“A urgência de um sobressalto cidadão para criar uma floresta com futuro uniu as convocatórias que exigem uma transformação de fundo no território nacional, combatendo ativamente o abandono e a monocultura do eucalipto em Portugal como fatores essenciais dos fogos mortais”, lembrou Pedro Triguinho, membro do movimento ‘Um Coletivo’, tendo dado conta que, em Torres Novas, estiveram dezenas de pessoas e representantes de diversas associações de vários municípios do Médio Tejo e do distrito a exigir uma mudança.
O movimento ‘Floresta do Futuro’ nasceu da Caravana pela Justiça Climática, que percorreu o país em 2022, tendo daí resultado o grupo denominado ‘Rede de Resposta Rápida a Incêndios’, que se reúne regularmente, indicou Triguinho. “Com os trágicos incêndios deste mês decidimos vir para a rua em protesto e exigir ações consequentes e que terminem com este flagelo”, disse.

ÁUDIO | PEDRO TRIGUINHO, MOVIMENTO ‘UM COLETIVO’:
Os cidadãos foram chamados a saírem à rua em 14 cidades, como Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande, Odemira, Poiares, Sertã, Torres Novas, Gouveia, Arganil e Melres (Gondomar), “depois de mais um ano de mortes nas chamas, destruição de casas e infraestruturas em incêndios”, indicaram, em comunicado, os organizadores da iniciativa.
O grupo de cidadãos que organizou os protestos chama ainda a atenção para “uma nova realidade climática”, que acelera “um processo de desertificação para o qual os incêndios contribuem decisivamente”, adiantando que já em setembro de 2023 se realizaram manifestações “por uma Floresta do Futuro”.
Ou seja, “uma verdadeira floresta e bosques resilientes, que aguentem o futuro mais quente, que travem o deserto e promovam uma reabilitação do interior do país”.




Pelo menos sete pessoas morreram e 177 ficaram feridas devido aos incêndios que atingiram desde dia 15 sobretudo as regiões Norte e Centro do país e destruíram dezenas de casas.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) contabilizou cinco mortos, excluindo da contagem dois civis que morreram de doença súbita.
A área ardida já ultrapassou os 135 mil hectares, segundo o sistema europeu Copernicus.


Para domingo estavam previstos, em 12 localidades, protestos contra os incêndios, o abandono do território e a monocultura do eucalipto, convocados por um grupo cidadãos que inclui ativistas, investigadores em alterações climáticas e biólogos, grupo que organizou, há um ano, uma manifestação em defesa da floresta.
