“A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos as outras já experimentadas ao longo da história.” A frase de Churchill já foi repetida tantas vezes que há muito perdeu a sua originalidade. Não perdeu no entanto a força e a verdade que nela se encerra. Uso-a neste momento para ajudar a explicar os tempos que vivemos.
Maduro aproveitou-se das suas fragilidades e tem vindo a transformar uma democracia duvidosa numa ditadura vergonhosa, os norte-americanos mostraram-nos que depois da eleição de Trump tudo passou a ser possível em países democráticos e agora os brasileiros dizem-nos que o crime, a corrupção e a crise económica podem ser os argumentos que ajudarão a eleger um racista, misógino e homofóbico.
Não me esqueci de Putin, de Erdogan, nem de Xi Jinping, mas estes “democratas” há muito são olhados com desconfiança, para não dizer com descrédito, pelos nossos olhos ocidentais.
Voltando à democracia e ao Brasil, é complicado prever o futuro de um país se o próximo presidente for alguém que implementará tudo o que tem prometido durante a campanha eleitoral. Em rigor, será mais o que tem prometido antes da campanha e aquilo que conhecemos dele através das suas opiniões ao longo das últimas décadas, porque a sua estratégia durante a campanha tem passado pela fuga ao diálogo com base em pareceres médicos.
É igualmente complicado prever as implicações que este novo cenário terá, numa primeira instância naquela zona do hemisfério… e posteriormente no resto do mundo mas arrisco-me a afirmar que esta eleição servirá apenas os interesses da mesma imensa minoria que se tem aproveitado das últimas crises mundiais.
Talvez seja pouco democrático afirmar que a democracia pode ficar suspensa no Brasil porque na realidade ela limitar-se-á a ficar refém das suas regras, com as suas limitações e as suas imperfeições. Aproveitemos o momento para voltar a “olhar” para a frase de Churchill e assim reinventarmos a democracia, corrigindo-lhe as imperfeições e eliminando-lhe as limitações. Resta saber se quem tem essa faculdade terá a oportunidade e a vontade.
Mas sejamos honestos, o verdadeiro problema não está na democracia, está naqueles que se aproveitam da sua ingenuidade “vestindo” a pele de democratas para esconder a sua verdadeira identidade. Em bom rigor, não precisamos reinventar a democracia, basta termos melhores políticos. E é aqui que concluímos que entrámos num beco sem saída porque a solução para este problema ficou perdida algures no passado.
