Enfim, não é de agora que ficamos sozinhos. É nesta fase que sentimos que o universo precisa de liderança e de inspiração. Temos fome de esperança e paz. Não só no nosso estômago mas também na nossa alma e espírito. Ricos e pobres, sem exceção.

Que a nossa sociedade não caminhe para o ódio ao rival ou ao inimigo, ao despeito diante do vizinho mais afortunado, ao ressentimento e ao desejo de desforra diante de inventivas velhas ou novas, reais ou supostas.

Na verdade, no nosso mundo atual é comum ver formas de nacionalismo cujos malefícios nem sempre tão facilmente visíveis ou mensuráveis. Não será preciso procurar muito para perceber que algumas nações procuram desmedidamente a própria riqueza e o próprio poderio, ainda que à custa de enormes sacrifícios. Por outras palavras: temos de perceber que o presente vale tanto como o futuro, não vale a pena ficarmos aborrecidos e impacientes, temos de continuar a andar.

Em muitos momentos fechamos os olhos e ficamos em silêncio para encontrar pessoas, para ouvi-las e senti-las para, de algum modo, pedirmos ajuda. Um dessas pessoas é um Homem que convenceu e inspirou, com a sua presença, com o seu testemunho. Uma figura tão forte, tão aberto, tão vulnerável, tão inquieto, pela dúvida criadora, pela curiosidade intelectual. Inquieto pela causa da injustiça, problema tão difícil de resolver na nossa sociedade. Falo de João Paulo II, que encantou e comoveu pela sua simplicidade, pelo calor humano, pela evidente bondade. Felizmente, o Santo Padre tem seguidor. Um mundo aberto capaz de evoluir e de encontrar-se consigo mesmo, desde que construído sempre na ideia essencial de dignidade e da liberdade da pessoa humana.

Que ventos sopram hoje sobre o nosso mundo? Talvez seja esse o grande dilema. Talvez se pudesse ter feito muito mais ainda ou feito de maneira diferente. O certo é que, apesar de tudo, a angústia e a aflição continuam connosco. O desastre pode sempre vir, sem dúvida, e os tropeços e frustrações temporários ou localizados, serão, em muitos casos, difíceis ou impossíveis de evitar.

Como atrás referi temos de continuar a andar para prosseguirmos o sentido da evolução humana, que se resume na tendência profunda a conter e vencer a intolerância: a intolerância racial e religiosa, antes de mais nada, mas também as intolerâncias sociais.

Não terá chegado a hora de admitirmos que estamos todos no mesmo barco?

O mundo irá levar algum tempo para se recuperar dos desastres da doença. A velocidade e a amplitude desta circunstância farão com que apareça a experiência e alguma sabedoria, mas, o que precisa continuar, são os ideais de liberdade. A marca do tempo presente é exatamente a consciência renovada de que a liberdade é insubstituível.

É preciso parar um pouco, olhar o que estamos fazendo e o que queremos fazer. Mas, como diziam os latinos, modus in rebus.

Carlos Alves

É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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