Rui Serrano propõe habitação, energia e menos burocracia para reforçar empresas da região. Foto: Nersant

Rui Serrano recandidata-se à presidência da Nersant – Associação Empresarial da Região de Santarém nas eleições marcadas para sexta-feira, 24 de julho, propondo um mandato de três anos centrado na competitividade das empresas e na consolidação da recuperação financeira da associação, depois de ter assumido funções, em novembro de 2025, na sequência da saída de António Pedroso Leal.

Em declarações ao mediotejo.net, o dirigente empresarial afirma que decidiu avançar para um novo mandato porque considera que o trabalho iniciado nos últimos oito meses ainda está longe de concluído.

“Nestes últimos oito meses, sinto que iniciámos um caminho – e um caminho não se interrompe a meio. O trabalho que considero estar por concluir é, sobretudo, um: transformar o impacto regional que já geramos em sustentabilidade financeira duradoura”, afirmou.

Rui Serrano concorre em lista única, situação que interpreta como um sinal de confiança dos associados no rumo seguido pela associação.

“Vejo isso, sobretudo, como um sinal de confiança e de continuidade por parte dos nossos associados no trabalho que começámos a construir nestes últimos oito meses – e também como uma responsabilidade acrescida para com a nossa região”, declarou.

O candidato resume o programa para o próximo mandato em três grandes eixos: reforçar a competitividade do território, reduzir os custos de contexto que afetam as empresas e transformar o potencial económico da região em investimento e emprego.

Entre as prioridades assume particular destaque a necessidade de criar condições para fixar trabalhadores na região, defendendo políticas de habitação acessível, melhor mobilidade entre casa e trabalho e apoios às empresas para reduzirem os custos energéticos.

“Sem habitação não há fixação de pessoas e sem pessoas não há crescimento empresarial”, notou.

Outra das prioridades passa pela simplificação administrativa, com licenciamentos mais rápidos, menos burocracia, maior previsibilidade fiscal e pagamentos públicos atempados.

Ao mesmo tempo, Rui Serrano considera essencial preparar as empresas da região para aproveitarem os futuros instrumentos europeus de financiamento, defendendo que a nova NUT II Oeste e Vale do Tejo representa uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade do território.

No balanço do mandato iniciado em novembro, Rui Serrano destaca a resposta dada pela Nersant aos efeitos da depressão Kristin, a participação da região na feira internacional MIPIM, em Cannes, o Roadshow Ribatejo Invest e a renovação da identidade institucional da associação.

Segundo explica, a tempestade Kristin constituiu um dos maiores desafios enfrentados pela direção poucos meses depois da tomada de posse, tendo feito notar que “o impacto foi profundo”.

O presidente da Nersant refere que as empresas da agroindústria e da construção foram particularmente afetadas, mas sublinha que os problemas provocados pela falta de eletricidade e de comunicações atingiram praticamente todo o tecido empresarial.

“Estimamos que entre 70% e 80% das paragens iniciais resultaram diretamente disso, com micro e pequenas empresas, sem geradores próprios, a ficarem completamente inoperacionais durante vários dias”, ilustrou.

Na sequência da tempestade, a associação elaborou o Livro Negro da Calamidade Empresarial, documento que sistematizou os prejuízos registados pelas empresas e serviu de base às propostas apresentadas ao Governo em conjunto com outras associações empresariais.

Apesar de reconhecer que as medidas entretanto aprovadas responderam às necessidades mais imediatas, Rui Serrano considera que continuam por criar apoios a fundo perdido para empresas com prejuízos mais elevados.

“Muitas empresas com prejuízos profundos precisam de subsídios a fundo perdido”, defende o dirigente.

Questionado sobre a situação financeira da associação, Rui Serrano considera que a Nersant entrou numa fase de recuperação e consolidação.

Segundo explica, a venda do antigo pavilhão de exposições, situado em Torres Novas, junto à sede da Nersant, concluída por 1,905 milhões de euros, permitiu reduzir significativamente o financiamento bancário da associação.

“O valor obtido com a venda do pavilhão permitiu uma redução do financiamento de curto prazo de cerca de 860 mil euros e do financiamento de longo prazo de 187 mil euros”, afirmou.

O dirigente acrescenta que a associação apresenta atualmente uma autonomia financeira superior a 60%, indicador que considera demonstrativo da estabilidade alcançada.

Na sua perspetiva, a alienação do pavilhão representou uma adaptação à evolução da própria atividade da associação. “O pavilhão cumpriu a sua missão; cabia-nos preparar a associação para o futuro”, declarou.

A Nersant terminou o ano de 2025 com 3.208 associados, mais 81 do que no ano anterior.

Para Rui Serrano, este crescimento demonstra que a associação continua a reforçar a sua representatividade junto das empresas da região.

Ao longo do último ano, a associação promoveu 70 sessões técnicas com 1.679 participantes, apoiou diretamente mais de duas centenas de empresas, acompanhou 71 projetos de investimento e manteve uma rede de incubação com mais de 87 empresas e projetos distribuídos por vários concelhos.

O presidente da Nersant considera que a economia da região atravessa um momento de oportunidade, mas alerta que o sucesso dependerá da capacidade de aproveitar os novos instrumentos europeus de financiamento e de responder a problemas estruturais como a habitação, a burocracia e a escassez de mão de obra qualificada.

Entre as principais oportunidades identifica a nova NUT II Oeste e Vale do Tejo, que junta as CIM do Médio Tejo, Lezíria e Oeste, e que considera poder afirmar-se como um território mais competitivo e coeso.

Ao mesmo tempo, Rui Serrano deixa um alerta. em jeito de apelo.

“O interior de Portugal precisa de ser visto e ouvido com a mesma atenção que se dá, muitas vezes, às zonas costeiras mais mediáticas. O Ribatejo não é periferia – é uma das regiões mais produtivas do país”, notou.

As eleições para os órgãos sociais da Nersant realizam-se na próxima sexta-feira, 24 de julho, para um mandato de três anos.

Entretanto, a Assembleia Geral da Nersant, realizada na segunda-feira, aprovou por maioria o Relatório de Gestão, Balanço e Contas de 2025, registando-se uma abstenção.

O exercício encerrou com um resultado líquido positivo de 1.052.423,59 euros, valor influenciado por uma operação extraordinária relacionada com a alienação de património, incluindo a venda do Pavilhão Nersant.

Os associados aprovaram ainda, por unanimidade, a aplicação do resultado em Fundo Associativo, reforçando a capacidade da associação para desenvolver novos projetos de apoio às empresas da região.

No encerramento da reunião, Rui Serrano agradeceu a confiança dos associados e o empenho da equipa da Nersant, reafirmando o compromisso da direção em continuar a trabalhar em proximidade com as empresas, os municípios, as instituições e os restantes parceiros regionais.

“Apesar de 37 anos de história, é ainda agora que começamos a construir o que de mais relevante a Nersant pode fazer pela sua região. E isso só se consegue com o envolvimento de todos”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply