Fátima, 13 de maio de 2021 Fotos: mediotejo.net

Depois de mais de uma década sem dar publicamente informação sobre as suas contas, o Santuário de Fátima resolveu apresentar um balanço dos últimos três anos, em termos de receitas e gastos, durante o tradicional Encontro de Hoteleiros realizado esta quinta-feira, dia 3 de março. A pandemia e a diminuição drástica de visitantes teve um efeito significativo na sustentabilidade da instituição, que perdeu mais de metade da sua receita.

Os dados provisórios de 2021 revelam alguma recuperação, mas ainda sem atingir os valores de 2019. Entretanto, depois de ter recebido apenas 1,4 milhão de peregrinos em 2020 (contra 6,3 milhões no ano anterior), o número subiu para 2,3 milhões em 2021. A expectativa é que as Jornadas Mundiais de Juventude e a visita do Papa Francisco em 2023 venham trazer uma retoma. 

“Este tempo mostrou-nos como dependemos dos peregrinos e como precisamos deles”, confessou o Reitor Carlos Cabecinhas aquando a apresentação das estatísticas de 2021 do Santuário de Fátima. Em comparação a 2019, a instituição regista uma quebra de peregrinos na ordem dos 88,5%, com o quase total desaparecimento das peregrinações asiáticas.

No ano passado há apenas o registo de um grupo de cinco pessoas da Coreia do Sul, nação que tinha tido um forte crescimento nos últimos anos e cujo interesse na cidade religiosa era encarado com forte expectativa em torno da disseminação da mensagem de Fátima para Oriente.

“Ainda não iniciámos a recuperação”, constatou o Reitor. A partir de agosto de 2021 regressaram as multidões, mas ainda sem o impacto de outrora. Os portugueses foram os primeiros a regressar a Fátima, mas as peregrinações organizadas de outros países estão a demorar a retomar. Os grupos espanhóis, polacos e italianos são os mais significativos, num total de 601 grupos estrangeiros (1036 geral) que se registaram no último ano. 

A par dos tradicionais dados estatísticos de peregrinos, o Santuário de Fátima surpreendeu com a apresentação da situação económico-financeira, algo que não sucedia há mais de uma década, já tendo despertado críticas quanto à postura da instituição.

Ficou-se assim a saber que a receita do Santuário em 2019 estava na ordem dos 20,3 milhões de euros, com gastos de 18,9 milhões. Deste últimos valor, 9,7 milhões são para custos com pessoal (6 milhões) e fornecimentos e serviços externos (3,7 milhões). O Santuário tem ainda mantido desde 2019 um gasto de 4,3 milhões em depreciações e amortizações. 

Sendo uma das principais fontes de rendimento do Santuário os donativos dos peregrinos, a pandemia teve um forte impacto na sustentabilidade da instituição. Em 2020 a receita situou-se em 9,4 milhões de euros, menos de metade do ano anterior, tendo subido para 14,9 milhões em 2021 (números provisórios).

O Santuário tem procurado diminuir encargos, sem contudo se ter socorrido dos apoios do Estado. Apesar do Reitor referir que não houve despedimentos, saíram 50 pessoas por se criarem condições para rescisões por mútuo acordo, por não renovação de contratos a termo certo (maioria de estudantes contratados pontualmente) e devido a reformas, conforme explicitou posteriormente à comunicação social. Conseguiu-se assim, entre outras medidas, reduzir em cerca de 19% os gastos.  

A apresentação dos dados económico-financeiros deveu-se ao ciclo pandémico, explicou o Reitor aos jornalistas, por decisão do Conselho Nacional para o Santuário de Fátima, não ficando garantido se passará a ser uma apresentação anual.

A expectativa, porém, é que as Jornadas Mundiais da Juventude de 2023, com a esperada visita do Papa a Fátima, venha contrariar o período recessivo e crie novamente uma situação de retoma a um nível equivalente ao período pré pandemia.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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1 Comment

  1. Olha para a minha cara de preocupado. Chulos, parasitas, aproveitam a fragilidade e fé dos mais ingénuos para enchetem os bolsos. Nao passam de vendilhões do templo expulsos pir Cristo.

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