O Sardoal deu esta sexta-feira início a mais uma edição das Festas do Concelho, num programa que junta durante os próximos dias música, convívio, atividades e a valorização dos saberes e sabores locais. A cerimónia oficial de inauguração decorreu no edifício da Câmara Municipal e contou com a presença de autarcas, deputados, representantes de entidades locais e regionais, forças de segurança, agentes de proteção civil e associações.
As festas assumem também um significado histórico particular, ao assinalarem os 495 anos da elevação do Sardoal à categoria de Vila, através da carta de mercê e doação atribuída por D. João III, em 1531.
Na abertura oficial, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Rosa, destacou precisamente a longevidade da comunidade e a capacidade de adaptação do território ao longo dos séculos.
“Esta data é mais que um marco cronológico, é o espelho da longevidade de uma comunidade que sempre soube adaptar-se aos tempos”, afirmou.

Para o autarca, o passado continua a ser uma componente essencial na construção do futuro. “O futuro constrói-se no presente, mas também com os alicerces do passado”, sublinhou.
Pedro Rosa destacou ainda a participação do movimento associativo, do comércio local, dos artesãos e da população na construção das festas, defendendo que o evento não se resume ao cartaz de espetáculos. “Não somos apenas uma festa de cartazes, somos uma festa de experiências e de emoções”, afirmou.
O presidente da Câmara agradeceu, nesse sentido, aos trabalhadores do município, associações, comerciantes, artesãos, parceiros e voluntários envolvidos na organização. A expressão que há vários anos acompanha o concelho – “no Sardoal ninguém é de fora” – voltou também a ser evocada por Pedro Rosa como símbolo do espírito de acolhimento da comunidade.





As festas são igualmente, segundo o autarca, um momento de reencontro com os sardoalenses que vivem fora do concelho e no estrangeiro. “Levamos todos os dias no coração o Sardoal”, afirmou, dirigindo-se particularmente aos emigrantes que regressam durante o período de férias.
A Mostra de Saberes e Sabores volta a assumir um lugar de destaque na programação, enquanto espaço dedicado aos produtos endógenos, ao artesanato e ao saber-fazer local.
Pedro Rosa considerou os artesãos “guardiões e embaixadores do património imaterial do Sardoal”, sublinhando a importância destas atividades não apenas enquanto expressão cultural, mas também enquanto elemento de uma estratégia de desenvolvimento local associada ao turismo.


Entre os participantes estão também Célia Santos e Rui Dias, que têm recuperado duas tradições artesanais ligadas ao concelho: os leques de palha e as malas produzidas segundo técnicas tradicionais.
A floresta ocupou uma parte significativa da intervenção do presidente da Câmara, que a identificou como um dos pilares do desenvolvimento económico do concelho, mas também como uma área onde permanecem desafios relacionados com os incêndios rurais.
Pedro Rosa apontou projetos e medidas como os Condomínios da Aldeia, Aldeias Seguras, Pessoas Seguras, projeto Resist e preparação de intervenções no âmbito do projeto LIFE, além das ações de limpeza das faixas de gestão de combustível e dos caminhos florestais.

O autarca deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos sapadores florestais e defendeu a necessidade de medidas que valorizem a carreira destes profissionais.
A intervenção municipal surge num contexto que o presidente descreveu como particularmente exigente, marcado também pela tempestade Kristin, pela pressão na execução do PRR e pelas alterações das prioridades comunitárias.
Apesar das dificuldades, Pedro Rosa afirmou existirem razões para acreditar que os passos dados pelo município poderão contribuir para a atração de empresas, criação de emprego, ampliação do parque empresarial e aumento populacional.


Secretário de Estado destaca papel do Sardoal na estratégia florestal
Na cerimónia participou também o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, que centrou a sua intervenção na agricultura, na floresta e nas políticas de prevenção e gestão do território.
O governante salientou que mais de 70% da área territorial do concelho é ocupada por floresta, considerando por isso particularmente relevante a intervenção conjunta entre Governo, municípios, associações e outras entidades.
Rui Ladeira destacou o trabalho dos sapadores florestais e anunciou a correção dos protocolos estabelecidos pelo Estado com as entidades gestoras, com reforço de recursos e melhores condições para estes profissionais.

O secretário de Estado referiu igualmente os Condomínios da Aldeia como um exemplo de intervenção destinada a reduzir o risco de incêndio junto das populações, transformando áreas de risco em espaços agrícolas ou com outras utilizações, como olival e medronheiro.
Durante a intervenção, Rui Ladeira apresentou várias medidas de apoio à gestão florestal, incluindo apoios para a limpeza e gestão de terrenos e a disponibilização de equipamentos para os municípios.
Referiu um investimento de 50 milhões de euros para equipamentos destinados às comunidades intermunicipais, incluindo tratores e destroçadores para intervenções nas faixas de gestão de combustível, além de bulldozers para apoio à limpeza de caminhos e operações de proteção e combate.
O governante destacou também a medida Floresta Ativa, através da qual proprietários podem obter apoio para a gestão e limpeza de parcelas florestais. Segundo Rui Ladeira, a medida permitiu já a intervenção em cerca de 6500 hectares, tendo sido executados aproximadamente 3500 hectares e mobilizados quatro milhões de euros.




“Precisamos que os territórios tenham atividade” – Secretário de Estado
A gestão da propriedade florestal foi outro dos temas abordados pelo secretário de Estado. Rui Ladeira chamou a atenção para a dimensão do minifúndio e para situações de propriedades resultantes de heranças, prédios desconhecidos e terrenos abandonados.
No caso do Sardoal, apontou a possibilidade de intervenção através da AIGP, referindo uma área de cerca de 800 hectares como uma oportunidade de transformação e gestão do território. “Precisamos que os territórios, a floresta e a agricultura tenham atividade”, afirmou.
Rui Ladeira defendeu ainda uma maior valorização económica da floresta, rejeitando uma abordagem centrada exclusivamente nos incêndios e na destruição.


“É um setor de oportunidade”, afirmou, referindo a necessidade de atrair jovens para áreas como a engenharia florestal e a engenharia agronómica.
O secretário de Estado revelou ainda que está aprovada uma estratégia para a floresta com horizonte de 25 anos, construída, segundo explicou, a partir de contributos de diferentes entidades e setores.
A estratégia assenta, de acordo com Rui Ladeira, em pilares como a valorização e a resiliência, abrangendo não apenas a prevenção de incêndios, mas também problemas relacionados com pragas, doenças e espécies invasoras.





“O que está em causa é o país, é o futuro, são as gerações vindouras, são os nossos filhos, os nossos netos”, afirmou.
A intervenção terminou com um apelo à cooperação entre Governo, autarquias, associações e comunidades. “Não é uns à frente e outros atrás, é lado a lado”, concluiu Rui Ladeira. Terminada a sessão oficial, seguiu-se uma visita à Mostra de Saberes e Sabores.
Mostra de Saberes e Sabores é uma montra do que melhor se produz no território
A Mostra de Saberes e Sabores é um dos espaços de destaque das Festas do Concelho, dedicado à valorização dos conhecimentos, produtos e tradições do Sardoal. O certame reúne artesãos, produtores, associações e outras entidades, dando a conhecer o saber-fazer local e os produtos endógenos do concelho.
Para o município, a mostra assume também um papel na promoção do território e na valorização do património imaterial, colocando em contacto quem preserva estas tradições com os visitantes que passam pelo espaço durante as festividades.

As Festas do Concelho de Sardoal prolongam-se por cinco dias, entre 18 e 22 de setembro, num programa que cruza música, tradição, desporto e convívio. A programação musical passa pelo palco Gil Vicente, com atuações de vários artistas ao longo das festividades.
A música estará em destaque com atuações de àVariações, Paulo Gonzo, Pedro Dyonysyo – “A Viagem”, Remember – Tributo 80 & 90 e Os Descendentes, que encerram o programa no Dia do Concelho, 22 de setembro.





Para além dos concertos, o programa inclui várias iniciativas desportivas e de animação, entre as quais o Festival Hípico, provas de futebol e a prova do Campeonato Regional MX Ribatejo. As Festas mantêm também um forte componente ligado às tradições e à atividade local, com a realização da Mostra de Saberes e Sabores.
A programação distribui-se ainda por diferentes espaços da vila, incluindo o palco Tradições, na Praça Nova, e o palco Jovem, junto aos Paços do Concelho.
O programa encerra a 22 de setembro, Dia do Concelho, com as comemorações dos 495 anos da elevação do Sardoal a vila, assinalando uma data que, ao longo destes dias de festa, se cruza com a celebração da comunidade, das tradições e do território.












