“Os Órgãos Históricos não são apenas uma herança do passado mas, sobretudo, são uma herança que devemos transmitir a quem vier a seguir.” Foi com esta afirmação que o Pe. Joaquim Ganhão, presidente do conselho dos Órgãos Históricos de Santarém, encerrou a primeira edição do Festival de Órgão de Santarém.
O Festival reuniu quase duas centenas de músicos, em seis concertos, seis mini-recitais e uma missa, tendo o Órgão Ibérico como protagonista principal, durante dois fins-de-semana de (re)encontro entre patrimónios, cultural e musical, na capital dos Órgãos Históricos.
No ano em que se celebram os 150 anos da cidade de Santarém e se assinala o Ano Europeu do Património Cultural, “o público respondeu de forma muito positiva ao programa apresentado pelo FÓS”, como sublinhou o Pe. Joaquim Ganhão, que agradeceu ainda “a participação de todos os que estiveram de forma fiel e crescente” e encheram as igrejas onde os concertos se realizaram, num total de quase 2000 pessoas.
O presidente do Conselho dos Órgãos Históricos sublinhou também que, “depois da experiência que foi este primeiro festival é fundamental, para a cidade, que iniciativas como esta continuem”, salientando que “no momento em que a nível nacional muito se tem falado de civilização, os Órgãos Históricos de Santarém são, para nós, também uma questão de civilização e um desafio permanente para vivermos acordados para estas questões de civilização”, concluiu o Pe. Joaquim Ganhão.
Margarida Oliveira, diretora artística do FÓS, agradeceu a oportunidade “para dar vida a estes instrumentos históricos, construídos maioritariamente no início do Sec. XIX pelos principais organeiros da época, sendo representativos do melhor que se fez em Portugal nesta área específica”.
A diretora artística faz um “balanço positivo, as igrejas foram enchendo e o calor da música foi compensador para aqueles que se atreveram a sair de casa, mesmo nos dias de chuva e frio”, disse acrescentando que “este primeiro Festival de Órgão foi o começo, foram novas aprendizagens e ficou-nos a vontade de fazermos mais e melhor”.
Nesta primeira edição o FÓS quis apresentar o órgão, sobretudo, num contexto de música de câmara, quer no papel de acompanhador, quer como o instrumento de maior relevo no seio de uma orquestra, nunca descurando a sua autoridade como instrumento solista.
O Festival de Órgão de Santarém foi promovido pela Câmara Municipal de Santarém, Diocese e Santa Casa da Misericórdia com a organização do Conservatório de Música e Artes do Centro (CMAC).
