Rota das Fontes valoriza património e convida à descoberta de Santa Margarida da Coutada. Foto: mediotejo.locais.net/

A Rota das Fontes de Santa Margarida da Coutada é um percurso circular de pequena rota com 12,5 quilómetros, que liga seis fontes distribuídas por diferentes localidades da freguesia e convida à descoberta de um património que, durante décadas, assegurou o abastecimento de água às populações e marcou o quotidiano das comunidades locais.

Mais do que um percurso pedestre, a Rota das Fontes de Santa Margarida da Coutada constitui um convite à descoberta de um território onde património, natureza e memória coletiva continuam ligados pela água.

Em declarações ao mediotejo.locais.net/, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida, José Manuel Ricardo, explicou que o projeto teve origem em 2011, com a recuperação das várias fontes existentes nesta freguesia do concelho de Constância, evoluindo posteriormente para a criação da rota pedestre.

“É um património que nós estamos a valorizar e a defender. Ao longo dos anos vamos fazendo obras para que esta rota se mantenha ativa, com preservação e manutenção regular”, afirmou.

Atualmente, a freguesia conta com oito fontes, das quais seis integram o percurso. A Fonte Ferrada, em Constância Sul, foi recentemente recuperada, enquanto a Fonte da Pereira está a ser alvo de intervenção devido a uma fuga de água. O autarca revelou ainda a intenção de integrar futuramente estas duas fontes no percurso.

José Manuel Ricardo adiantou que a maioria das fontes continua a brotar água natural, embora esteja sinalizada como “água não controlada”, mantendo-se, ainda assim, o hábito de muitos habitantes se deslocarem às fontes para encher garrafões.

“A da Pereira continua a ser a mais procurada”, referiu, indicando também a Fonte da Aldeia como um dos pontos com maior afluência, sobretudo por visitantes que frequentam a zona do açude e das atividades de lazer.

Além da sua função no abastecimento de água, as fontes preservam uma forte dimensão histórica e social. “Antigamente era ali que aconteciam os namoricos. Eram pontos de encontro das pessoas”, recordou o presidente da junta, sublinhando que a rota pretende preservar essa memória coletiva e transmitir às novas gerações o legado associado a estes espaços.

Para o autarca, o percurso constitui igualmente um instrumento de promoção do turismo ativo e da economia local.

“A ideia foi chamar pessoas à freguesia para fazerem esta rota e dar também um contributo aos restaurantes e ao comércio local”, afirmou.

O percurso, com um tempo médio estimado de três horas e meia e grau de dificuldade fácil a médio, desenvolve-se por estradas municipais, caminhos e trilhos florestais, cruzando-se em vários pontos com a Rota dos Cântaros e Cantos e com a GR12 – Caminho do Tejo, permitindo percursos alternativos de menor extensão.

Ao longo dos 12,5 quilómetros, a rota conduz os visitantes por seis fontes distribuídas entre Portela, Vale de Mestre, Cardal, Aldeia e Malpique, cada uma ligada à história do abastecimento de água da freguesia e ao quotidiano das populações. Durante gerações, estes locais foram ponto de encontro, de convívio e até de namoros, memórias que a Junta de Freguesia procura preservar através da recuperação e valorização deste património.

O percurso permite ainda conhecer parte da paisagem rural de Santa Margarida da Coutada, atravessando aldeias, caminhos florestais e zonas de elevado valor natural, onde subsistem espécies autóctones da flora e fauna, cruzando-se com a Rota dos Cântaros e Cantos e com a GR12 – Caminho do Tejo.

Rota das Fontes valoriza património e convida à descoberta de Santa Margarida da Coutada. Foto: mediotejo.locais.net/

Integrada no concelho de Constância, a freguesia de Santa Margarida da Coutada reúne um património natural, histórico e religioso diversificado, do Parque Ambiental e Borboletário Tropical ao açude de Santa Margarida, passando pelas capelas e igrejas locais, reforçando a aposta na valorização do território através do turismo de natureza e da fruição do espaço rural.

A rota encontra-se integralmente sinalizada no terreno e a Junta de Freguesia disponibiliza gratuitamente folhetos informativos para quem pretenda percorrê-la, além de informação na sua página oficial.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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