardoal apoia lagares no transporte de águas ruças e aposta na modernização das cooperativas. Foto: DR

A Câmara do Sardoal está a apoiar duas cooperativas agrícolas no transporte das águas ruças produzidas pelos lagares de azeite, defendendo a modernização das unidades para reduzir custos e problemas ambientais associados aos efluentes, revelou o presidente.

“Os apoios que nós damos aos lagares materializam-se essencialmente na disponibilidade do município em apoiar no transporte das águas ruças”, explicou Pedro Rosa (PSD), precisando que a autarquia disponibiliza um trator e o respetivo operador, sempre que os meios municipais o permitem.

O apoio destina-se às duas cooperativas de olivicultores atualmente em atividade no concelho, localizadas em Valhascos e Andreus, e corresponde à continuidade de uma colaboração existente há vários anos.

Segundo o presidente, a Câmara disponibilizou no ano passado 61 horas de trabalho à cooperativa de Valhascos, não existindo uma transferência financeira direta para as entidades apoiadas.

“Todos os outros custos que tenham a ver com a deposição destas águas ruças são da cooperativa, não são nossos”, esclareceu, explicando que as despesas de descarga e tratamento ficam a cargo dos produtores.

O autarca referiu que os protocolos surgiram quando a Agência Portuguesa do Ambiente passou a exigir aos lagares a identificação de soluções para o encaminhamento dos efluentes, mantendo-se atualmente como um instrumento de apoio à atividade olivícola.

A cooperativa de Valhascos necessita de transportar as águas ruças para um ponto de recolha exterior, situado em Abrantes, enquanto a cooperativa de Andreus dispõe de uma lagoa de evaporação, recorrendo ao transporte quando a capacidade disponível se aproxima do limite.

O presidente sublinhou que as duas cooperativas estão a procurar modernizar os respetivos equipamentos, nomeadamente através de oportunidades de financiamento disponíveis no território de intervenção da TAGUS.

A introdução de sistemas mais recentes de transformação da azeitona permitirá reduzir a produção de águas ruças, diminuindo os encargos de transporte e tratamento e a pressão ambiental associada à atividade.

Na reunião de Câmara de 14 de outubro, o vice-presidente Duarte Baptista tinha alertado para as dificuldades crescentes no encaminhamento dos efluentes, referindo custos de descarga que incluem uma taxa diária e um valor por metro cúbico.

O autarca estimou que a modernização de um lagar possa exigir investimentos entre 150 mil e 200 mil euros, perante uma dotação inicial de cerca de 420 mil euros para candidaturas no território da TAGUS.

Questionado sobre eventuais riscos para a campanha de produção de azeite, Pedro Rosa afastou, para já, a possibilidade de a atividade das cooperativas ficar comprometida.

“Eu não acredito que esteja comprometida esta sustentabilidade”, afirmou, explicando que, quando o município não consegue assegurar o transporte, as cooperativas recorrem a meios contratados.

O presidente destacou ainda a importância dos lagares tradicionais para os pequenos produtores, que continuam a entregar quantidades reduzidas de azeitona, frequentemente entre uma e duas toneladas, valorizando a possibilidade de receberem o azeite resultante da sua própria produção.

Segundo Pedro Rosa, apesar do crescimento de olivais de características mais intensivas, a olivicultura tradicional mantém uma expressão significativa no concelho e as cooperativas continuam a desempenhar um papel importante na economia agrícola local.

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