Louriceira, Mação. Foto: João Clara

Na localidade da Serra, próximo da Aboboreira, em Mação, Luís Pardal queixa-se da falha de gestão dos meios no combate ao incêndio e a sua prima Noémia diz que “se não fosse o povo, a aldeia tinha ardido”.

“Ardeu tudo por dentro da povoação. Foi um milagre não ter ardido nenhuma casa de habitação. Foram os quintais e as hortas”, disse à agência Lusa Luís Pardal.

Este funcionário público recordou os momentos de aflição passados na quarta-feira, quando o fogo chegou à aldeia por volta 17:00

“Há falhas na gestão [dos meios]. Há muitos meios, mas não são utilizados para nada. Quando estava tudo a arder não havia um bombeiro”, desabafou.

Enquanto falava à Lusa, próximo da entrada para a aldeia da Serra, um reacendimento começou a consumir as poucas árvores que não arderam na quarta-feira e a estrada de saída em direção à Aboboreira acabou por ser cortada pela GNR.

“A sorte foi já ter ardido parte do monte junto à aldeia, caso contrário tinha ardido mesmo tudo”, explicou.

Com os nervos bem à “flor da pele”, a sua prima Noémia Pardal, trabalhadora agrícola, confirmou a falta de meios no combate às chamas que ameaçaram a localidade e diz mesmo que “cada um defendeu como pôde as casas. Não houve outra hipótese. Foi até às últimas lágrimas e até essas secaram”.

Visivelmente revoltada, não por os bombeiros que não condena e que considera” homens de grande valor”, mas com a coordenação dos meios.

“A senhora [da Autoridade Nacional de Proteção Civil], que anda todos os dias nos microfones e nos papéis, devia vir para aqui”, desabafou.

Noémia Pardal indicou que na quarta-feira, durante a manhã, estiveram imensos bombeiros na localidade, “quando ainda nada ardia” e adiantou que, sem saber porquê, foram desmobilizados.

“À tarde, quando o fogo começou, nem um bombeiro, nem um carro, nenhuma descarga”, afirmou.

Esta trabalhadora agrícola diz ainda que a aldeia é habitada por cerca de 80 idosos, considerando que “a sorte” foi a realização da festa em honra da Nossa Senhora dos Aflitos no fim de semana, que levou muita gente de fora à terra.

“Foi uma aflição enorme. O que valeu foi as pessoas que cá estão a passar férias e cada um teve que se cuidar. Dentro da aldeia ardeu tudo, nem sabemos como é que não morreu ninguém”, concluiu.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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