Na última Assembleia Municipal de Abrantes, no final de fevereiro, o PSD manifestou-se no período antes da ordem do dia, abordando o atual estado do centro histórico da cidade, alertando para “o reduzido movimento e dinamismo”. Na voz de José Moreno Vaz (PSD), chegou a ser indicado que o partido iria propor, em próxima sessão, a criação de um grupo de trabalho com representação de todas as forças políticas no sentido “de serem apresentadas ideias que permitam ao executivo levar a efeito ações tendentes a contrariar a atual evolução que, a continuar, nos levará a uma longa agonia até ao resultado que nenhum de nós pretende”.
A intervenção do deputado José Moreno visou “sensibilizar toda a classe política e forças vivas do nosso concelho para a necessidade de reverter o caminho que o centro histórico da cidade tem vindo a percorrer nos últimos anos”.
“Não vou recorrer à comparação com esta ou aquela cidade ou mesmo vila, atirando para o debate as que registam mais dinamismo ou aparente prosperidade. Cada um tem os seus problemas específicos, das mais variadas origens. As soluções não podem ser as mesmas e também não há receitas ideais que solucionem milagrosamente os problemas que se nos deparam”.
“O PSD não está preocupado com o que se passa na casa alheia, mas sim, com aquilo que se passa na nossa casa. A nossa casa é a nossa cidade e o nosso concelho, e infelizmente o diagnóstico não é bom. Penso que qualquer um de nós já se apercebeu do reduzido movimento e dinamismo do nosso centro histórico, num qualquer dia da semana. Então se falarmos ao fim-de-semana… é um deserto. E depois das 19 horas, nem viva alma”, sublinhou.

“Compreendo agora, mais que nunca, o lamento dos comerciantes, as reclamações do comum cidadão, dos jovens e a perplexidade dos turistas perante tal situação. Sentimento este que nos vai chegando das mais variadas formas mas cada vez com mais frequência”, aludiu.
Ainda assim, José Moreno assumiu não ter uma solução para o problema, mas sublinhou a importância do tema em causa e a necessidade de o discutir e debater. “Qual é a solução? Sinceramente não sei. Não sei eu, não sabem os meus companheiros de bancada, não saberá a oposição. Não o saberá a maioria que compõe esta Assembleia, não o saberá o executivo. Caso contrário já teria tomado medidas e anunciado um programa específico e o respetivo sucesso. O tema que trago aqui é de primordial importância. Temos necessidade e a obrigação de analisar urgentemente sob pena de amanhã ser tarde demais para todos”, apontou.
Assim, o PSD indicou que iria propor em próxima sessão de Assembleia Municipal que se constituísse “um grupo de trabalho com a representação de todas as forças políticas no sentido de serem apresentadas ideias que permitam ao executivo levar a efeito ações tendentes a contrariar a atual evolução que, a continuar, nos levará a uma longa agonia até ao resultado que nenhum de nós pretende”.
“Entendemos que face à gravidade da situação, a experiência, o conhecimento, a vivência de cada um de nós, possa contribuir para um conjunto de ideias que pela sua inovação, diversidade e origem possam formar um pacote de ações que permitam ao executivo implementar medidas que contrariem a atual tendência deste processo”, reiterou.
Por fim, notou o deputado municipal que “o PSD retirará de imediato a eventual proposta de uma futura constituição de um grupo de trabalho que surja desta intervenção caso o executivo nos demonstre desinteresse nesta contribuição e disponibilidade da oposição, ou nos diga aqui que tem um processo devidamente identificado, que tem na sua posse um conjunto de ações para solucionar o problema e que não espera que surja da parte da oposição contribuições relevantes, que adicionem algo de novo ao processo que já iniciaram”.

Em resposta à intervenção dos social democratas, o presidente de Câmara começou por referir que “uma coisa é o centro histórico, outra coisa é a cidade. As pessoas confundem muito o centro histórico com a cidade. Se me disser que temos sempre muito trabalho no centro histórico… e temos montes de programas, e estamos sempre a pôr concertos, iluminação, sempre a pôr tudo. E mesmo assim precisamos continuar sempre a trabalhar”.
Por outro lado, lembrou que não existe apenas o centro histórico de Abrantes, aludindo aos centros históricos nas sedes de freguesia. “Atenção que há outros centros históricos. E o Tramagal também tem centro histórico, e Rio de Moinhos, e Mouriscas, todos têm centros históricos. E o concelho é muito grande”.
“Pomos muita carga no centro histórico, precisamos da resiliência dos operadores que lá estão, precisamos que também nos ajudem a andar para a frente, que eles se adaptem aos dias de hoje. A cidade não está morta; desenganem-se. A cidade tem muito movimento”, referiu, dando conta de ter estado junto de novos operadores durante aquele mês. “Estive com três ou quatro novos operadores, com mais algumas dezenas de postos de trabalho [criados], e aquilo que sentimos é que não há casas para alugar, é difícil comprar casas,… as coisas não estão mortas”.
“O centro histórico tem as suas dificuldades. Tem. Mas não existe uma receita perfeita. Temos todos de trabalhar. Até podemos construir grupos de trabalho. Nós temos um Gabinete de Desenvolvimento Económico dedicado a isto, temos sete ou oito pessoas a trabalhar nisto, no mercado diário, no centro histórico e nas lojas, no dinamismo. Estamos muito atentos e a trabalhar. Umas vão fechando, mesmo esta semana abriram duas ou três. É o dinamismo dos centros históricos. Não é um problema exclusivo de Abrantes, acontece em todas as cidades”, justificou.

Na passada reunião de Câmara, de dia 21 de março, Manuel Jorge Valamatos comentou em discussão com os vereadores da oposição, Vítor Moura (PSD) e Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) que o executivo municipal de maioria socialista não é “o executivo do centro histórico, nem da cidade”.
“Nós somos o executivo do concelho de Abrantes. O Tramagal, o Pego, Alvega, Concavada, Bemposta, a sul. São todos importantes. No norte, Rio de Moinhos, Martinchel, Fontes, Carvalhal,… são todos importantes. Aqui, a freguesia de Abrantes, Alferrarede, o Rossio ao Sul do Tejo, S. Miguel, Mouriscas, são todos muito importantes. E nós fazemos gestão de um concelho”, indagou.
“Quando se diz que o centro histórico às vezes tem poucas pessoas… então e o resto da cidade? É só o centro histórico? Trabalhamos muito e temos feito um investimento enorme no centro histórico. Fizemos um investimento imenso no MIAA, que fica para a História desta cidade e deste concelho. Em Santa Maria do Castelo, no MAC, temos feito investimentos no parque escolar, na saúde. Mas o resto do concelho existe. Temos um concelho de 714 km quadrados, do tamanho da ilha da Madeira, e olhamos para todos os cidadãos, e os cidadãos da Esteveira, ou das Bicas, ou das Fontes, são exatamente iguais aos do centro histórico”, rematou.
“Vamos continuar a trabalhar para todos. Olharemos para o centro histórico também como elemento central do nosso desenvolvimento e ação comunitária, mas não ficamos reféns do centro histórico.
Aqueles que continuam a dizer que a cidade está a morrer, são aqueles que estão na Praça Barão da Batalha e não saem de lá. A cidade não é o centro histórico, nós estamos a trabalhar para um concelho”, concluiu.
