A Câmara de Tomar aprovou a reestruturação da participação municipal na Escola Profissional de Tomar, através da alienação integral das quotas detidas pelo município. A proposta foi aprovada por maioria, com a abstenção dos vereadores do Partido Socialista.
O presidente da Câmara, Tiago Carrão, justificou a decisão com as dificuldades que a escola tem enfrentado, tanto no plano educativo como financeiro. Segundo o autarca, o número de alunos caiu de cerca de 139 em 2019 para 57 no ano letivo de 2024/2025, uma quebra de cerca de 58%.
A redução do número de alunos teve reflexos no número de turmas: de seis passou-se para três, quando, segundo Tiago Carrão, o ideal seria chegar às cinco turmas.
Também a situação financeira foi apontada como uma preocupação. A escola apresentou, de acordo com o presidente, um resultado negativo de cerca de 144 mil euros em 2024 e de cerca de 70 mil euros em 2025. A “almofada financeira” que existia anteriormente foi-se esgotando, deixando a escola numa situação mais difícil.
Perante este cenário, o município colocou duas hipóteses: tentar modernizar e revitalizar a escola ou admitir o seu encerramento. Tiago Carrão defendeu que o encerramento não é a solução, porque o ensino profissional “tem valor” e “é necessário ao território”.
A opção passa, assim, por procurar um operador com experiência na gestão de escolas profissionais. “O nosso entender é que devemos colocar a escola profissional nas mãos de quem sabe fazer ou quem, esperemos nós, que tenha a experiência e a capacidade para levar a escola para a frente”, afirmou.
O processo deverá ser realizado através de hasta pública, ficando o município e os restantes sócios responsáveis pela definição do caderno de encargos. Entre os sócios da empresa estão a ACITOFEBA – Associação Comercial e Industrial, a NERSANT e a entidade de Turismo de Lisboa, conforme referido na reunião.
Tiago Carrão adiantou ainda que foi feita uma auscultação ao mercado e que o município concluiu existir potencial interesse no processo de alienação.
Hugo Cristóvão, vereador do PS, afirmou que os socialistas não são “substancialmente contra”, mas também não são “entusiasticamente a favor”, razão pela qual optaram pela abstenção. O vereador alertou para uma consequência essencial da venda: “A partir do momento em que estiver vendido, está vendido.”
Hugo Cristóvão sublinhou ainda que o que está em causa é a venda da entidade que gere a escola e não do edifício Casa dos Tectos. “Está-se apenas a vender a entidade escola profissional e não o edifício Casa dos Tectos, que continuará a ser propriedade do município de Tomar”, afirmou.
Na resposta, Tiago Carrão defendeu que era necessário agir e evitar que a falta de decisão pudesse conduzir ao encerramento da escola. “O que não podia garantidamente ser, e foi sempre essa a posição do PS, é continuar a empurrar o problema com a barriga”, afirmou, defendendo que a decisão procura salvaguardar a continuidade da oferta de ensino profissional em Tomar.
A proposta acabou aprovada por maioria, com a abstenção dos vereadores socialistas.
