Um estudo da ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações relativo ao concelho da Sertã dá conta de que quase 10 por cento da sua área não tem cobertura de rede, não sendo possível fazer chamadas telefónicas nem ter acesso a internet.
Dirigentes e técnicos da ANACOM estiveram no dia 27 de abril numa sessão com os autarcas da Sertã, para apresentar os resultados desse estudo sobre a qualidade de serviço das redes móveis da MEO, NOS e Vodafone efetuado no concelho, a pedido do Município da Sertã.
Os autarcas expressaram a sua preocupação com as deficiências de cobertura de rede móvel no concelho, que apresenta uma grande dispersão, com mais de 300 povoações. Questionaram se tal se deve a falta de investimento dos operadores e deram conta que ao nível da fibra ótica também existe problemas. Referiram que existem zonas que não têm fibra, e outras onde existe mas não chega às habitações. Esta situação tem impacto na desertificação, referiram.
Os números apresentados confirmam esta realidade. Em relação à qualidade da cobertura, no global, em 9% dos valores registados a qualidade é “Inexistente” ou “Muito Má” ou “Má” (a contribuição para este valor por operador é de: 38% no caso da NOS, 37% no caso da MEO, e em 25% no caso da Vodafone).
Nos níveis opostos, “Boa” e “Muito Boa”, a Vodafone regista 46%, a MEO regista 41%, e a NOS regista 29%. No serviço de voz, os desempenhos apresentam resultados quanto à acessibilidade (estabelecimento de chamada) de 88%, para a MEO; 91% para a NOS; e 97% para a Vodafone. Assim, em termos globais, não foi possível estabelecer chamadas de voz em 8% das tentativas de chamada. E nos casos em que foi possível estabelecer chamadas, observou-se que em 5% deles não foi possível concluí-las com sucesso.
O presidente da Câmara da Sertã, Carlos Miranda, o vice-presidente da autarquia Rui Antunes, bem como todos os presidentes de junta de freguesia, manifestaram a sua preocupação quanto à realidade das comunicações no concelho.
O presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, que estava acompanhado da administradora Patrícia Silva Gonçalves, e por Vitor Rabuge e Ilda Matos, diretores da ANACOM, deu nota que estão previstas medidas que poderão ajudar a ultrapassar a situação atual. Referiu desde logo as soluções de internet por satélite, que permitem ter serviço em zonas mais recônditas, ou com características orográficas complexas.
Recordou ainda a obrigação de cobertura decorrente do leilão do 5G: 90% da população de cada freguesia de baixa densidade deverá ter internet com uma velocidade de 100 Mbps, em 2025; sendo que em 2023 essa obrigação é de que 75% da população esteja coberta.
Referiu também a importância do roaming nacional para melhorar as situações de má cobertura em zonas rurais, de baixa densidade populacional, pelo que, se vier a ser necessário o Governo e a AR deveriam legislar nesta matéria. A potencial descida dos preços, na sequência da introdução de mais concorrência, e a alteração das regras das fidelizações foram apontadas como outras das prioridades da ANACOM, frisou João Cadete de Matos.
No contexto da cobertura do País com banda larga, a administradora Patrícia Silva Gonçalves, fez uma apresentação sobre o tema, em que mostrou as zonas brancas existentes nas freguesias do concelho. Referiu a consulta pública lançada pela ANACOM nesta matéria, e que visa o lançamento de um concurso que visa levar a fibra ótica a todo o País, que foi objeto de 600 contributos. Elogiou ainda a elevada participação da Sertã nesta consulta pública: a CM da Sertã, todas as juntas de freguesia, a CIM Médio Tejo, e particulares participaram na consulta e enviaram o seu contributo.
O concurso público que visa a instalação de fibra com recurso a financiamentos comunitários será lançado este ano, anunciou a ANACOM.

Mais de 2400 chamadas para testar rede
Neste estudo, a ANACOM analisou os principais indicadores de qualidade, tendo em conta a perspetiva do utilizador, com base na cobertura das redes (disponibilidade das redes radioelétricas 2G, 3G e 4G, o chamado sinal de rede, serviço de voz (acessibilidade do serviço telefónico móvel) e serviços de dados (acesso ao serviço de Internet móvel).
A apresentação dos resultados foi feita por Vitor Rabuge, Diretor Geral de Supervisão da ANACOM. O trabalho de campo decorreu entre 27 de setembro a 8 de outubro de 2021 e de 25 de janeiro a 27 de janeiro de 2022. No total foram percorridos cerca de 525 quilómetros e realizadas 2406 chamadas de voz, 591 testes de velocidade de ligação à Internet e mais de 188 mil registos de sinal rádio.
Os resultados mostram que, em relação à qualidade da cobertura, no global, em 9% dos valores registados a qualidade é “Inexistente” ou “Muito Má” ou “Má” (a contribuição para este valor por operador é de: 38% no caso da NOS, 37% no caso da MEO, e em 25% no caso da Vodafone). Nos níveis opostos, “Boa” e “Muito Boa”, a Vodafone regista 46%, a MEO regista 41%, e a NOS regista 29%.
No serviço de voz, os desempenhos apresentam resultados quanto à acessibilidade (estabelecimento de chamada) de 88%, para a MEO; 91% para a NOS; e 97% para a Vodafone. Assim, em termos globais, não foi possível estabelecer chamadas de voz em 8% das tentativas de chamada. E nos casos em que foi possível estabelecer chamadas, observou-se que em 5% deles não foi possível concluí-las com sucesso.
O rácio de terminação bem-sucedida de chamadas (as que se concretizaram e se realizaram até ao fim) foi de 80% para a MEO, 89% para a NOS e de 93% para a Vodafone. Em termos globais, isto significa que, considerando as chamadas falhadas no estabelecimento e/ou durante a conversação, cerca de 13% das tentativas de chamadas de voz não foram concretizadas.
No serviço de dados (Internet móvel), os resultados revelam algumas falhas, evidenciando que este serviço é fraco em alguns locais, com baixas velocidades de transferência de dados. A taxa de sucesso de testes de NET.mede (testes iniciados e concluídos) foi de 63% para MEO, 75% para a NOS e 84% para a Vodafone, ou seja, globalmente em 26% dos casos não foi possível concluir os testes de velocidade de Internet, normalmente devido a falta ou fraco de sinal de rede, ou a tecnologia de baixo débito binário (2G EDGE).
As velocidades médias de transferência de dados em download e upload foram, respetivamente, de 18 e 6 Mbps, na MEO; 17 e 8 Mbps, na NOS; e 16 e 8 Mbps, na Vodafone; sendo de destacar a existência de grande variação dos valores observados, fortemente dependente dos locais onde foram realizados os testes.
Para a ANACOM, caso já existissem acordos de roaming nacional em Portugal (permitindo que os clientes de qualquer um dos operadores se pudesse conectar à antena de outro operador quando a qualidade de sinal do seu operador não fosse aceitável), haveria uma cobertura agregada de mais qualidade no Município da Sertã.



